Leitura: Palavrinha ou palavrão?

Temos um grande desafio social. Como atrair os jovens para ler um livro hoje em dia?

Fábio Guimarães - 24/12/2018 10h03


O mundo está monossilábico. Tenho a impressão de que, no futuro, inconstitucionalissimamente será verdadeiramente um palavrão e não apenas uma palavra grande.

Pense nas empresas que você conhece hoje: Vivo, Tim, Oi, Claro, G1, R7, Uol, Bol, Terra. Em um passado não muito distante era: Souza Cruz, Camargo Corrêa, Roberto Simões, Carvalho Hosken, João Fortes Engenharia e Telefônica Celular.

E os políticos? Getúlio Vargas, Juscelino Kubitscheck, Castelo Branco, Floriano Peixoto. Agora? Obama, Trump, Lula, Mácron, Bolsonaro. Muitos vão diminuindo seus nomes nas estratégias políticas eleitorais. Aécio Neves virou Aécio. Geraldo Alckmin tem problemas com sua identidade, virou Geraldo em 2006 e Alckmin em 2018. As más línguas dizem que será Chuchu em 2022. Oh, maldade. José Serra virou Serra. Luís Inácio já sabia disso faz tempo e Fernando Collor de Melo também; já o Fernando Henrique Cardoso deve ter sido avisado por alguém para virar FHC…

Neste mundo veloz, cinzento e imediatista, sobrenomes e proparoxítonas são artigos em extinção.

Se tentarmos adentrar o mundo do “alfabeto digital “ o impacto é ainda maior. As conversas são S (sim), N (não), tb (também) S2, S3 (corações), k e RS (risos), e muitas outras que não consegui decifrar ainda.

Alias, os emoticons são um outro alfabeto à parte. As vezes tenho a impressão de que, daqui alguns anos, vou ler nos currículos algo do tipo: fluente em inglês, espanhol e emoticons. Eu devo usar uns 3 ou 4, com certeza não mais que 5. Acho que no mundo dos emoticons eu sou um analfabeto funcional, daqueles que leem, mas não interpretam direito. É… não tá fácil pra ninguém.

Esse colóquio todo sobre palavras curtas, símbolos e era digital é, na verdade, um pano de fundo para indagarmos sobre a importância da leitura.

Como atrair os jovens de hoje para ler um livro em um mundo onde sua pressa faz ele rejeitar o uso de palavras “normais”?

Como um jovem que não lê vai escrever bem?

Mais difícil ainda. Como inserir nos jovens a importância da leitura em suas vidas?

Perguntas que, como sociedade, mais cedo ou mais tarde, teremos que responder.

Vamos em frente!

Fábio Guimarães é economista, formado pela UFRRJ com MBA em Gestão de Negócios pelo IBMEC-RJ. Palestrante, consultor e debatedor, atuou por mais de 10 anos como gestor nas áreas de trabalho e renda e desenvolvimento econômico.

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