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Eleição 2020 e a pulverização dos votos!

Os políticos precisam “decantar” as informações com base em dados e entender o recado que a população emitiu nas urnas

Fábio Guimarães - 16/11/2020 18h10

As eleições de 2020 ocorridas ontem demonstraram algumas tendências que precisam ser analisadas com cuidado por cientistas políticos, analistas, e atores que de uma forma geral se interessam pelo dia a dia da democracia em nosso país.

Já li muita coisa nas redes hoje, têm muitos “analistas de redes sociais” já cravando frases como, “Bolsonaro saiu enfraquecido”, “o PT naufragou”, “o Centrão é a nova força do Brasil” e por aí vai…

É cedo para este tipo de avaliação, o Brasil foi às urnas no meio de uma pandemia mundial sem proporções e com significativas mudanças nas regras eleitorais, mudanças estas que, daqui para frente, trarão outro norte as candidaturas, principalmente as proporcionais.

Do ponto de vista da população, ficou evidente o descontentamento popular mensurado na quantidade imensa de abstenção, seja através do voto nulo ou branco, ocorrido na grande maioria dos municípios.

Ainda sem entrar no mérito das candidaturas em si podemos verificar nesta eleição um outro fenômeno que pode ter vindo para ficar, a ”pulverização de votos locais”. O que é isso? Esta eleição foi a primeira na qual os partidos não puderam fazer coligações proporcionais, ou seja, coligações para candidaturas de vereadores, com isso cada partido teve a possibilidade de fazer sua nominata completa, isso inflou o número de postulantes e por consequência, pulverizou os votos. Candidatos foram eleitos com um número de votos bem inferior à média dos votos necessários em pleitos anteriores.

Do ponto de vista da população, ficou evidente o descontentamento popular mensurado na quantidade imensa de abstenção

O sistema partidário plural e inorgânico adotado no Brasil dificulta que mudanças como esta ajudem os eleitores e os candidatos, pois os primeiros têm uma dificuldade ainda maior de conhecer e comparar as mais diversas propostas e pontos de vista e as candidaturas a vereança, que normalmente buscam votos locais, acabam esbarrando em muitos candidatos no mesmo bairro ou região da cidade.

Do ponto de vista do mérito das propostas dois fatores me chamaram muito a atenção, o primeiro é que as demandas locais se sobrepuseram aos chamados “temas nacionais”, nesta eleição não tivemos espaços para proselitismo político-ideológico, parece que o eleitor foi às urnas de forma pragmática, buscando alternativas para seus problemas reais, isso é bom.

O outro aspecto relevante foi que a forma como os mandatários, principalmente os candidatos à reeleição de Prefeituras, lidaram com a pandemia parece ter sido um divisor de águas para os eleitores, cidades onde o Prefeito (a) estava bem avaliado no enfrentamento das demandas da pandemia tiveram resultados satisfatórios para a manutenção do grupo político vigente e o inverso aconteceu com Prefeitos (as) com avaliação insuficiente neste quesito.

Nenhuma eleição é igual a outra, quem conhece e trabalha o processo eleitoral precisa esperar os resultados finais, inclusive do segundo turno que se avizinha, “decantar” as informações com base em dados e não em sentimentos e daí traçar analises que, fundamentadas, vão ajudar a entender o anseio popular espelhado nas urnas.

Vamos em frente!

Fábio Guimarães é economista, formado pela UFRRJ com MBA em Gestão de Negócios pelo IBMEC-RJ. Palestrante, consultor e debatedor, atua há mais de 15 anos como gestor nos poderes Executivo e Legislativo, com ênfase nas áreas de trabalho, renda e desenvolvimento econômico.
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