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Nem Ford, nem Bolsonaro. Como já disseram: ‘É o mercado, estúpido!’

A Ford precisa de um novo Henry Ford. O Brasil precisa administrar essa perda de empregos diretos. Essa é a realidade!

Fábio Guimarães - 13/01/2021 12h14

O título de nossa coluna de hoje no Pleno.News pode parecer um tanto quanto mal-educado, mas vou explicar. Prometo que vai fazer sentido!

A montadora de automóveis Ford anunciou esta semana que vai fechar as portas de suas três fábricas em atividade no Brasil. Serão encerradas as atividades das unidades de Camaçari (BA), Taubaté (SP) e a fábrica da Troller em Horizonte (CE).

A Ford precisa de um novo Henry Ford

Este anúncio pegou muita gente de surpresa. Não deveria, mas aconteceu. A empresa está no Brasil há muito tempo, desde 1919. É uma empresa centenária, que nasceu no bojo de um grande processo inovador de industrialização. Vale relembrar que o processo de fabricação denominado Fordismo até hoje é estudado nas cadeiras escolares dos cursos de administração de empresas e carreiras correlatas.

A empresa hoje possui mais de 6 mil empregados diretos no país, sendo a quinta montadora em número de veículos vendidos com aproximadamente 7% do mercado nacional.

O Fordismo até hoje é estudado nas cadeiras escolares dos cursos de administração de empresas e carreiras correlatas

Jim Farley, presidente e CEO da Ford disse “estamos mudando para um modelo de negócios ágil e enxuto, ao encerrar a produção no Brasil. Vamos também acelerar a disponibilidade dos benefícios trazidos pela conectividade, eletrificação e tecnologias autônomas suprindo, de forma eficaz, a necessidade de veículos ambientalmente mais eficientes e seguros no futuro”.

Muitos políticos e “analistas especialistas de redes sociais” estão cobrando o Presidente Bolsonaro sobre a decisão da empresa norte-americana.

O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, cravou: “O fechamento da Ford é uma demonstração da falta de credibilidade do governo brasileiro, de regras claras, de segurança jurídica e de um sistema tributário racional”.

Bolsonaro devolveu: “Mas o que a Ford quer? Faltou a Ford dizer a verdade, né? Querem subsídios. Vocês querem que eu continue dando R$ 20 bilhões para eles, como fizemos nos últimos anos? Dinheiro de vocês, impostos de vocês, para fabricar carro aqui? Não. Perdeu a concorrência. Lamento”.

Esta guerra nas redes sociais sobre quem é o “pai do filho feio”. Não é referente à informação, e sim à versão. Aliás, quase tudo hoje nas redes sociais refere-se a guerras de versões. Pouca gente está disposta a informar-se, raciocinar e posicionar-se com base em informações verdadeiras. Uma pena!

Vocês querem que eu continue dando R$ 20 bilhões para eles, como fizemos nos últimos anos?

E onde entra frase “é a economia, estúpido” nesta história?

Essa famosa frase foi eternizada pelo estrategista político, James Carville, nas eleições dos EUA, em 1992, no auge da disputa Presidencial entre Bill Clinton e Bush (pai). Na ocasião, os EUA estavam em guerra contra o Iraque, e Clinton queria declarar que era contra a guerra, pois estava vendo nas ruas uma insatisfação popular com a vida em si.

O estrategista afirmou que o americano estava insatisfeito com a grave recessão econômica do país, inclusive pelos gastos da guerra, mas que seria um erro estratégico Clinton focar a impopularidade de Bush (pai) na guerra, o foco, o mote da campanha deveria ser a Economia. Clinton entendeu. O final da história todos nós sabemos. Ele virou presidente dos EUA, e o “é a economia, estúpido”! entrou para a história.

Pouca gente está disposta a informar-se, raciocinar e posicionar-se com base em informações verdadeiras

Vou lhe dizer qual é o problema da Ford. Mas, antes, vou pedir que faça um exercício mental e responda três perguntas para mim.

1 – Se você tem carro próprio, ele é da Ford?

2 – Se você está pensando em trocar de carro, o próximo modelo que tem em mente será um da Ford?

3 – Se você não possui carro, mas sonha em ter um, está trabalhando para isso, ele será um Ford?

Eu lhe garanto que a probabilidade de você ter dito SIM a qualquer uma dessas três perguntas é muito baixa.

Resumindo, a Ford precisa de um novo Henry Ford. O Brasil precisa administrar essa perda de empregos diretos e focar na realocação desta mão de obra.

E a resposta ao problema da Ford pode ser uma adaptação da frase de Carville: “É o mercado estúpido!”.

Vamos em frente!

Fábio Guimarães é economista, formado pela UFRRJ com MBA em Gestão de Negócios pelo IBMEC-RJ. Palestrante, consultor e debatedor, atua há mais de 15 anos como gestor nos poderes Executivo e Legislativo, com ênfase nas áreas de trabalho, renda e desenvolvimento econômico.

* Este texto reflete a opinião do autor e não, necessariamente, a do Pleno.News.

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