Coluna Sérgio du Bocage: Triste futebol carioca

A temporada nem bem começou e as notícias não são boas, mas esse panorama pode mudar

Sergio du Bocage - 10/01/2018 13h39

Paulo César Carpegiani foi anunciado como o novo técnico do Flamengo Foto: Gilvan de Souza / Flamengo

A temporada do futebol começou no Rio. Se não dentro de campo ainda, fora dele não faltam assuntos. O triste é que poucas foram as notícias positivas. Pensando bem, houve alguma?

O que mais chamou a atenção nos últimos dias foi a indefinição sobre a continuidade do colombiano Reinaldo Rueda à frente do comando técnico do Flamengo. De férias, ele viajou e, lá de fora, não pararam de vir notícias de que ele sairia para trabalhar na Seleção do Chile. E o que o clube podia fazer? Para os críticos, o modelo de gestão, implantado pela atual administração, falhou feio em deixar o assunto se estender até o último dia 8. Mas como empregador, o que poderia ser feito? Antecipava a mudança, demitia o técnico e pagava a multa rescisória de mais de um milhão de reais?

O fato é que a saída se confirmou e o Flamengo já até anunciou novo técnico, Paulo César Carpegiani. Se isso vai afetar o trabalho do time, que, aliás, ainda nem se apresentou por inteiro, só vamos saber depois. Talvez atrapalhe alguma negociação. Não sei. Mas o fato serviu para choverem críticas ao departamento de futebol do clube.

Em segundo lugar no ranking de más notícias veio a questão envolvendo o meia Gustavo Scarpa. Com salários, prêmios e FGTS em atraso, entrou na Justiça contra o Fluminense. E agora vai definir, nos tribunais, se segue no clube ou se vai embora, com o Tricolor sequer recebendo qualquer compensação. Tem mais pelas Laranjeiras – vários jogadores liberados, para redução de custos. Entre eles o goleiro Diego Cavalieri, campeão brasileiro, ídolo do torcedor. Demitido pelo telefone.

Na Libertadores, o Vasco vai saber, semana que vem, quem será seu presidente em 2018. Até o momento, a eleição ocorrida em novembro já teve ganhadores se revezando. Depende da ação na Justiça, validando ou não os votos da já famosa urna 7. Se isso não atrapalha o planejamento de um clube… E você tem dúvidas de que a votação no Conselho Deliberativo, que em tese dará um fechamento à eleição de 2017, será arguida nos tribunais? Infelizmente eu não tenho.

Por fim o Botafogo. Que vem de presidente novo e, também, com técnico novo. Uma aposta, que vem das divisões de base. Sem alguns jogadores que se destacaram ano passado, como Roger e Bruno Silva, o time aparenta ser mais fraco que o de 2017. Além disso, ficou sem um lugar para a pré-temporada, sob a alegação dos empresários de que não teriam o retorno devido no investimento. Estamos falando do “Glorioso”.

E assim vem o futebol carioca. Quando a bola rolar, tudo isso aí de cima pode mudar e a temporada poderá ser frutífera. A gente fica na torcida por isso, mas o panorama, lamentavelmente, não é dos melhores.

Sergio du Bocage é carioca e jornalista esportivo desde 1982. Trabalhou no Jornal dos Sports, na TV Manchete e na Rádio Globo. É gerente de programas esportivos da TV Brasil e apresenta o programa “No Mundo da Bola”.