Hora de experiências

Convocação de Tite para amistosos de março anima quem sonha com a renovação da seleção brasileira

Sergio du Bocage - 06/03/2019 11h02

Tite anuncia convocados para a Seleção Brasileira Foto: EFE/ Antonio Lacerda

É bem verdade que tem jogador que não vai estar na Copa do Mundo do Catar, em 2022. Mas, também é verdade que a lista divulgada por Tite, dia 28, para amistosos contra o Panamá e a República Tcheca em março, dá uma refrigerada em um grupo que precisa ser renovado, sem preocupações maiores com conquistas a curto prazo, mas visando o objetivo maior de voltar a ser campeão do mundo.

Surpreende a ausência do zagueiro Dedé, do Cruzeiro, tão elogiado por Tite no fim do ano passado. Da mesma forma, Marcelo, Renato Augusto, Paulinho e William, que estiveram nas últimas convocações. Fernandinho, que mereceu até uma brincadeira do técnico, ficou de fora por estar lesionado, mas pelas palavras de Tite, é nome certo na Copa América – a próxima convocação, em maio, já será para a competição de junho no Brasil.

Sem dúvida, a maior e boa surpresa é a presença de Vinícius Júnior, garoto revelado no Flamengo e que, atualmente, está muito bem no Real Madrid. Já é titular e se tornou o mais jovem jogador convocado para a seleção principal desde 2011, com 18 anos, sete meses e 16 dias. Porém, vale dizer que ele precisa melhorar, e muito, a conclusão a gol. Era um defeito que tinha no Flamengo, e que foi visto no clássico contra o Barcelona, pela Copa do Rei.

Vinícius e Militão, outro garoto de 21 anos, mas que já esteve ano passado na seleção, me parece terem sido chamados para ganhar experiência de grupo, para serem mais observados fora do que dentro de campo. Os dois têm chances, sem dúvida, de estarem na lista da Copa América, mas já com a experiência de uma passagem pelo time principal.

E ainda vieram outras duas novidades – Lucas Paquetá, do Milan, e Felipe Anderson, do West Ham. Há tempo para experiências, se não houver cobranças ou exigências por títulos. Tite assumiu a seleção no meio das eliminatórias para 2018, depois encarou a Copa e só agora, se pensarmos bem, tem tempo para mais observações. Ele é o primeiro a ganhar a chance de seguir num trabalho, mesmo derrotado numa Copa. Que aproveite. E que o torcedor e os críticos, em geral, saibam esperar.

Sergio du Bocage é carioca e jornalista esportivo desde 1982. Trabalhou no Jornal dos Sports, na TV Manchete e na Rádio Globo. É gerente de programas esportivos da TV Brasil e apresenta o programa “No Mundo da Bola”.

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