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Seria esta a pior crise financeira de todos os tempos?

Resposta passa primeiro pela vivência pessoal de cada um

Anderson de Alcantara - 15/04/2020 12h00

Como estamos acompanhando diariamente, as medidas de quarentena instituídas na tentativa de conter o surto do novo Coronavírus causaram o fechamento de grande parte das empresas ao redor do mundo por tempo indeterminado. Analistas preveem que a crise na área de saúde é apenas o início da mazela que será sentida após a retração do mercado, pois esta interrupção forçada nos meios produtivos é a principal diferença entre esta crise e as anteriores.

Como ainda não é possível antecipar a data-fim da pandemia, o FMI já prevê que mais de 170 países fecharão 2020 com queda nos seus respectivos PIBs. Segundo a entidade, a pandemia de coronavírus causará a pior crise econômica mundial desde a “Grande Depressão”, que foi a mais grave dos últimos séculos e que se iniciou em 1929 .

Para o FMI, se o surto desaparecer depois de julho de 2020, permitindo a reabertura da economia, mesmo ao final de 2021 ainda não haverá recuperação total dos indicadores em todos os países. Segundo a entidade, a situação pode piorar e que tudo depende das ações dos políticos. E é nesse ponto que a coisa piora para o Brasil.

Aqui os políticos parecem ter entrado em guerra. Prefeitos entram em atrito com governadores que entram em atrito com o poder executivo que entra em atrito com o poder legislativo e judiciário. Parecem ignorar que a coisa já não estava fácil para nós mesmo antes da pandemia começar: desde o quarto trimestre de 2016 que o Brasil vivia o mais lento ciclo de retomada econômica da história – considerando oito recessões brasileiras desde a década de 1980. Nossa economia estava demorando para reagir, e agora as previsões são ainda mais pessimistas.

Olhando somente para esses aspectos, os pessimistas ganham. Parece que estamos mesmo diante da pior crise econômica de todos os tempos. Mas pode ser que não.

Segundo o FMI, a pandemia de coronavírus causará a pior crise econômica mundial desde a “Grande Depressão”

No cenário global, partindo do ponto de vista da grande crise de 1929 – ocorrida bem no meio de duas grandes guerras mundiais – devemos considerar que a situação do mundo hoje é bem diferente do que naquela época. O sistema financeiro não estava tão estruturado como hoje. Não existiam entidades como o FMI, Bancos Centrais, cooperação e integração internacional do sistema financeiro. Até os fundamentos da economia ainda estavam sendo estudados e desenvolvidos pelos seus autores.

Nos dias de hoje, qualquer pessoa, com um simples computador, pode fazer comércio de produtos e serviços pela internet para pessoas que estão em qualquer lugar do país ou do mundo. As pessoas não precisam mais correr até os bancos para buscar dinheiro físico, pois podem fazer compras, pagar contas, transferir dinheiro para outras pessoas, empresas e até outros países utilizando o computador ou o celular.

Nesse momento existem milhões de pessoas trabalhando em casa, como se estivessem em seus escritórios. Nada disso era possível anteriormente. A internet é uma ferramenta poderosa para realização do comércio, prestação de serviços, realização de transações financeiras, busca de conhecimento e educação. Antes as pessoas não podiam aprender novas profissões ou adquirir conhecimentos que as pudessem fazer ganhar dinheiro com a facilidade que temos hoje. A readaptação das pessoas para uma nova realidade econômica era muito difícil. Não existia acesso fácil, barato e rápido ao conhecimento. Uma vítima da crise de 1929 não poderia acessar um artigo como esse na internet. Não poderia publicar seu currículo na internet ou enviar o mesmo para várias empresas sem sair de casa. Cursos e treinamentos não poderiam ser feitos de forma tão rápida e de graça – como as centenas que listamos aqui recentemente (“Capacitação é lucro” – 31/03/2020 – clique aqui para ler).

É claro que ao final deste período desafiador que todos estamos vivendo, a resposta sobre se terá sido esta a pior crise de todos os tempos passará primeiro pela vivência pessoal de cada um: aqueles que perderam o emprego, tiveram que fechar o seu negócio, ou para aqueles que pela idade nunca viveram algo parecido, esta terá sido a pior experiência de de todas. Por outro lado, como já abordei aqui nas minhas colunas mais recentes (clique aqui para ler) crises são passageiras, vêm de tempos em tempos, geram oportunidades e são mais facilmente passadas por quem respeita os princípios de uma boa administração financeira (tanto em casa como no seu negócio).

Empresas vão fechar, mas outras sairão fortalecidas

Assim como o mundo vivenciou grandes mudanças a partir da grande depressão de 1929 e de duas grandes guerras, devemos ver muitas mudanças nos próximos anos. Empresas vão fechar, mas outras sairão fortalecidas. Novos negócios vão surgir. Todas as crises que tivemos no passado nos ensinaram algo novo, e essa experiência nos ajuda a enfrentar as crises de hoje. Para isso, precisamos estar abertos para buscar novos conhecimentos e nos adaptar.

Lembre-se que a madrugada costuma ser mais fria e escura quando está perto de amanhecer. Isso logo vai passar. Persevere!

Por hoje fico por aqui, lembrando de que, caso você tenha alguma questão ou dúvida relacionada a Finanças Pessoais, pode enviá-la para redacao@plenonews.com.br e eu terei o maior prazer em responder e tentar lhe ajudar.

Forte abraço e até semana que vem. Sucesso e fique em paz!

Anderson de Alcantara é profissional do mercado financeiro há 30 anos, onde atua como como Planejador Pessoal; e é Professor Titular do Ministério Videira – Educação Financeira à luz da Bíblia.
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