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O Coronavírus e o impacto no seu bolso

Ocasiões semelhantes no passado causaram retração às economias - mas com recuperação logo em seguida.

Anderson de Alcantara - 03/03/2020 13h18

Não se fala de outra coisa no momento: o anúncio dos primeiros casos do coronavírus (Covid-19) no Ocidente, com início na Itália e consequente alastramento por diversos países – inclusive o Brasil – bagunçou o mercado financeiro, derrubando as bolsas de valores no mundo inteiro.

Para a nossa economia (que já não andava lá tão boa, com a dificuldade que o Governo Federal tem tido em implementar a agenda de reformas), outro impacto imediato foi logo sentido através da cotação do dólar: ele já havia batido a casa dos quatro reais, e agora chega perto dos cinco.

Fora do mercado financeiro, a economia do Brasil também pode sofrer alguns baques, como o setor de turismo, devido à diminuição de viagens internacionais

A nível global, as próximas semanas serão cruciais para gestores avaliarem melhor os riscos do mercado como um todo. Historicamente, ao sinal de uma crise mundial, a tendência é que os operadores internacionais se desfaçam do que consideram investimentos de maior risco e compram investimentos mais seguros. Nesse sentido, o dólar costuma se valorizar em relação a todas as moedas e não somente em relação ao real. O dólar ainda deve subir um pouco mais e alguns papéis irão se desvalorizar. Para quem atua no mercado, a queda pode ser uma boa oportunidade de compra, para aguardar uma revalorização. Mas tudo vai depender da resposta dos governos, e também do comportamento do vírus nas próximas semanas.

Fora do mercado financeiro, a economia do Brasil também pode sofrer alguns baques, como o setor de turismo, devido à diminuição de viagens internacionais. E como a China é um grande produtor industrial, a diminuição de sua atividade econômica não é notícia boa para ninguém – muito menos para o Brasil. Exportamos muitos alimentos para a China, e importamos muita farinha de trigo e aço. Com a paralisação da atividade industrial em diversas cidades chinesas, como medida de contenção da disseminação do vírus, os negócios podem ser afetados – e os preços subirem.

Além disso, as pessoas devem diminuir as saídas aos restaurantes, parques, shows e eventos em geral; assim, tendem a gastar menos, gerando menos vendas no comércio. Uma parte dessa queda pode ser recuperada em um outro momento, no dia das mães, daqui a dois meses, por exemplo; dependendo da evolução do quadro.

Em termos percentuais, analistas estimam que – a depender da duração da epidemia – o impacto pode engolir até meio ponto percentual da perspectiva de crescimento brasileiro em 2020.

Epidemias anteriores

Apesar do quadro requerer cautela, as experiências anteriores mostram que a economia global se recupera rapidamente de eventos como esse.

No seu relatório de mercado de 21/01/2020, a agência norte-americana Charles Schwab marcou na escala de evolução do índice MSCI World Index (que busca refletir o crescimento ponderado das bolsas de valores do mundo, ano a ano) as principais epidemias dos últimos 50 anos. A linha azul mostra a evolução do índice, e os pontos pretos, as ocorrências de epidemias globais:

Epidemias mundiais e desempenho do mercado de ações global

Logo, se a propagação do vírus Covid-19 seguir um padrão semelhante aos rastreados no passado pela Organização Mundial da Saúde, o número de casos confirmados aumentará acentuadamente por oito a dez semanas, então a taxa de infecção provavelmente começará a diminuir a partir de maio. As viagens retornarão ao normal, juntamente com os gastos dos consumidores, com uma recuperação econômica no segundo trimestre semelhante à linha do tempo para o SARS em 2003.

No mais, é sempre bom lembrar que devemos trocar o pânico pela profilaxia. No Brasil, ainda é muito mais provável contrairmos dengue, pneumonia, gripes comuns, e agora até sarampo – infelizmente, de volta. Cuide da prevenção básica da sua saúde e da sua família. O Ministério da Saúde criou uma página em seu site só para esclarecer à população quanto a essa questão do novo vírus:

https://www.saude.gov.br/saude-de-a-z/coronavirus

E CUIDADO COM AS FAKE NEWS ! Acreditar e espalhar bobagens pode ser tão perigoso quando disseminar o próprio vírus.

Por hoje fico aqui, lembrando que, caso você tenha alguma questão ou dúvida relacionada a Finanças Pessoais, pode enviá-la para redacao@plenonews.com.br e eu terei o maior prazer em responder e tentar lhe ajudar.

Forte abraço e até semana que vem. Sucesso e fique em paz!

Anderson de Alcantara é profissional do mercado financeiro há 30 anos, onde atua como como Planejador Pessoal; e é Professor Titular do Ministério Videira – Educação Financeira à luz da Bíblia.
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