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Chilenos escolhem presidente hoje, em eleição polarizada

Candidatos de esquerda e direita se enfrentam nas urnas

Pleno.News - 19/12/2021 12h43 | atualizado em 19/12/2021 14h35

eleições Chile - Gabriel Boric, de esquerda, e José Antonio Kast,
Gabriel Boric e José Antonio Kast Foto: EFE/ Elvis González /POOL

Milhões de chilenos vão às urnas neste domingo (19), para escolher o novo mandatário do país. Na disputa, estão os candidatos Gabriel Boric, de esquerda, e José Antonio Kast, representante da direita. Estas eleições são consideradas as mais polarizadas desde o retorno do país à democracia, em 1988.

Pesquisas de opinião dão vitória a Boric, mas divergem na vantagem, que pode ir de 5 a 14 pontos. Especialistas afirmam, no entanto, que as perspectivas são muito incertas e que o resultado será definido voto a voto, levando em conta a estreita margem entre os dois candidatos no primeiro turno: 2 pontos percentuais.

Boric, um deputado de 35 anos – a idade mínima para se candidatar – , vinculado aos protestos massivos de 2019, defende um Estado de bem-estar com atenção especial às pautas feminista, ambientalista e regionalista. Kast, um advogado católico de 55 anos, defende a redução do Estado e dos impostos, o combate à migração irregular e se posiciona contrariamente ao casamento gay e ao aborto.

Com os dois candidatos trazendo propostas mais drásticas do que as dos grandes blocos de centro-direita e centro-esquerda que dividem o poder no país há três décadas, o próximo presidente será o mais esquerdista desde Salvador Allende (1970-1973) ou o mais direitista desde Augusto Pinochet.

ELEITORES
O estudante de serviço social Claudio Mauricio Rivera Retamal, de 29 anos, dará seu voto a José Antonio Kast.

– Creio que ele vai fortalecer a segurança pública, dar mais ferramentas à polícia, e ativar a economia por meio da paz e da tranquilidade – afirma.

Crítico dos estallidos sociales, como ficaram conhecidos os protestos massivos de 2019, Claudio defende os Carabineros – uma polícia específica do Chile – o que o leva a temer um futuro governo de Boric.

– Tenho medo que ele vença, porque neste cenário a polícia não vai ter o mesmo apoio, e eu quero que as pessoas possam viver tranquilas, andar tranquilas pelas ruas – afirma.

O comerciante Marcelo Castillo, por outro lado, defende que Boric é o único candidato capaz de trazer paz ao país.

– A origem da violência e da situação em que estamos é a desigualdade. O modelo econômico chileno tem gerado sobretudo desigualdade. Muitas pessoas estão sendo segregadas da educação, do trabalho, da saúde. São essencialmente jovens, e foram eles que saíram às ruas para os estallidos sociais. Se quero que minha empresa continue funcionando, preciso que esses jovens tenham oportunidades de educação, saúde e trabalho.

ABSTENÇÃO
Embora mais de 2.500 centros de votação estejam abertos e 15 milhões de chilenos estejam aptos a votar, espera-se uma alta abstenção nestas eleições. A baixa participação é uma tradição no país desde 2012, quando houve uma mudança no sistema eleitoral – de inscrição voluntária e voto obrigatório a inscrição automática e voto voluntário.

Se em 1989, por exemplo, 92,4% dos chilenos foram às urnas no primeiro turno da eleição presidencial, em 2013 a taxa de participação ficou em 49,3%. Nem mesmo os protestos de 2019 e o processo da nova Constituinte foram capazes de mudar o cenário.

De acordo com a pesquisa mais recente da AtlasIntel, realizada entre os dias 1 e 4 de dezembro, 20% dos eleitores estão indecisos ou devem votar em branco ou nulo no segundo turno das eleições.

A votação será encerrada às 18h (horário local, também 18h no Brasil). Os resultados preliminares são esperados algumas horas depois. Quem vencer deverá encontrar muitos desafios pela frente. O próximo presidente, que assumirá em março de 2022, precisará lidar com a recuperação econômica pós-pandemia, a inflação e a implementação das regras da nova Constituição chilena, que começou a ser elaborada este ano e pode entrar em vigor em 2022.

*AE

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