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Contra cloroquina, CNS sugere florais para tratar a Covid-19

Parte da comunidade científica discorda da recomendação do Conselho Nacional de Saúde

Rafael Ramos - 30/05/2020 10h26

Florais e acupuntura são indicados pelo CNS para tratamento da Covid-19 Foto: Reprodução

Contrário ao uso da hidroxicloroquina em casos leves do coronavírus, o Conselho Nacional de Saúde (CNS) aprovou o uso da homeopatia, acupuntura, fitoterapia, florais e reikei no tratamento do coronavírus. A recomendação é válida para que gestores públicos usem e divulguem tais práticas classificadas como integrativas e complementares.

Da mesma forma que o CNS recomendou ao Ministério da Saúde que suspendesse o uso da hidroxicloroquina alegando falta de evidência científica, parte da comunidade científica afirma que métodos alternativos de tratamento não possuem embasamento científico sólido.

É o que pensa o infectologista e professor da USP, Esper Kallás. Ele defende que o mesmo critério para não recomendar o uso de hidroxicloroquina deveria nortear a decisão para a prática de medicina integrativa.

– Há necessidade de demonstração científica clara de benefício. O investimento em saúde deve se pautar em evidências científicas – disse Kallás.

O uso das práticas alternativas tem apoio da Fundação Oswaldo Cru (Fiocruz) e da Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco). De acordo com a coleção Cuidado Integral na Covid-19, diferentes práticas integrativas teriam tido sucesso em cenários similares de sofrimento aos vistos nesta pandemia. A primeira publicação defende a terapia floral como “uma prática reconhecida pela Organização Mundial de Saúde há 70 anos, com resultados evidentes no autocuidado, equilíbrio mental e emocional”.

Já o médico e advogado sanitarista e pesquisador do núcleo de pesquisa em direito sanitário da USP, Daniel Dourado, afirma que essas práticas gastam o dinheiro de um SUS que já está completamente quebrado.

– Não faz sentido as diferentes recomendações. Parece que tem uma preocupação do CNS que não é bem a evidência científica. É mais uma questão de posicionamento político. E também é muito preocupante se o paciente abandonar tratamentos convencionais para aderir a essas práticas.

O Conselho Nacional de Saúde diz que se apoia em evidências cientificas sobre o uso da homeopatia, florais e outros meios de terapia alternativa. Usando um texto do Consórcio Acadêmico Brasileiro de Saúde Integrativa (Cabsin), o CNS destaca que “lacunas de evidências permanecem sobre as metodologias utilizadas pelas revisões e estudos clínicos incluídos”.

Conselheira e coordenadora de comissão de práticas integrativas do CNS, Simone Leite diz que vários municípios brasileiros estão aprovando leis para garantir a oferta dessas práticas à população.

– No Ceará, onde há anos estão implantados a fitoterapia, o reiki, diminuiu em 40% o uso de psicotrópicos com o uso das práticas integrativas. Você é diabético, pode tomar um chá, e isso pode diminuir a quantidade de medicamento que você usa.

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