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Coronavírus e os perigos emocionais

Números de depressão e suicídio tendem a aumentar com isolamento social e com pânico gerado pelas mídias

Marisa Lobo - 04/04/2020 08h00

 

Como psicóloga, tenho esta preocupação: não podemos separar o ser humano da sua mente (corpo, mente, espírito e social), pois são dimensões que estão intimamente relacionadas e requerem cuidados e promoção do equilíbrio. O ser humano é um ser social-relacional. Nascemos para interagir uns com os outros, sejam amigos, familiares. E, como todo animal, não nascemos para ficar aprisionados. Quando isso acontece de forma abrupta, ainda associada a uma pandemia, por exemplo, causa danos à nossa psiquê. Precisamos, após o trauma, repensar ações para aliviar dores emocionais que podem ser uma tragédia anunciada, precisamos, em tempos de pandemia, aprender a conviver com o vírus, sem pânico, sem radicalismo, mas com muita educação, prevenção de todos os cuidados higiênicos.

Os governos precisam entender que apesar da pandemia explícita do coronavírus, há uma outra epidemia silenciosa, que é entendida pela Organização Mundial de Saúde (OMS) como o “mal do século”, que é a depressão e as ideações suicidas. Estima-se que, atualmente, 322 milhões de pessoas no mundo tenham depressão. No Brasil, os números são alarmantes. Dados da OMS mostram que taxas de suicídio foram 7% maiores no Brasil em 2016, último ano da pesquisa, do que em 2010. A cada 100 mil habitantes, aumentou 7% no Brasil, ao contrário do índice mundial, que caiu 9,8%, alerta a OMS.

Embora os números mundiais estejam em queda, os índices ainda são alarmantes: cerca de 800 mil pessoas acabam com suas vidas todos os anos no mundo, o que equivale a uma morte a cada 40 segundos. Todo suicídio é uma tragédia e sua causa é um mistério. Suicídio é resultado de um profundo sentimento de desesperança e a inabilidade de ver soluções para problemas ou de lidar com circunstâncias desafiadoras da vida. Potenciais suicidas podem se ver tirando a própria vida como a única solução possível.

É grave, e como psicóloga, temo que esses números aumentem ainda mais em decorrência do terror causado pelo coronavírus. E e as mídias, infelizmente, têm ajudado a aumentar este terror, gerando pânico. A ansiedade e o estresse têm aumentado, e podem precipitar a depressão em pessoas com pré-disposição. Temos que falar sobre isso a fim de tentar adotar medidas, protocolos, ações para minimizar estes riscos. Pessoas que já têm esses transtornos mentais, pressionadas pelo isolamento social imposto podem precipitar depressão e ideações suicidas.

O isolamento social sempre foi uma grande preocupação da psicologia. Temos que falar sobre isso sem tabu, sem preconceito ou estaremos condenando, principalmente, os jovens à uma epidemia ainda maior. O governo tem que colocar na balança a lei do menor prejuízo, eu entendo. Mas não pode deixar de considerar que o isolamento total é bom para conter o vírus, mas também é uma catástrofe para precipitar mortes e doenças mentais, se não for programado, organizado, sem radicalismo.

O ser humano não sabe lidar com o desconhecido. O medo existente, se potencializado por sensacionalismo midiático, pode causar um desastre emocional. A saúde mental também tem que fazer parte da força tarefa contra o coronavírus.

O fator econômico é essencial, pois o medo de não ter o que comer, não poder pagar as contas, o medo de falência, são causas de suicídio e depressão em todo mundo. “Um pai terá que decidir entre pegar a doença e a família dele passar fome”. Neste sentido, trago à tona essas questões, pois são sérias e devem ser observadas.

Ninguém está pensando nessas pessoas que já têm esse diagnóstico de algum transtorno mental e não podem suportar tamanha pressão de isolamento total. Fora as milhares que nem sabiam e após este isolamento total vão disparar este gatilho da doença psíquica. Clamo ao ministro da Saúde, da Economia, ao Presidente, governadores e parlamentares, que se preocupem e adotem medidas sérias, pois o remédio pode se tornar maior do que a doença.

E para a mídia, imploro que parem de aterrorizar a nação brasileira e que falem com preocupação, mas também com esperança e otimismo. Temos que mostrar os avanços da medicina, as ações e os esforços do governo. E não promover conflitos ideológicos e políticos, pois essa mídia, quando a serviço somente da audiência, promove doença mental na população, com a alienação psicológica, fazendo com que, através do terror psicológico, os mais vulneráveis psicologicamente ,fiquem reféns dessa subversão midiática.

Marisa Lobo possui graduação em Psicologia, é pós-graduada em Filosofia de Direitos Humanos e em Saúde Mental e tem habilitação para Magistério Superior.

 

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