Pr. Lucas critica Felipe Neto: “Quer ganhar popularidade”

Em entrevista exclusiva, o cantor também se mostrou satisfeito com o novo governo

Ana Luiza Menezes - 07/10/2019 17h07

Autor de canções de sucessos também gravadas por outros artistas, Pr. Lucas é um artista cristão reconhecido pelo talento e inovação. Ele já foi indicado ao Grammy Latino e tem muita história para contar sobre a sua trajetória de fé.

Pleno.News Entrevista
Pr. Lucas
por Pleno.News - 07/10/2019

Em entrevista exclusiva ao Pleno.News, Pr. Lucas falou sobre o desafio de criar os filhos nos dias de hoje e criticou o youtuber Felipe Neto, o qual chamou de incoerente. O cantor também comentou o início do governo do presidente Jair Bolsonaro e se mostrou satisfeito com os primeiros meses. Confira abaixo o que ele contou para a nossa reportagem. Para ouvir as respostas completas, assista ao vídeo.

Como está sendo o ano de 2019?
Está sendo um ano abençoado, de coisas novas. Eu lancei um single novo, que foi O Escritor, e está vindo um EP novo. Lançamos Pintor do Mundo Kids, As Aventuras de Luke. Então, tem sido um tempo de muitas surpresas, um ano de muita gratidão ao Senhor por tudo o que Ele está fazendo. E também não deixa de ter os nossos gigantes, as lutas, mas faz parte porque sem elas a gente não é quem é.

E a agenda, muitas viagens?
Bastante. Eu vou fazer uma turnê de 20 dias pela Europa, pela segunda vez. Estou muito impactado com o que Deus tem proporcionado. Eu reconheço que é a mão do Senhor. Eu não poderia estar vivendo tudo isso se Deus não tivesse trabalhado em todo esse projeto. No Brasil, Deus também tem me dado graça diante dos pastores, das igrejas, da juventude e até diante das crianças. Tenho feito alguns projetos em congressos de crianças e estou muito feliz.

Como conciliar o tempo com a família?
Eu não costumo fazer loucuras. Família é realmente uma base importante, então sempre procuro voltar para casa. Eu vim, por exemplo, gravei, mas pego o próximo horário de voo que tiver e volto. Qualquer tempo perto deles é muito importante. E a minha crise, na verdade, não é estar ou não [em casa], mas quando eu estou, preciso não perder a função de pai. Porque, muitas vezes, a gente quer recompensar a ausência, mas esse tempo junto não pode virar só uma recompensa e eu perder a função de pai, que é corrigir e impor limites. Eu tento sempre me posicionar pensando no futuro. E sempre que posso também levo para as minhas viagens.

Pr. Lucas, a esposa e o filho Foto: Pleno.News

Sempre soube que tinha um chamado para a área da música?
Eu sempre fui envolvido com a Igreja. A música surgiu na pré-adolescência. Eu sempre conto que fui a um show do Mattos Nascimento, na cidade de Limeira, e naquele dia que assisti, falei: “É isso que eu quero ser”. E comecei a me arriscar, cantando na igreja, que é uma escola extraordinária para quem quer crescer no Evangelho como pregador, cantor. Na minha adolescência tive esse pensamento de talvez ser um cantor profissional, mas depois isso saiu do meu coração. Eu estava na igreja servindo e comecei a entrar no universo de composições. Eu escrevia [músicas] para os congressos de jovens da minha igreja e quando tinha eventos especiais. Um dia aquelas músicas começaram a sair das paredes da igreja e uma chegou ao Regis Danese.

Como foi isso?
O Regis foi o primeiro cantor famoso a gravar uma música minha em 2011, que foi a canção Tu Podes. A partir dali foi uma revolução e um dia, na MK Music, estava tendo uma audição de um disco para a Aline Barros e uma canção apresentada era minha, com a minha voz. A dona Yvelise de Oliveira, presidente da gravadora, teve um toque de Deus e disse: “Eu preciso gravar esse menino”. Ela me ligou e Deus me surpreendeu com esse convite.

Quais músicas você compôs e o público conhece nas voz de outros cantores?
Além de Tu Podes, na voz do Regis Danese, tem a canção Profetizo, também na voz dele. Aline Barros gravou Casa do Pai, Depois da Cruz, Eternidade e Amém. Tem também Sr. Antônimo e Desafio Abla Blu Blu, do projeto infantil dela. Na voz de Jairo Bonfim, a música Passarinho. Com o Geraldo Guimarães, Fogo Que Consome. Com o Quatro Por Um, Deixa o Céu Descer. Com Cassiane, Oração de Verdade. E existem muitas outras. Atualmente, estou com quase 300 obras editadas e gravadas.

Você teve músicas que foram para a trilha sonora de produções como a novela Jesus, que apresentou Deus de Detalhes, e o filme Nada a Perder, com a faixa Marcas da Vida. Como se sentiu?
A gente não sabe explicar como se sente. São surpresas que vêm. Quando a música tocou na novela, recebi várias mensagens no WhatsApp e então fiquei sabendo. Foi muito bacana. Já quanto ao filme, foi uma grata surpresa porque, imagina, o bispo Edir Macedo é muito conhecido no mundo inteiro e a música embalou o primeiro filme da biografia dele. Tem um peso muito grande.

Pr. Lucas gravando o clipe de Marcas da Vida Foto: Pleno.News

Qual é o seu maior sonho?
Eu tenho um desejo de poder fazer algo para revolucionar, não sei se para crianças ou adolescentes, mas tenho muita vontade de não só cantar para eles. Quero poder gerar algum tipo de transformação na identidade dessa geração. Esse é um desejo que eu tenho e não sei como vai acontecer. Com a música, entendo que pessoas se inspiram no que canto, desistem de suicídio com o que canto. Mas eu queria mover uma geração inteira, fazer parte de uma história de avivamento. Estou aguardando no Senhor para entender como e onde isso vai se proceder.

Eu queria mover uma geração, fazer parte de uma história de avivamento

Recentemente, você se posicionou contra o youtuber Felipe Neto. Fale um pouco sobre isso.
Foi no episódio em que o Felipe Neto comprou mais de 14 mil revistas para distribuir apenas porque o prefeito Marcelo Crivella teve uma atitude, concordo que sem embasamento legal, em relação a retirada de livros. Mas também, era um conteúdo que deveria estar censurado de alguma maneira, em uma prateleira especial ou embalado de uma forma diferente, principalmente porque a HQ tinha em seu título A Cruzada das Crianças.

Respeito quem tem essa opção sexual e convido com pessoas que têm. Todo adulto pode escolher o que quer ser. O que a gente “bate na tecla” é que, de alguma maneira, a gente precisa influenciar crianças naquilo que durante milênios se estabelece no processo comum. Eu não gosto de tratar a homossexualidade como uma anomalia. É preciso contextualizar. O beijo de selinho entre pai e mãe é comum de as crianças verem, mas o que não é o padrão é o pai e o pai ou a mãe e a mãe. A gente não quer impedir ninguém de ter essa escolha, mas como a gente entende que não é parte de um padrão familiar, visto que todas as gerações são fruto de semente entre um homem e uma mulher. Então não dá para influenciar uma criança.

Os youtubers e influencers precisam ter bom senso

Além disso, o próprio Felipe Neto, há algum tempo, questionou o erotismo da MC Melody, então achei [a defesa da HQ] muita incoerência. Eu sinto que ele pega qualquer tema e quer ganhar popularidade. Se ele queria comprar 14 mil livros porque não fez uma boa ação distribuindo algum tipo de livro que fosse ajudar na questão da cultura e não na questão de uma causa própria? Eu não saio distribuindo livros sobre heterossexualidade. Preciso pensar num senso comum. Meu posicionamento é para que a gente tenha mais bom senso, dos dois lados. Ninguém precisa tratar a homossexualidade como um monstro de sete cabeças, mas quem faz essa opção não precisa olhar para a família padrão e querer inverter esse valor. Os youtubers e influencers precisam ter bom senso, principalmente em relação a crianças. Eu tentei falar com todo o cuidado. Não tenho nada contra o Felipe, só questionei que ele precisa ser coerente com a posição dele.

Como é educar um filho nos dias de hoje?
É maluco, é doido. Você está brigando com tudo o tempo inteiro. Você briga com a TV, internet, jogos, youtuber. As crianças, de um modo geral, têm esse contexto de viver dentro do digital. Elas não sabem o que é carrinho de rolimã, correr na rua, pois já nasceram num tempo de muita violência, com as famílias trancadas. De vez em quando a gente se torna um “terrorista” dentro de casa por falar que o filho está proibido de mexer no celular durante a semana. Você vê a criança não conseguindo criar uma vida fora desse ambiente digital. Eu tenho medo do que vai acontecer com essa próxima geração, uma vez que na minha eu já vejo uma desconstrução muito grande pela ausência dos pais.

Isso pode prejudicar a criatividade?
Com certeza! Meu filho quando era pequenininho estava aprendendo outra língua e mostrava uma inteligência enorme. Quando ele acessou esse universo de internet, isso mudou. As pessoas buscam por entretenimento. Ele tem preguiça de digitar e pergunta no microfone. Quando ele digita, coloca abreviado. Então eu pego uma redação dele está cheio de vermelho, a facilidade nos deixa preguiçosos. Parece que tem uma geleia na cabeça dessa geração, o que eles gostam de ver é gente tomando banho de Nutella, gente mexendo com slime. Não sei o que vai acontecer com essa geração.

O que pensa sobre esse início de governo Bolsonaro?
Eu não quero usar os jargões, mas apoiei o governo por muitas razões. Eu tinha consciência de que a agenda era muito mais moral do que econômica. Acredito que a gente vai conseguir ver alguns resultados daqui a alguns anos. Vivemos uma desconstrução por quase 20 anos e não podemos esperar que, em seis meses de governo tenha uma ruptura com 20 anos de história. Mas sinto, a cada nova ação, que ele [o presidente] não está recuando naquilo que falou [durante a campanha eleitoral]. Já seria de boa valia ter um governo que não rouba e que trabalha pelo crescimento do país. Acho também muito interessante a pauta da reforma da Previdência, decidida no começo desse governo. Não sou perito em política, mas pelo que vejo consigo avaliar que estamos num progresso. A agenda familiar e moral foi a razão principal pela qual eu votei no Bolsonaro, mas sei que também existe uma agenda econômica acontecendo. Sinto que a gente está no caminho certo. Ele é um homem comum, dotado de defeitos e falhas, mas comparado a alguns governos anteriores, eu me sinto muito grato por aquilo que está acontecendo no país.

Como falou, ao contar sobre seus sonhos, você já lançou materiais para crianças. Conte um pouco mais sobre como surgiu essa ideia.
Eu lancei As Aventuras de Luke, que é um livro que dá abertura para muita coisa. O primeiro livro foi uma experiência. Já tenho o segundo previamente pronto. Quero muito continuar. Não estou preocupado em fazer pensando no retorno [financeiro], no sucesso. Mas chegar à mão de cada criança, é importante. Eu sonho em, no futuro, trazer mais o meu pastorado, fazer algo a partir de uma igreja local. Também já pensei em animes e desenhos. Onde eu vou, as crianças se aproximam sem que eu precise usar uma roupa colorida ou uma fantasia e penso que é bom um pastor inspirar. Talvez isso traga para a próxima geração mais pastores.

Eu tenho a impressão que essa geração de jovens, a gente já não consegue fazer muita coisa

Pode adiantar algo?
Quero desenvolver um material por meio do qual eu possa me comunicar e ensiná-los. Quero algo não só pedagógico, mas para trazer as crianças para mais perto de Jesus. Eu tenho a impressão que essa geração de jovens, a gente já não consegue fazer muita coisa. Talvez a nossa solução seja investir na próxima geração, que são as crianças de hoje. É a minha leitura. Eu tenho entrado nos eventos de jovens e sinto que até a adoração é deturpada. Eu vejo os cultos tristes, eles querem uma vibe espacial como se eles quisessem se desconectar dessa realidade. Os cultos são tristes, tudo apagado, a galera com a cabeça pra baixo, não se vê mais celebração. Não se vê mais os jovens alegres, as mensagens cada vez mais não confrontam essa geração. Eu acredito que a nossa esperança seja na próxima geração. Vamos esperar.

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