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Política e Algoritmo: Conheça as polêmicas ligadas ao YouTube

Plataforma que começou modesta hoje gera polêmica quanto à censura de canais

Pierre Borges - 09/03/2021 16h01 | atualizado em 09/03/2021 16h27

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O algoritmo tem o poder de dar ou tirar a visibilidade de determinados conteúdos Foto: Flickr

No dia 14 de fevereiro de 2005, três amigos registravam o domínio youtube.com, com o objetivo de facilitar o acesso a vídeos na internet. Chad Hurley, Steve Chen e Jawed Karim se conheceram quando trabalhavam no PayPal e decidiram criar a plataforma de vídeos quando saíram da empresa, que foi comprada pelo eBay.

A princípio, eles pensavam que a plataforma serviria apenas para a publicação de vídeos caseiros que as pessoas enviariam para seus amigos e parentes mais próximos. Por exemplo, com 18 segundos de duração, o primeiro vídeo publicado na plataforma é apenas Jawed Karim num zoológico dizendo que os elefantes tem trombas grandes e que isso é legal.

Entretanto, a empresa cresceu rapidamente e, no fim do primeiro ano, já contava com 2 milhões de visualizações por dia. A nova plataforma de vídeos foi comprada pelo Google em 2006 por 1,65 bilhão de dólares, mantendo a equipe original do site.

Veja o primeiro vídeo publicado no YouTube:

Desde 2014, a CEO da empresa é Susan Wojcicki, uma executiva norte-americana famosa por ser a dona da garagem onde funcionou o primeiro escritório do Google. Quando Susan assumiu o cargo, as discussões em torno das decisões administrativas da plataforma estavam começando e foram crescendo gradativamente.

MUDANÇAS DE ALGORITMO

Os algoritmos são critérios usados por plataformas digitais para direcionar o que será exibido aos seus usuários, o que significa que eles têm o poder de dar ou tirar a visibilidade de determinados conteúdos.

Em 2012, por exemplo, houve a primeira mudança de algoritmo do YouTube, que passou a privilegiar os vídeos com mais tempo assistidos, em vez de vídeos com maior número de visualizações. A mudança foi responsável pela ascensão de vídeos de jogos, como o Minecraft, que até hoje são feitos por canais como Felipe Neto, por exemplo.

Desde então, o algoritmo da plataforma foi mudado várias vezes. Mas o site foi se tornando cada vez menos transparente nessas mudanças. Em 2019, por exemplo, uma mudança no algoritmo fez alguns canais de conteúdo infantil perderem até 98% de tráfego de canal em apenas três dias.

As mudanças nas políticas da plataforma também geram discussões e possuem ainda mais poder do que os algoritmos

Um produtor de conteúdo britânico perdeu 80% das visualizações após as mudanças e chegou a mandar um e-mail para a plataforma, que apenas respondeu dizendo que uma mudança nos “sistemas de descoberta” tinha sido implementada, mas não deu detalhes sobre a alteração. O e-mail encerrava dizendo apenas que “depois de investigações, não encontramos problemas em seu canal” e que “tudo está funcionando como pretendido.”

POLÍTICA DE CONTEÚDO
As mudanças nas políticas da plataforma também geram discussões e possuem ainda mais poder do que os algoritmos. Isso porque, enquanto o algoritmo influencia a visibilidade do vídeo, as políticas de conteúdo podem simplesmente retirar um vídeo do ar, como aconteceu com os canais do Terça Livre.

YouTube foi obrigado a devolver o canal do Terça Livre
YouTube foi obrigado a devolver os canais Terça Livre TV e Terça Livre Live Foto: Reprodução

Em 2019, quando adotou políticas contrárias ao “discurso de ódio” e a “práticas perigosas”, mais de 100 milhões de vídeos e 17 mil canais foram eliminados da plataforma num período de três meses. Na ocasião, a plataforma afirmou que vídeos que violem 80% ou mais das políticas de conteúdo estavam sendo excluídos.

Enquanto o algoritmo influencia a visibilidade do vídeo, as políticas de conteúdo podem simplesmente retirar um vídeo do ar

Uma outra forma usada pelo YouTube para controlar o conteúdo publicado em seu domínio é a desmonetização do vídeo ou a exclusão do canal do programa de parceria, ferramenta utilizada para que os canais recebam dinheiro pelo conteúdo publicado.

Esta receita vem da publicidade que o YouTube veicula nos vídeos. Entretanto, em novembro de 2020, os termos de serviço do site foram atualizados para permitir que essa publicidade também ocorra em canais menores, sem repassar, no entanto, nenhuma porcentagem do valor para os donos do canal.

O termo, que deve entrar em vigor em 2021, diz ao usuário: “Você concede ao YouTube o direito de monetizar seu Conteúdo no Serviço (e tal monetização pode incluir a exibição de anúncios no Conteúdo ou dentro dele, ou a cobrança de uma taxa de acesso dos usuários). Este Acordo não dá direito a nenhum pagamento.

A partir de 18 de novembro de 2020, quaisquer pagamentos que você possa ter direito a receber do YouTube, sob qualquer outro contrato entre você e o YouTube (incluindo, por exemplo, pagamentos no âmbito do Programa de parceria do YouTube, Clubes do canal ou Super Chat), serão tratados como royalties. Se exigido por lei, o Google reterá os impostos de tais pagamentos.”

A atualização ainda possui uma brecha que permite que o YouTube mantenha os anúncios nos vídeos de canais removidos do programa de parceria, retendo para si toda a receita financeira gerada pelo canal.

Além do Terça Livre, outros canais têm tido problemas com as políticas da plataforma. O canal Hipócritas, conhecido como “o Porta dos Fundos conservador”, por exemplo, foi advertido e teve um vídeo removido sob a justificativa de “Bullying”, ao satirizar a atriz Maria Flor, que criticou o presidente Jair Bolsonaro pela falta do Carnaval em 2021.

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