Meta enfrenta julgamento nos EUA sobre riscos para crianças
Julgamento começou nesta terça-feira em um tribunal federal da Califórnia
Pleno.News - 19/08/2026 15h06 | atualizado em 19/08/2026 16h32

A Meta está novamente em julgamento devido aos perigos que suas plataformas podem representar para crianças, apesar de a big tech argumentar que trabalha incansavelmente para mantê-las seguras. O julgamento, crucial para a controladora do Instagram e do Facebook, começou nesta terça-feira (18), em um tribunal federal da Califórnia, nos Estados Unidos.
O caso em questão envolve quatro estados que buscam bilhões de dólares em danos e mudanças fundamentais na operação das plataformas da companhia. Um júri decidirá se os procuradores-gerais dos estados provaram que a gigante tecnológica projetou seus aplicativos para “viciar os usuários, mantê-los o máximo possível, coletar seus dados e esconder a verdade do público”.
Califórnia, Colorado, Kentucky e Nova Jérsei estão entre os 29 estados que processaram a gigante tecnológica em 2023 por segurança e privacidade infantil – os outros 25 irão a julgamento posteriormente. A empresa também enfrenta processos em tribunais estaduais, incluindo um em andamento no Tennessee.
A ação acusa a Meta de contribuir para a crise de saúde mental juvenil ao projetar deliberadamente recursos que viciam crianças em suas plataformas e ocultar esses danos do público. Também argumenta que a Meta coleta rotineiramente dados de crianças menores de 13 anos sem o consentimento dos pais, violando a lei federal. A Meta, por sua vez, defendeu seu histórico de segurança.
Os estados argumentam que a Meta explorou pesquisas sobre desenvolvimento infantil, incluindo fatos como crianças estarem “constantemente buscando recompensas” e sensíveis ao feedback social, enquanto ainda estão desenvolvendo sua capacidade de controlar impulsos como os adultos.
O advogado da Meta, Paul Schmidt, destacou o trabalho da empresa em segurança, afirmando que, embora crianças menores de 13 anos não devam estar em seus aplicativos, algumas mentem sobre suas idades; que alguns adolescentes têm dificuldade em gerenciar seu tempo; e que algumas pessoas postam “conteúdo negativo” no Facebook e Instagram.
O julgamento, supervisionado pela juíza distrital dos EUA Yvonne Gonzalez Rogers, deve durar seis semanas, com depoimentos do CEO da Meta, Mark Zuckerberg, e outros executivos e ex-funcionários. Se a Meta perder, o tribunal terá ampla discrição sobre o tamanho de qualquer penalidade financeira.
A Meta afirmou que, se perder, o caso poderia deixá-la responsável por danos de até 1,4 trilhão de dólares (R$ 7,24 trilhões na cotação atual), mas especialistas jurídicos dizem que qualquer valor próximo a isso seria improvável.
*AE
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