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País europeu pede que celulares da Xiaomi deixem de ser usados

Governo da Lituânia chama a atenção para atos feitos pela fabricante sem o conhecimento do usuário

Paulo Moura - 09/10/2021 15h42

Loja da Xiaomi localizada na China Foto: Reprodução

Um relatório publicado no fim de setembro pelo Ministério de Defesa da Lituânia, nação do Leste Europeu, recomendou que os cidadãos do país deixem de usar alguns tipos de celulares chineses, entre eles aparelhos da marca mais vendida na Europa e em vários país do mundo: a Xiaomi. Além da Lituânia, a Alemanha também abriu investigação contra a empresa.

A principal denúncia do relatório lituano é uma lista de 449 palavras em caracteres chineses que o dispositivo podia encontrar e bloquear, entre elas algumas com conotações políticas como: “Tibete livre”, “Movimento democrático 89”, “Viva Taiwan livre” ou sobre os uigures, que são os muçulmanos que vivem em uma região autônoma ao noroeste da China.

Na lista, as autoridades também encontraram termos como nazistas e nomes de grupos terroristas islâmicos. Dias depois, em 27 de setembro, o ministério lituano de Defesa publicou um apêndice com novas palavras, algumas já diretamente em inglês ou espanhol, a maioria relacionada a sexo, mas também Dalai Lama, marxista e extremismo.

De acordo com o jornal El Pais, também foram achados nomes como o do extinto grupo separatista basco ETA, da organização esquerdista chilena Frente Patriótica Manuel Rodríguez e do artista dissidente chinês Ai Weiwei. Ao todo, são 1.376 termos.

O relatório lituano cita poucas provas a respeito de qual seria a serventia da lista de palavras, mas aponta que esta lista encontrada em dispositivos Xiaomi aparentemente serve para filtrar conteúdo.

– Acredita-se que esta função permita a um aparelho Xiaomi realizar uma análise do conteúdo multimídia que entra no telefone do alvo, e depois procurar palavras-chaves baseadas nesta lista enviada para o servidor – diz o relatório.

A partir disso, o dispositivo poderia filtrar conteúdos para que o usuário não os veja. A Lituânia admite, porém, que essa função foi “desativada” na União Europeia. No entanto, a preocupação do relatório está no fato de que a função “é ativada remotamente pelo fabricante”, ou seja, pode fazer parte dos chamados programas pré-instalados.

– Em muitos celulares há um software pré-instalado que foi desenvolvido por várias organizações com a capacidade de baixar algo de forma silenciosa, de espionagem a trojans – diz Narseo Vallina, pesquisador principal da Imdea Networks e coautor de uma investigação pioneira e premiada sobre aplicativos pré-instalados em celulares Android.

Na prática, isso significa dizer que o celular que compramos pode acabar colhendo dados ou fazendo coisas diferentes meses depois da aquisição, como demonstra a mudança e incremento na lista de palavras não permitidas da Xiaomi.

Tal fato denota que uma pessoa que use seu celular Xiaomi para se posicionar publicamente a favor dos uigures ou da independência do Tibete pode de repente começar a enviar dados ou baixar informações sem que o usuário saiba.

– O conceito de “instalado de fábrica” não existe a partir do momento em que as atualizações ocorrem continuamente, desde o momento em que você liga o telefone pela primeira vez. É possível também segmentar os usuários e fazer instalações particulares para grupos deles – diz Juan Tapiador, coautor da investigação com Vallina.

No relatório lituano são citados também problemas observados na loja de aplicativos da Huawei. De acordo com a análise, quando um usuário não encontra o aplicativo que busca, é mandado a outro loja de apps, quase sem controle algum, o que aumenta a possibilidade de download de um software malicioso.

– A Huawei te redireciona para terceiros quando não tem um determinado aplicativo na sua loja. Nesses mercados de terceiros a probabilidade de você baixar um malware (programa malicioso) ou um programa que potencialmente não quer (PUP, na sigla em inglês) é cinco vezes maior que na Play Store – destaca.

Ao El País, a Xiaomi disse que “cumpre integralmente todos os requisitos do Regulamento de Proteção de Dados” da União Europeia e que seus dispositivos “não restringem ou filtram as comunicações de ou para nossos usuários”.

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