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Profissional dá dicas de como manter qualidade das sessões virtuais

Camille Dornelles - 28/05/2020 13h45 | atualizado em 28/05/2020 14h30

Atendimento psicológico online cresce na pandemia Foto: Pixabay

O agravamento da depressão na quarentena é um dos problemas que preocupa profissionais da saúde mental. Felizmente, o isolamento social não significa fim do acompanhamento psicológico.

A universitária J. W, de 22 anos, por exemplo, viu no teleatendimento o apoio do qual sentia falta. Ela não quis se identificar, mas falou ao Pleno.News sobre o acompanhamento psicológico que faz. Ela havia parado as sessões por causa do início da quarentena e a profissional que a acompanhava não aderiu aos atendimentos online. J. W., então, demorou dois meses para poder encontrar uma nova profissional e reiniciar as sessões.

– Eu já estava desanimada com os atendimentos, não estava me dando muito bem com o acompanhamento, mas seguindo com encontros de 15 em 15 dias. Mas aí veio a quarentena, né, e eu tive que ficar em casa porque meu pai é diabético e hipertenso. Até que encontrei uma psicóloga ótima que estava atendendo online e foi muito bom. Estou fazendo uma vez por semana – conta.

A jovem enfrenta um quadro de depressão e ansiedade que se agravaram durante a quarentena, segundo ela. A psicóloga Gláucia Siqueira confirmou, em entrevista ao Pleno.News, que é possível, sim, existir um tratamento bem sucedido, mesmo quando paciente e profissional estejam distantes fisicamente.

Confira abaixo a entrevista com a psicóloga.

Psicóloga Gláucia Siqueira fala sobre atendimentos online Foto: Reprodução

O teleatendimento já era usado por alguns profissionais, mas passou a ser mais utilizado neste momento?
O atendimento online já é uma prática adotada pelo Conselho Federal de Psicologia desde 2018. Antes não tinha uma política confirmada e estabelecida dentro do CFP. Porém, com o crescimento das mídias e da conexão, foi liberada a prática. Quando a pandemia e quarentena se instalaram aqui no Brasil, mais do que nunca, todos os profissionais se viram obrigados a começar o atendimento online.

Os profissionais aderiram facilmente ao modelo remoto?
Como tudo que é novo traz um certo desconforto, houve uma movimentação geral de psicólogos para discutir como seria esta prática para os dias atuais. Importante é não perder a qualidade, a conexão e que continuasse sendo efetiva para nossos pacientes. O que se tem falado nestes últimos três meses é que é possível um atendimento próximo e cheio de energia entre paciente e profissional mesmo em ambiente virtual. A gente percebe isso em vários tipos de abordagens.

Pode dar exemplos dessas adaptações?
No meu caso, trabalho com a abordagem EMDR. Trata-se de uma terapia por meio de movimentos bilaterais alternados oculares e/ou táteis, o que permite o reprocessamento de memórias traumáticas no cérebro. Tive que adaptar. Em vez de usar os movimentos oculares, que são os principais dentro desta terapia, a gente usa movimentos auditivos, com música, e táteis, que chamamos de abraço de borboleta, em que o próprio paciente faz nele mesmo estes movimentos. A gente tem que ter cuidados para a adaptação.

Trata-se de uma terapia por meio de movimentos bilaterais alternados oculares e/ou táteis, o que permite o reprocessamento de memórias traumáticas no cérebro

O que é primordial no atendimento online?
Uma das principais questões que precisamos manter é o sigilo. A gente precisa garantir que este paciente tenha sua privacidade garantida, que ele use fone de ouvido assim como o profissional. E não podem haver interrupções na sessão. Ter sempre disponível uma água, lenços de papel ou outro objeto necessário para não ter que levantar a sair do ambiente da sessão online durante a reunião.

Que outras dicas você dá para quem fará atendimentos online?
Também tem que checar qualidade de conexão da internet. O paciente precisa estar com as mãos livres porque ele precisa sentir relaxamento corporal na sessão. O paciente precisa checar a qualidade da iluminação para podermos manter o contato visual, que faz toda a diferença na relação terapêutica. Num ambiente virtual, a gente precisa minimamente observar do peito para cima. Tem que ter boa qualidade de som, manter os pés plantados no chão, sentado. Isso tudo é para que a atenção, que o paciente precisa naquele momento, aconteça.

Todos os profissionais que forem prestar este tipo de atendimento precisam estar cadastrados em uma plataforma para estarem habilitados

A mudança do atendimento presencial para o virtual precisa ser aprovada antes?
Tudo deve ser combinado antes e documentado num contrato voltado exatamente para o atendimento online. É importante frisar que, como é uma regulamentação do CFP, todos os profissionais que forem prestar este tipo de atendimento precisam entrar na plataforma e-Psi dentro do site do Conselho Federal de Psicologia e fazer um cadastro para estarem habilitados.

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