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Thamirys Andrade - 02/12/2021 16h11 | atualizado em 02/12/2021 16h56

Frasco das vacinas AstraZeneca, CoronaVac, Janssen e Pfizer Foto: Prefeitura de Porto Alegre/Cristine Rochol

O surgimento da variante Ômicron do novo coronavírus levantou dúvidas acerca da eficácia das vacinas contra a nova cepa. Diante do cenário de incerteza, as farmacêuticas responsáveis pela produção dos imunizantes iniciaram testes com as vacinas anticovid já desenvolvidas, e algumas delas já preparam até doses específicas para combater a nova variante.

No caso da Pfizer/BionTech, os resultados do teste do impacto da Ômicron na eficácia da vacina devem estar disponíveis no mês de dezembro. A depender do estudo, a empresa pode iniciar, ou não, a produção de uma nova versão da vacina. A farmacêutica ressalta que seriam necessárias “6 semanas para o desenvolvimento e 100 dias para a produção”.

Responsável pela vacina Janssen, a Johnson&Johnson informou que está analisando a eficácia do imunizante ao mesmo tempo que já desenvolve uma versão específica para combater a Ômicron.

– Começamos a trabalhar para projetar e desenvolver uma nova vacina contra a Ômicron e vamos progredir rapidamente em estudos clínicos, se necessário – declarou o chefe global de pesquisa da Janssen, Mathai Mammen.

O Instituto Butantan, que produz a CoronaVac no Brasil, explicou que já coletou amostras das pessoas infectadas com a nova variante e começou os testes. A previsão é de que o resultado saia entre duas e três semanas. A fabricante chinesa SinoVac também comunicou que está realizando pesquisas em torno do tema.

A AstraZeneca, por sua vez, destacou que não há evidências de que as vacinas não previnam casos graves causados pela nova cepa, mas frisou que está pronta para desenvolver uma atualização do imunizante, caso precise. A empresa já realiza pesquisas em Botsuana e em Essuatini.

O discurso da Moderna, porém, é diferente das demais farmacêuticas. Na avaliação do presidente-executivo, o cenário não é otimista, e é provável que a Ômicron escape das vacinas atuais. O laboratório já trabalha em um novo imunizante para o início de 2022.

– Não há mundo, eu acho, onde [a eficácia] é no mesmo nível que nós tivemos com a Delta. Acredito que vai ser uma queda material. Só não sei quanto, porque precisamos esperar pelos dados. Mas todos os cientistas com quem conversei estão tipo “isso não está se encaminhando para o bem” – disse Stéphane Bancel ao Financial Times.

Por outro lado, o Instituto Gamaleya, responsável pela Sputnik V, crê que a necessidade de uma nova vacina é “improvável”, mas, caso se prove real, a Rússia estará pronta para oferecer doses atualizadas no início de 2022. Para o Kremlin, a reação do mercado financeiro ao surgimento da variante foi “emocional”, sem bases científicas.

– O Instituto Gamaleya acredita que a Sputnik V e a Light neutralizarão a Ômicron, pois têm maior eficácia em relação a outras mutações. No caso improvável de uma modificação ser necessária, forneceremos várias centenas de milhões de reforços da Sputnik (contra a) Ômicron até 20 de fevereiro de 2022 – declarou Kirill Dmitriev, chefe do Fundo Russo de Investimentos Diretos (RDIF).

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