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ESPECIAL: Idosos dizem como encaram a pandemia e a Covid

População idosa é a mais afetada pela doença, mas consegue superá-la

Camille Dornelles - 22/05/2020 13h29 | atualizado em 22/05/2020 13h44

Idosa fala sobre como enfrenta a ameaça da Covid-19 Foto: Arquivo pessoal

As pessoas idosas são, em números gerais, as mais prejudicadas por causa do novo coronavírus. No Brasil, correspondem a 73% das vítimas fatais, sendo maior na faixa etária de 70 a 79 anos, segundo estudo divulgado pelo Ministério da Saúde no dia 18 de abril.

Mas os idosos são muito mais do que o grupo de maior risco da doença. São pessoas que tiveram que ser privadas do convívio familiar, que já vivenciaram outras experiências de crise, que têm conselhos para dar, que já precisam enfrentar outras doenças advindas com a idade.

Para entender melhor os pensamentos desta população ameaçada, o Pleno.News conversou com alguns idosos que estão em isolamento.

“USO MÁSCARA ATÉ PARA ASSISTIR TV”
Noeme Dornelles, de 80 anos, mora em Aracaju, Sergipe, e vive na companhia do marido Paulo, também de 80 anos, da filha e dois netos. Ela contou ao Pleno.News que vê a pandemia com medo, mas que a proximidade da família ajuda muito.

– Está tudo tranquilo em casa, graças a Deus. Mas todo cuidado é pouco. Só Deus para nos proteger e abençoar. Nós aqui não saímos de casa. Tomo banho de álcool em gel. (Covid-19) só me pega se vier aqui dentro de casa mesmo. Peço sempre a Deus que nos proteja e também meus outros filhos e netos que moram longe – revela.

Seu marido também toma todos os cuidados. Por ser idoso e imunodeprimido, não poupa esforços para se proteger.

– Estou usando máscara até para assistir televisão – declarou, rindo.

Paulo Martins, de 80 anos Foto: Arquivo pessoal

Muito religiosa, dona Noeme afirma que sempre ora pela proteção de sua família e pelo fim da pandemia. Ela também falou o que acha sobre o isolamento social.

– Se tem que ficar em casa, tem que ficar em casa. Deus está cuidando de nós e vai continuar cuidando. É só pedir e ter fé – declara.

“NO COMEÇO, FUI RESISTENTE”
Dona Marilda Hermes, de 69 anos, é muito ativa e está acostumada ao convívio com muitos familiares e amigos. Ela contou ao portal que não aguenta mais a saudade dos filhos e netos. A família mora bem próximo, na cidade do Rio de Janeiro, mas não se encontra desde o início da pandemia. Ela contou como foi a adaptação com a distância.

– No começo fui um pouco resistente, com o confinamento, mas depois, os casos foram aumentando e as pessoas sempre falando disso no jornal. Aí me isolei. Moro com meu marido e meu irmão, somos três idosos em casa! Meu filho é enfermeiro e não posso vê-lo. Mas minha filha e meu neto, de vez em quando, vem aqui no meu portão e a gente se encontra – relata.

Marilda Hermes abraça o neto antes da pandemia Foto: Reprodução

“NÃO PODEMOS PERDER O EQUILÍBRIO”
Deborah Martin Paes Leme, de 74 anos, avalia do que sente mais falta e dá um conselho sobre como enfrentar o futuro próximo após a pandemia.

– Em primeiro lugar, a falta de estar com a família, abraçar, beijar. E a falta da irmã e das amigas positivas. Mas mesmo sabendo que esta situação vai se prolongar, eu me preocupo com o que vai sobrar de empregos para o recomeço, e as pessoas que perderam familiares. Não podemos perder o equilíbrio – elenca.

Deborah não perde a esperança e sente falta dos abraços Foto: Arquivo pessoal

“É CHATO FICAR EM CASA”
Parte dos idosos que estão em isolamento já estão acostumados a uma vida caseira, mas se engana quem pensa que é a mesma coisa. É o caso de Frances Adrienne Martin, de 78 anos. Ela afirmou ao Pleno.News que acha chato ficar em casa o tempo todo, mas que sua vida não mudou tanto.

– A minha rotina não mudou muito. Eu sempre fiquei em casa, pois dou aula particular de inglês e meus alunos vem até minha casa. Fora isso, ia ao mercado e saia com minha irmã para uma cafeteria. É chato ficar em casa e ainda ter que ficar cozinhando. O lado bom é que aprendi a mexer em coisas digitais e estou me saindo bem – conta.

Frances Adrienne já tinha rotina caseira Foto: Arquivo pessoal

RECUPERAÇÃO E SUPERAÇÃO
Vale ressaltar os casos de idosos que venceram as estatísticas e passaram para a contagem de pacientes recuperados. Abaixo há uma lista com casos de idosos acima de 100 anos que se curaram da Covid-19 pelo mundo.

Nair Torres Santos, 101 anos, Brasil: a carioca superou todas as expectativas após ser diagnosticada com a doença. Ela possui marcapasso, estava com falha nos rins, mas se recuperou no hospital e sequer precisou de respirador.

Idosa de 101 anos se recupera da Covid-19 Foto: Reprodução

João Emiliano, 106 anos, Brasil: o morador da Paraíba foi diagnosticado no dia 21 de abril, foi para casa, voltou ao hospital, foi operado e internado e depois recebeu o diagnóstico negativo. A equipe médica comemorou sua recuperação.

María Branyas, 113 anos, Espanha: a moradora da Catalunha se tornou, na última semana, a pessoa mais velha a ser curada da Covid-19, além da terceira centenária da Espanha a vencer a doença. Sua filha a descreveu como “uma mulher forte e positiva”.

Connie Titchen, 106 anos, Reino Unido: com alta declarada em meados de abril, ela se tornou a paciente mais velha do Reino Unido a se curar da doença. Ela ficou quase três semanas internada. Ela já passou por duas guerras mundiais, além de grandes epidemias, como a gripe espanhola.

Edith Brachman, 100 anos, Estados Unidos: a idosa tem histórico de asma e teve que enfrentar a doença longe da família, mas pediu orações e fez um testemunho de fé por vídeo, afirmando que “o Senhor é o meu pastor”. Sua cura foi celebrada pelos médicos, família e comunidade.

Angelina Friedman, 101 anos, Estados Unidos: a americana mora em um asilo gripe espanhola, um câncer e agora a Covid-19. Ela ficou quase um mês no hospital e a primeira coisa que pediu foi um fio de tricô.

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