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Mitos: Saiba os hábitos que não funcionam contra o coronavírus

De acordo com pesquisa, 7 entre 10 brasileiros mudaram os hábitos de higiene durante a pandemia

Monique Mello - 24/02/2021 14h17 | atualizado em 24/02/2021 15h38

Higienizar as compras não é eficaz contra o coronavírus
Higienizar as compras se tornou hábito durante a pandemia Foto: Freepik

Há, pelo menos, um ano, o mundo vive uma pandemia sem precedentes e que veio, dentre outras coisas, para deixar a população atenta aos hábitos de higiene.

Naturalmente, higiene é algo que precisa fazer parte da rotina, mas o combate ao novo Coronavírus ressaltou a importância de hábitos que costumavam ser feitos no “automático”, como o tempo de lavar as mãos, por exemplo.

No ano passado, o Instituto QualiBest divulgou pesquisa revelando que 7 em cada 10 brasileiros mudaram seus hábitos de higiene durante a pandemia.

Em casa, a limpeza passou a ser central: dos sapatos, passando pelas roupas e sacolas de compras. Para a reabertura do comércio, foram adotadas algumas medidas, como a medição da temperatura e até das cabines.

O Pleno.News reuniu as medidas principais e a verdade sobre a eficácia de cada uma.

LIMPAR SACOLAS DE COMPRAS
No ano passado, foi divulgado que o coronavírus poderia sobreviver em superfícies por até três dias. Mais tarde, o Center for Disease Control (CDC) informou que a Covid-19 não se espalhava facilmente pelas superfícies. Especialistas apontam que é uma questão de probabilidade e que, no geral, não funciona contra o vírus.

– A probabilidade de o vírus ficar preso no saco é baixa e não é fácil retirá-lo porque sai em pedaços. Para se infectar (se o vírus estivesse aí), você teria que explodir o saco. O importante é lavar as mãos depois de recolher os sacos. Não são as bolsas que transmitem, são as mãos – explica a virologista María Fernanda Gutiérrez.

O Dr. Elmer Huerta, oncologista e especialista em Saúde Pública diz que a principal forma de transmissão desta doença é por meio de aerossóis no trato respiratório.

– No início, fevereiro, março [de 2020], havia histeria em massa, porque não sabíamos – diz.

Não são as bolsas que transmitem [o vírus], são as mãos

– Nos supermercados limpamos as caixas, os sacos plásticos em que deixavam a comida, as superfícies e as perguntas eram: O que é melhor? Que tipo de detergente devo usar? Com que tipo de desinfetante devo lavar as solas dos meus sapatos ao entrar em casa? Eu saí por um tempo e tenho que lavar minhas roupas imediatamente? Sair? Entrar em casa nu? Puxa, foi tudo por quê? Porque não sabíamos. Ao longo dos meses, temos aprendido – completa Huerta.

Especialistas defendem que lavar as mãos é o essencial
Especialistas defendem que lavar as mãos é o essencial Foto: Freepik

DESINFECÇÃO DE TAPETES E SAPATOS
Em alguns países, é comum ver uma série de esteiras na entrada de espaços públicos e privados pelos quais as pessoas devem passar em uma ordem específica. Normalmente são dois ou três, e um deles contém uma solução desinfetante.

Além disso, em alguns lugares, é oferecido às pessoas uma espécie de polaina descartável para cobrir os sapatos, ou pedem diretamente às pessoas que apliquem desinfetante nas solas, antes de elas adentrarem. Da mesma forma, alguns locais adotaram a prática de desinfetar pneus ou carros inteiros.

Os especialistas informam que, contra o coronavírus, essas medidas também não funcionam, mas que desinfetar o calçado ou deixá-lo na entrada de casa pode impedir a entrada de sujeira e outros seres contaminantes.

– A verdade é que os vírus não vêm no lugar. Eles estão flutuando no ar. E, se ficarem, nos sapatos, eles não sobem – explica a Dra. Gutiérrez.

– É inútil. Há muito pouco nessas tarefas que pode ajudar. Sabe-se que a transmissão do vírus por superfícies é menor do que se pensava inicialmente – diz Diego Rosselli, professor de Epidemiologia da Universidad Javeriana, em uma entrevista à CNN.

MEDIÇÃO DE TEMPERATURA
O procedimento para acesso aos locais públicos é a medição no pulso, com um termômetro sem contato. Alguns medem pela testa.

– Nem [a medição de temperatura] no pulso nem qualquer [outro] lugar [adianta]… porque, em geral, o vírus não é um vírus que produz febre. Em muito poucos casos, você está produzindo febre e, quando você tem febre, você se sente mal, [e] é provável que você não saia… Apenas 10% das pessoas que transmitem o vírus e contaminam [outras] têm febre. Então, estaríamos pegando um grupo muito pequeno de pessoas – informa.

Medir a temperatura não é eficaz, dizem especialistas Foto: Reprodução

NÃO TOCAR NOS BOTÕES DO ELEVADOR COM OS DEDOS
Chaves, celular, tudo o que tiver ao alcance das mãos, incluindo os botões do elevador (e outros objetos em locais de tráfego intenso) – preocupam.

O segredo é lavar as mãos depois de sair, ao tocar em superfícies, antes de tocar no rosto, comer etc.

– Nos dizem que, se a pessoa anterior espirrou na mão, leva a mão contaminada ao elevador e, depois, toca no botão, e outra pessoa toca no [mesmo] botão, traz o vírus bem ao nariz. Pode acontecer, mas é tremendamente improvável – diz a Dra. Gutiérrez.

As superfícies de lugares lotados sempre foram foco de infecções. Para Gutiérrez, “os botões de elevador não se tornaram perigosos agora”.

Desinfetar dinheiro também se enquadra nesta categoria: notas e moedas que passam de mão em mão são veículos de sujeira e microorganismos, mas não necessariamente do coronavírus.

No final das contas, lavar as mãos com água e sabão continua sendo a recomendação básica, devido ao risco de as mãos tocarem no nariz ou na boca e criarem, assim, um “mecanismo de entrada” do vírus em nosso organismo.

 

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