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Muitos pacientes sentem dor e desconforto com a coleta de material no nariz

Pierre Borges - 12/03/2021 11h14

Teste molecular na saliva
Paciente realiza teste molecular na saliva Foto: Reprodução

Desde o começo da pandemia no Brasil, a procura por testes vem aumentando, e novos exames vão sendo desenvolvidos. O exame molecular RT-PCR, que utiliza um swab nasal (um “cotonete” comprido), é considerado padrão-ouro para diagnóstico da Covid-19. No entanto, muitos pacientes sentem desconforto com a coleta de material no nariz.

A estudante de Engenharia Civil, Elizabeth Santos, por exemplo, possui adenoide, que são dois pequenos aglomerados de tecido na parte de trás do nariz e acima da garganta, popularmente conhecido como “carne no nariz”. Ela afirma que sua experiência com o teste foi bastante dolorosa.

– Na narina direita, eu senti somente um desconforto, mas suportável. Já na esquerda, que é onde eu tenho obstrução, doeu bastante. A primeira menina que me atendeu era enfermeira e não conseguiu enfiar o cotonete de jeito nenhum. Ela teve que chamar uma outra, que era estagiária (no caso, aluna da UFRJ, onde eu fiz o exame), para a auxiliar e, então, conseguir colocar o cotonete dentro da narina. Terminado o exame, eu senti uma dor de cabeça absurda e tontura. Tive que sentar na marquise do ponto de ônibus por um tempo até conseguir melhorar um pouco da tontura e voltar para casa.

Devido a experiências como esta, foi validada a realização do teste de RT-PCR pela saliva. A sensibilidade é de 90%, comparada à amostra de swab de nasofaringe. O teste laboratorial serve para o diagnóstico de pacientes sintomáticos na fase aguda, e o exame deve ser coletado de preferência na primeira semana após o início dos sintomas. Outros testes também foram desenvolvidos recentemente para evitar o desconforto, como é o caso do teste de detecção de anticorpos neutralizantes.

Esse teste “imita” o de neutralização em placa, considerado padrão-ouro para avaliar o tipo de imunidade gerada por anticorpos de inibição viral, ou seja, anticorpos que teriam a capacidade de neutralizar o vírus. Esse teste é indicado para pacientes sintomáticos na fase tardia, após o 20º dia do início dos sintomas. Para avaliação pós-vacinação, ainda não há estudos suficientes para estipular o prazo para a realização do exame.

Os dois exames já estão disponíveis em todas as unidades e no atendimento domiciliar do Hermes Pardini, em Minas Gerais e em São Paulo. Ambos são menos invasivos e garantem mais comodidade ao paciente.

– O teste pela saliva é uma alternativa para pessoas com contraindicação ou dificuldades na realização do swab e para empresas que precisam testar os funcionários periodicamente. Já o teste de anticorpos neutralizantes não deve ser interpretado como indicativos de imunidade ao vírus e precisa ser avaliado com cautela. É importante ressaltar que há vários relatos de quadros de reinfecção e não sabemos por quanto tempo esses anticorpos estariam presentes. Por isso, mesmo com os anticorpos neutralizantes presentes, não podemos deixar de manter as recomendações para controle da pandemia – explica a infectologista Melissa Valentini.

A médica alerta para a possibilidade de resultados falsos-negativos e indeterminados.

– Devido à menor sensibilidade da saliva, caso o resultado seja negativo e a suspeita de COVID-19 se mantenha, recomenda-se a repetição do exame de RT-PCR em amostra de swab de nasofaringe. Já os resultados indeterminados ocorrem quando a carga viral está baixa no momento do exame, o que pode acontecer quando o exame é coletado muito precocemente ou tardiamente – aponta a médica, que também lembra que todos os resultados devem ser correlacionados ao quadro clínico e epidemiológico do paciente.

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