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Infectologista tira as principais dúvidas sobre a cepa Ômicron

"Momento é de manutenção do cuidado, mas sem pânico", destacou Dr. Edimilson Migowski

Thamirys Andrade - 29/11/2021 17h36 | atualizado em 29/11/2021 18h20

INFECTOLOGISTA Edimilson Migowski
Doutor Migowski, em entrevista ao Pleno.News Foto: Pleno.News

Infectologista e professor de Medicina da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), o Dr. Edimilson Migowski elucidou as principais dúvidas em relação à nova cepa da Covid-19, Ômicron, com as informações disponíveis até o momento.

Em conversa ao Pleno.News, o especialista explicou que os indícios apontam que a nova variante possui maior transmissibilidade devido a um elevado número de mutações, mas, por outro lado, demonstra menor nível de agressividade.

– A tendência é essa. Não é do interesse do vírus matar. Ele quer entrar no paciente, se replicar e passar para outra pessoa. Quando o vírus é muito agressivo a ponto de matar 100% das pessoas que ele infecta, ele não se perdura – destacou.

Embora esteja sendo motivo de alerta global, o infectologista crê que essa não é a mais alarmante das cepas do novo coronavírus. Em sua avaliação, a mais preocupante das variantes foi a detectada inicialmente em Wuhan, logo no início da pandemia, em razão da falta de conhecimento de que se dispunha sobre a doença na época, além da ausência de medicações imediatas e de informações sobre as complicações.

– Eu mesmo fui favorável a ficar em casa, lockdown, no início, porque a gente estava diante de uma situação muito misteriosa, muito desconhecida e que mudou o cenário. A gente tem hoje equipes de saúde com capacidade para tratar pacientes que evoluem para casos de maior gravidade. Portanto, o momento é de manutenção do cuidado, mas sem pânico – aconselhou.

Ao ser questionado sobre as possibilidades de uma nova explosão de casos e um eventual lockdown, o médico afirmou que não vê, do ponto de vista científico, probabilidade de um novo fechamento como o ocorrido em 2020.

Tendo em vista a subnotificação de casos de Covid-19 no Brasil e a quantidade de pessoas que podem ter sido assintomáticas, Migowski calcula que toda a população brasileira já tenha tido contato com o vírus. Ele destaca, ainda, que o país já possui quase 130 milhões de pessoas plenamente vacinadas.

– Essa disseminação natural que o vírus provocou no nosso país torna a população brasileira menos vulnerável a ter uma onda da mesma importância de países que não viveram uma pandemia como nós vivemos – assinalou.

CUIDADOS NECESSÁRIOS
Além da vacinação, o infectologista Migowski orienta sobre os cuidados que as pessoas podem ter preventivamente e também no início da infecção por Covid-19.

– O tratamento imediato é, sim, capaz de salvar vidas. Não confunda tratamento imediato com tratamento preventivo. Aqui a minha proposta é iniciar a medicação tão logo você adoeça. Vitamina D, Vitamina C, Zinco, dormir bem, não abusar de bebida ou de drogas lícitas ou ilícitas, ter bons relacionamentos, gerenciar o estresse… Essas são medidas que ajudam você na prevenção da Covid e de várias outras doenças – enumerou.

Migowski teceu críticas ainda ao medo que, em sua avaliação, é promovido por parte da mídia e contou trabalhar para minimizar esse impacto em seu canal no Youtube.

– Às vezes, as grandes mídias dizem que os especialistas foram unânimes em falar que vai ser um problema, que não existe medicação. Mas essas grandes mídias não ouviram a gente falar. […] Com frequência, esses grandes meios de comunicação fazem contato comigo e me perguntam a minha opinião. E eu falo qual é a minha opinião. Em seguida, eles ligam dizendo “desculpa, doutor. Caiu a matéria”. Então só coloca quem interessa a eles.

Migowski finalizou destacando a importância da fé diante das doenças e dificuldades.

– O medo imunodeprime, e a fé fortalece a imunidade. Ter fé, uma boa alimentação, bons contatos, boas gargalhas, uma alimentação saudável faz com que você tenha menor chance de adoecer de forma mais grave – concluiu.

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