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Hospitais do Rio receberam máscaras sem filtro, diz MPT

Enfermeiros denunciaram que material é inadequado para uso contra Covid-19

Paulo Moura - 23/05/2020 15h21

Enfermeiros denunciam distribuição de máscaras inadequadas Foto: Reprodução

Profissionais de enfermagem do Rio de Janeiro denunciaram que teriam recebido máscaras que não têm filtro e são insuficientes para garantir a proteção dos profissionais contra o novo coronavírus em hospitais da capital.

A reclamação, repassada ao Ministério Público do Trabalho do Rio de Janeiro (MPT-RJ), foi um dos motivos de uma ação civil pública movida pelo órgão contra a Prefeitura do Rio de Janeiro exigindo melhores condições de trabalho nas unidades municipais.

Ao portal UOL, uma enfermeira do Hospital Miguel Couto, no Leblon, Zona Sul do Rio, enviou um vídeo relatando que o item era inadequado para o uso, pois não era do modelo N-95, indicado aos profissionais de saúde, e também não tinha filtro de proteção.

– Essa máscara não tem a especificação adequada contra a Covid. Ela só serve para partículas, como fumaça e poeira. E é imprópria para impedir infecções. Os profissionais estão trabalhando com a ideia de que estão dentro dos padrões. Mas não é o que está acontecendo – relata.

A enfermeira Lilian Behring, coordenadora nacional do grupo de alta complexidade da Rede Universitária de Telemedicina, do Ministério de Ciência e Tecnologia, concordou com a informação da colega do Rio de Janeiro e disse que o material é completamente inadequado.

– A máscara é inadequada. Ela é insuficiente, por não conter os filtros apropriados para a retenção de micropartículas relacionadas à Covid. Há máscaras que não filtram o coronavírus. O profissional passa o plantão achando que está com a máscara adequada, mas acaba correndo o risco de ser contaminado – destaca.

Já a empresa responsável pela fabricação do item, a Alliance Respiradores, disse que a informação não procede e que os materiais são produzidos com um manta filtrante usada em países como EUA e China.

– As máscaras N-95, fabricadas pela Alliance, possuem duas camadas internas acopladas. A primeira, mais grossa, é uma mantra filtrante do tipo “Melt-Blown”. A segunda camada, mais fina, visa evitar que os pacientes tenham desconfortos como coceira – afirma a nota.

A Prefeitura do Rio, também em nota, concordou com a Alliance e disse que os materiais estão dentro das normas.

– Todos os itens estão dentro dos padrões e normas técnicas estabelecidas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e pelo Ministério da Saúde – declara a administração municipal.

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