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Entenda como a vacina de RNA mensageiro realmente funciona

Doutor em microbiologia e biologia molecular explica como esse tipo de vacina opera no organismo humano

Pierre Borges - 10/12/2020 18h17 | atualizado em 18/01/2021 15h03

Vidros de vacina contra a Covid-19 da Pfizer
Vacina mRNA da Pfizer já está sendo aplicada no Reino Unido Foto: Divulgação

Existem modos diferentes de produção de vacinas. Elas podem ser feitas a partir de um vírus morto ou de um vírus vivo enfraquecido, por exemplo. Vale lembrar que doenças diferentes podem exigir vacinas com métodos diferentes de produção para uma imunização eficaz. Hoje, no mundo todo, existem cinco que estão em estágio avançado de desenvolvimento: A russa Sputinik; a chinesa Coronavac; a vacina de Oxford em parceria com a farmacêutica anglo-sueca AztraZeneca e as norte-americanas da Moderna e da Pfizer.

As vacinas da Pfizer, que já está sendo aplicada no Reino Unido, e da Moderna utilizam o mesmo recurso: um RNA mensageiro (mRNA). O RNA é uma molécula formada a partir do DNA, por meio de um processo chamado de transcrição. O Pleno.News convidou o doutor em microbiologia e biologia molecular Leandro Lobo para explicar melhor o assunto:

– A informação genética está contida na molécula de DNA, então o DNA é como se fosse o arquivo mestre, aquele HD do computador onde tem todas as informações ali, e um gene seria como um arquivo dentro desse HD. Então, quando você quer copiar um gene, você não precisa pegar o HD inteiro, você pode pegar um pen drive, copiar só aquele arquivo e tirar do HD pra ser transportado, vamos dizer assim, pra impressão. Então, esse pen drive é o RNA mensageiro, que vai transportar a informação contida no DNA pra que a maquinaria da célula possa produzir proteínas. Nessa minha analogia, o DNA é um HD externo, o RNA mensageiro é um pen drive, onde você copiou só o gene que você quer que seja traduzido em proteínas e a maquinaria da célula seria como se fosse uma impressora, que vai transformar esse arquivo, no caso, o gene, em uma coisa impressa – explica o imunologista.

Estrutura viral do SARS-CoV-2 Imagem: Wikimedia Commons

Leandro, que também é professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), ressalta a importância da análise da estrutura viral do SARS-CoV-2 para a produção desse tipo de vacina com RNA mensageiro e explica porque a proteína Spike é fundamental para a produção delas.

No caso das vacinas de RNA mensageiro, não tem nenhum DNA contido ali, então, não tem esse arquivo mestre. Você tem só a informação pra transcrição de um ou poucos genes e aí, no caso da vacina pro Covid, essa informação é a proteína Spike, que é responsável pela ligação do vírus às nossas células. O que essa vacina de RNA mensageiro faz é dar para as nossas células a informação genética que vai ser traduzida em proteína, no caso, a proteína Spike, que vai ser produzida ali naquelas células. O nosso organismo vai reconhecer aquilo como uma proteína estranha e vai gerar uma resposta imunológica contra essa proteína. Então, é assim que a vacina de RNA mensageiro funciona – explica o imunologista.

Em live do Pleno.News, a mestre em imunologia Dra. Nise Yamaguchi lembrou que é a primeira vez que vacinas com RNA mensageiro são produzidas em larga escala e questionou os impactos que podem ocorrer no organismo humano.

– O que isso impacta na sua produção de outras coisas? Como é que esse mecanismo, que é muito sensível, se transforma quando você manda todas as células do seu corpo que estão infectadas por esse RNA mensageiro produzirem uma determinada proteína estranha? (…) É a primeira vez que nós vamos ter isso em larga escala. A gente precisaria ter muito mais cuidado – afirma.

VACINAS DE VETOR VIRAL

Vacinas de vetor viral, introduzem proteínas do Coronavírus em outro vírus Foto: Reprodução

A vacina de Oxford/AstraZeneca, também utiliza a proteína Spike, mas de um modo diferente. As chamadas vacinas de vetor viral não-infectante inserem uma proteína do vírus específico em um outro vírus atenuante, o adenovírus. Este adenovírus, sofre mutações em laboratório para que se torne incapaz de se multiplicar ao entrar no corpo de um paciente e assim, gerar resposta imune sem oferecer riscos ao organismo de quem for imunizado.

Assim como no caso das vacinas de RNA mensageiro, a vacina de vetor viral também é inédita, mas ambas estavam em estudo para serem utilizadas no combate ao Ebola e a outros coronavírus, como o Sars-Cov-1. No caso da vacina de Oxford/AstraZeneca, a proteína Spike do coronavírus é inserida num adenovírus de chimpanzé.

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