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Ronaldo Chiesi ficou intubado por mais de um mês e passou 41 dias em UTI

Pleno.News - 13/07/2020 10h51 | atualizado em 13/07/2020 14h13

Empresário Ronaldo Chiesi ficou por 41 dias na UTI Foto: Reprodução

O Brasil já superou a marca de 70 mil mortos pelo novo coronavírus e, por bem pouco, o empresário Ronaldo Chiesi, de 59 anos, não entrou nessa triste estatística. A vida saudável que mantinha, sem comorbidades, de uma hora para outra se viu de ponta cabeça após se contaminar com a Covid-19 e permanecer 57 dias internado, sendo 41 deles na UTI e mais de um mês intubado. Como por milagre, ele se recuperou para contar a sua história de dor, pesadelos e superação.

Tudo começou com uma diarreia ainda na segunda semana de março. Como a pandemia estava chegando ao Brasil, ninguém identificou o caso como possibilidade de Covid. Assim, no hospital o médico apenas passou um remédio para curar a diarreia, e Chiesi foi mandado para casa. Ele chegou a fazer uma tomografia, que nada mostrou de anormal nos pulmões.

No entanto, depois de quatro dias, ele passou a ter febre e comprou um oxímetro, que mede a oxigenação no sangue, e percebeu que sua saturação estava muito baixa, mesmo em repouso. Morador de Jundiaí, foi levado pelo filho Felipe a um hospital da capital paulista, onde fez uma tomografia, que mostrou o pulmão já comprometido. No mesmo dia, já foi mandado para a UTI e intubado.

– Depois só me recordo lucidamente da minha situação após quase um mês, ainda dentro da UTI. Durante meu período de 41 dias na UTI, fui semissedado. Não podia ficar totalmente sedado, porque nesse caso a função respiratória cairia. Mas eu passava a maior parte do tempo muito dopado, com alucinações. Ao mesmo tempo, tinha um pouco de consciência e voltava – conta.

Na pior fase da doença, Chiesi chegou a ter 95% dos pulmões comprometidos e foi praticamente desenganado pelos médicos. Tanto que o filho foi autorizado a vê-lo “pela última vez”, representando a família, em uma ala protegida da UTI, através de um vidro.

– Eu lembro muito bem que na fase em que eu estava pior na UTI eu queria morrer, porque não estava aguentando mais. Queria que aquilo acabasse logo. Eu realmente não estava me importando se morresse, porque estava muito ruim – diz Chiesi.

Aos poucos, o empresário conta que foi se recuperando.

– Aí me trouxeram para a realidade e só então eu fiquei sabendo o que estava acontecendo. Eu não tinha voz, porque estava intubado por tudo quanto é lado. Eu não falava porque estava com traqueostomia, com acessos no braço, amarrado… – relata.

Por causa do trauma vivido na UTI, Ronaldo precisou tomar remédios para depressão e ansiedade.

– Tanto tempo na UTI sem estar totalmente sedado é traumatizante porque você tem uma sensação terrível, com a mente confusa. Ali me chamavam de vencedor, de campeão, toda a enfermagem me incentivando muito. Não era só eu, mas os médicos e enfermeiros estavam vencendo a guerra. Eu sentia isso neles – conta.

Com o fim do período na UTI, o empresário foi levado para o quarto, onde permaneceu mais 16 dias. Mas, desta vez, ele pôde contar com o apoio da família. Além de Felipe, a filha Olívia e a mulher, Andressa, estiveram sempre presentes. A pior fase já havia passado.

– Minha família toda sofreu muito, meus amigos, também. Nunca pensei que tivesse tantos amigos… Fizeram filmes, campanhas de orações, emanando energia positiva para mim. A Olívia, que trabalha com cinema, resolveu fazer um filminho de tudo isso e contou para as pessoas. Eu vi o filme no hospital e imagina o que não chorei – afirma.

Apesar de não estar totalmente recuperado, ele foi liberado pelos médicos para continuar o tratamento em casa, longe do ambiente hospitalar.

– Estou há 40 dias em casa e tenho entre 25% e 30% do pulmão ainda comprometido. Só consigo andar por 10 minutos e depois não consigo mais. Ainda estou no processo de recuperação, fazendo fisioterapia todos os dias – destaca.

Como não há previsão de melhora da situação e do surgimento de uma vacina salvadora, Chiesi passa uma mensagem de consciência e de cuidado para os brasileiros.

– As pessoas precisam tomar todas as precauções, porque por mais saudável que você seja, que tenha uma idade que você julgue que não vai ter nenhum problema, mesmo assim você tem de tomar todas as precauções para não ser contagiado. Você não tem informações para dizer que vai ser resistente e que não vai ter nenhuma complicação. Todo o mundo, até o mais saudável, também está vulnerável – completa.

*Folhapress

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