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“Continuo com tosse e falta de ar mesmo curada”, diz médica

Relato de profissional de saúde acende preocupação sobre sequelas respiratórias

Camille Dornelles - 29/06/2020 13h50

Médica Uana Costa Cavalcante, recuperada da Covid-19, ainda enfrenta tosse e falta de ar Foto: Reprodução

Na linha de frente do tratamento do novo coronavírus não estão apenas os profissionais das UTIs, mas também aqueles das unidades básicas de saúde, que são os primeiros procurados por quem começa a sentir os sintomas. Com isso, se tornam potenciais infectados no ambiente de trabalho.

A médica Uana Costa Cavalcante, de Brejo Santo, Ceará, atua como médica de atenção básica no interior do estado. Ela começou a sentir os sintomas no dia 13 de abril, após atender um paciente com quadro suspeito. Uana, então, lutou contra a doença por 23 dias

Ela deu seu relato para o Pleno.News e falou sobre “desdém” com a doença. A médica também ressaltou a dificuldade enfrentada pelos profissionais da atenção básica com a falta de materiais e exposição.

Como foi que você descobriu a doença?
No início da pandemia, não haviam casos confirmados no município em que trabalho, na região do Cariri. Bem como haviam poucos casos. Atendi um caso suspeito, que foi investigado e posteriormente confirmado. Na ocasião, não tínhamos ainda o preparo de EPIs (equipamentos de proteção individual)! Me faltou vestuário de proteção e acabei adoecendo seis dias após esse atendimento citado.

E quais foram os seus sintomas?
Comecei um quadro de tosse seca e falta de ar no ambiente de trabalho, e no mesmo dia procurei atendimento e me isolei. Fui evoluindo na tosse e investigada para Covid-19 e fui hospitalizada brevemente por quadro de dispneia. Com os exames sem gravidade, recebi alta e, em seguida, o diagnóstico da contaminação. Meu quadro durou quase quatro semanas, onde as duas primeiras foram de uma situação leve de mialgia, coriza, diarreia e tosse intensa. E as outras duas semanas de uma intensa fraqueza e cansaço, falta de ar, tosse, dor torácica! Fui, então, melhorando e recebi alta, retornando ao trabalho. Eu já havia tido uma suspeita de quadro asmático, que, então, se intensificou a suspeita pela tosse arrastada, a qual persiste até hoje.

Infelizmente, ainda há desdém sobre a doença

Quando foi o momento mais crítico?
Após o 14º dia foi o pior período! Senti mais dor no corpo e tosse, cansaço e dor no tórax. Era uma dor insuportável. Não repeti tomografia nesta ocasião, mas acredito que se fiz pneumonia foi aí. Porque antes não tinha. Mas eu sempre alerto que meus sintomas piores foram na terceira semana.

Agora, recuperada, ainda sente alguma coisa?
Sinto tosse todo dia e falta de ar quase diária também. Encontro-me há 72 dias do início dos sintomas. Tento voltar à rotina. Pratico pilates e pedalo, mas não consigo ainda desempenhar meu potencial normal. Só passando pela Covid-19 para entender o quanto é ruim. Infelizmente, ainda há desdém sobre a doença.

E o que você pode tirar dessa sua experiência?
Eu acho importante ressaltar a exposição que os profissionais da atenção básica sofrem. Pois casos leves procuram este tipo de serviço, inclusive assintomáticos. E talvez tenham sido postergados na sua proteção.

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