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Cientistas avaliam suposto elo entre Ômicron e HIV não tratado

Para pesquisadores, variantes da Covid podem estar sofrendo mutações em pessoas imunossuprimidas

Thamirys Andrade - 22/12/2021 16h40 | atualizado em 22/12/2021 17h10

Hipótese não está confirmada, mas é tida como “altamente plausível” Foto: EFE/EPA/Jeon Heon-Kyun

Os pesquisadores sul-africanos responsáveis pela descoberta da variante Ômicron avaliam a hipótese considerada “altamente pausível” de que o surgimento de novas cepas do coronavírus esteja ligado a pessoas com o sistema imunológico enfraquecido por outras doenças, como o HIV não tratado e o câncer. As informações são do portal G1.

Segundo apontam os cientistas, pessoas com HIV que não tomam os medicamentos para a doença tendem a demorar muitos meses para se recuperar da Covid-19, caso sejam infectadas pelo vírus. Ao longo desse período, o coronavírus pode sofrer inúmeras mutações.

– Normalmente, o seu sistema imunológico expulsaria um vírus rapidamente, se [estivesse] totalmente funcional. Em alguém com a imunidade suprimida, vemos o vírus persistindo. E ele não fica parado; ele se replica. E, conforme se replica, sofre mutações em potencial. E, em alguém imunossuprimido, esse vírus pode ser capaz de continuar por muitos meses, sofrendo mutação – explicou a professora Linda-Gayle Bekker, dirigente da Fundação Desmond Tutu HIV na Cidade do Cabo.

É o caso de uma paciente sul-africana soropositiva que testou positivo para a Covid-19 por quase oito meses. Em meio ao longo tempo de infecção, o vírus passou por mais de 30 alterações genéticas.

Para o professor Salim Karim, especialista em HIV e ex-presidente do comitê consultivo para Covid-19 do governo sul-africano, a hipótese é “altamente plausível”, mas ainda não está provada.

Na batalha para impedir o surgimento de novas cepas, ele destaca a necessidade de dar uma atenção especial aos imunocomprometidos, com doses de reforço. Vale lembrar que o governo brasileiro já anunciou a quarta dose da vacina para esses grupos.

– Se quisermos diminuir o risco de novas variantes, temos que enfrentar esse desafio em todos os países do mundo. Isso é tentar garantir que os indivíduos imunocomprometidos sejam totalmente vacinados e tenham respostas imunológicas detectáveis ​​às vacinas. E, caso contrário, eles devem receber doses extras até que desenvolvam uma resposta imunológica. Essa é a nossa melhor proteção contra a possibilidade de que pessoas com sistema imunológico comprometido estejam desenvolvendo variantes – frisou Karim.

A medida que os cientistas avançam nas pesquisas, eles também temem que pessoas estigmatizem mais a população com HIV. Por isso, Bekker acha relevante destacar que pessoas soropositivas que façam uso correto de antirretrovirais “têm a imunidade restaurada”.

Marc Mendelson, chefe de doenças infecciosas do hospital Groote Schuur da Cidade do Cabo, também aponta que a origem da variante Alfa está associada a um paciente com outra doença que afeta o sistema imunológico: o câncer.

– Diabetes, câncer, fome, doenças autoimunes, tuberculose crônica, obesidade. Temos uma enorme população de pessoas com imunidade suprimida por outras razões – detalhou Mendelson.

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