Leia também:
X Ritmo de mortes por Covid-19 diminui em São Paulo

Assintomática revela drama psicológico vivido com a Covid

Publicitária e marido foram diagnosticados com a doença

Camille Dornelles - 06/07/2020 11h23 | atualizado em 17/07/2020 11h46

Coronavírus Foto: Pexels

Engana-se quem pensa que pacientes assintomáticos da Covid-19 não têm o que temer. Um estudo da revista científica Nature, publicado na última quarta-feira (1º), aponta que 40% das transmissões do novo coronavírus são por assintomáticos.

A possibilidade de infectar pessoas sem saber é um drama psicológico vivido pelos pacientes que não apresentam sintomas. A publicitária e empresária Aline Dutra, de Cáceres, Mato Grosso, é uma delas. Ela e o marido receberam o diagnóstico no mês passado e ela desabafou sobre a angústia vivida.

Como você descobriu a doença, se não apresentava sintomas?
A Covid-19 entrou na minha vida no dia 10 de junho, quando recebemos o resultado do teste PCR positivo do meu esposo. Aí, eu fiz dois testes sorológicos que deram positivo também, IGM reagente, que é o indicador de infecção recente. Nessa semana, saiu o resultado do teste PCR, que analisa se ainda há presença do vírus. Deu negativo.

E como você reagiu ao saber que seu marido e você estavam infectados?
Independentemente dos sintomas vindouros, um positivo traz uma quantidade imensa de incertezas, medos e ansiedades. Cada dia, desde então, foi um dia diferente em nossas vidas. Falando por mim, minhas dores emocionais me fragilizaram mais do que o próprio vírus. Todos os dias era uma luta para saber como o dia ia terminar, medo de ter passado para os pais, para as crianças. E ainda as mensagens de mortes, do desespero das famílias, em nossa cidade, Estado, país e mundo, me fizeram entrar em uma “montanha-russa”, ora de negação, ora de desespero, ora de fé.

Para você, então, os assintomáticos também sofrem com a Covid-19?
Não sentir a doença talvez seja tão doloroso quanto senti-la, porque você passa o tempo todo numa ansiedade de que os sintomas ainda vão chegar. E, na dúvida de que realmente vai terminar do jeito que começou, sem sintomas nenhum. Isso fez eu me recolher à minha “bolha”, meu lar, por tempo mais do que o necessário para casos como o meu, assintomáticos. Fiz meu testemunho, recebi muito carinho, mas também fui julgada. Jamais seremos bons o suficiente para todo mundo.

Vocês ficaram isolados neste período? Isso também aumentou a angústia da situação?
Minha irmã e meu cunhado não mediram esforços para nos ajudar e levaram comida sempre para a gente. Nesse período, sofri com perdas irreparáveis, com positivos de pessoas próximas, queridas, com a angústia de não poder abraçar. Finalmente, meu martírio e minha vigília chegaram ao fim! Estou curada! E meu corpo e mente podem ficar em paz!

Agora curada, que recado você daria para quem não pegou a doença?
Nós vencemos o coronavírus e torço, rezo e peço para que, caso mais pessoas passem por essa doença, que ela venha suave e que traga menos danos possíveis, físicos e emocionais.

Leia também1 Coronavírus e amamentação: O que as mães devem fazer?
2 "Continuo com tosse e falta de ar mesmo curada", diz médica
3 Após 9 dias intubada, mulher celebra cura e agradece a Deus
4 Isolada por causa da Covid, Eliana ganha carta do filho
5 Asmática vence Covid: "Graças a Deus, tudo correu bem"

Siga-nos nas nossas redes!
WhatsApp
Entre e receba as notícias do dia
Entrar no Grupo
Telegram Entre e receba as notícias do dia Entrar no Grupo
O autor da mensagem, e não o Pleno.News, é o responsável pelo comentário.