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Estudo: 98,8% dos adultos de SP tiveram Covid ou se vacinaram

Dados foram divulgados nesta terça-feira

Pleno.News - 17/05/2022 20h58 | atualizado em 18/05/2022 10h13

98,8% dos adultos de SP tiveram Covid ou já se vacinaram, diz estudo Foto: EFE/Sebastiao Moreira

Estudos apontam que entre os mais de 9 milhões de habitantes adultos da cidade de São Paulo, 98,8% têm anticorpos contra o Sars-CoV-2, causador da Covid-19. Esse resultado vem de terem entrado em contato com o vírus, de terem sido vacinados, ou de ambos os casos. As informações são da última fase da pesquisa SoroEpi MSP, divulgada nesta terça-feira (17).

Dois anos após o primeiro caso da doença na capital paulista, praticamente toda a população com mais de 18 anos já está pelo menos parcialmente imunizada.

O SoroEpi MSP é um projeto de monitoramento de soroprevalência que reúne cientistas de instituições como a Universidade de São Paulo (USP) e a Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). O inquérito de saúde é financiado pelo Instituto Semeia, o Laboratório Fleury, o Ipec (antigo Ibope) e o Instituto Todos pela Saúde (ITpS).

De acordo com o levantamento, 79,1% da população adulta possui anticorpos contra a nucleoproteína Sars-CoV-2, o que indica que entraram em contato com o vírus; quer tenham desenvolvido a doença ou não.

Em relação aos cerca de 2 milhões de casos oficialmente registrados na cidade, a pesquisa aponta que o total de infectados desde 2020 é quase quatro vezes maior. Em relação à etapa anterior do estudo, isso representa acréscimo de 26,3%.

A análise também mostrou que 96,3% da população adulta têm anticorpos neutralizantes, que são capazes de bloquear a entrada do vírus nas células e resultado da vacinação.

Em relação a setembro de 2021, o aumento foi de 14,5%. No mesmo período, a população não vacinada diminuiu de 4,1% para 1,8%.

– Estamos entrando numa fase em que o importante é continuar vacinando. O risco é parar de imunizar, que é o grande problema de outras doenças – disse o biólogo e colunista do Estadão, Fernando Reinach.

Ele participou do projeto sobre a doença. Dos participantes dessa fase da pesquisa, 98,2% declararam ter tomado pelo menos a primeira dose da vacina contra a Covid-19, e 91% afirmaram ter recebido duas ou três doses do imunizante. Anticorpos contra a nucleoproteína ou neutralizantes foram encontrados em praticamente todos esses indivíduos.

NOVAS VARIANTES
Uma pesquisa recente da USP e do Hospital Sírio-Libanês, no entanto, aponta que novas variantes do coronavírus capazes de enganar o sistema imunológico e mais transmissíveis devem surgir nos próximos meses.

Publicado na revista Viruses, o estudo alerta que essa é uma alta probabilidade e aumenta com a grande circulação do coronavírus, propiciada pela retomada do contato social. Não é possível afirmar que a letalidade menor apresentada pela Ômicron deve ser mantida.

Para o infectologista Celso Granato, do Fleury Medicina e Saúde e da Unifesp, os resultados da prevalência não podem servir para que a população deixe de se proteger.

– A grande vantagem da vacina é que ela modula a expressão da doença – falou.

Ele defendeu ainda que apesar de o uso de máscaras não ser mais obrigatório, a pandemia não acabou.

– Ainda morrem 130, 140 pessoas por dia no país – disse.

PANDEMIA
Desde o começo da pandemia, mais de 664 mil pessoas morreram no Brasil. O número de infectados passa dos 30 milhões.

Os dados diários do Brasil são do consórcio de veículos de imprensa formado por Estadão, G1, O Globo, Extra, Folha de S.Paulo e UOL em parceria com 27 secretarias estaduais de Saúde, em balanço divulgado às 20h. Segundo os números do governo, 29,7 milhões de pessoas se recuperaram da doença desde o início da pandemia no país.

A coleta de amostras do SoroEpi MSP foi feita entre os dias 31 de março e 9 de abril, quando haviam sido registrados em São Paulo 1.917.503 casos positivos de infecções e 42.120 mortes. Foram entrevistadas 936 pessoas.

Os pesquisadores dividiram a cidade em dois estratos: com maior e menor renda média, sendo que cada um deles corresponde a cerca de metade da população adulta do município. A frequência de pessoas com anticorpos contra nucleoproteína nos bairros mais pobres foi superior à observada nas áreas mais ricas, totalizando 84,7% e 72,9% respectivamente. Essa diferença não foi observada na soroprevalência de anticorpos neutralizantes. Os mais pobres se infectaram mais na cidade do que os mais ricos. Em relação à vacinação os índices são similares entre os dois estratos.

*AE

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