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Câncer: Saiba mais sobre a doença e como se prevenir

Casos como o do prefeito de São Paulo, Bruno Covas, alertam sobre cuidados e estudo de diagnóstico

Rafael Ramos - 12/12/2019 13h22

Quase 600 mil casos de câncer foram descobertos em 2018 Foto: Reprodução

Um levantamento feito pelo Instituto Nacional do Câncer (Inca) mostrou que quase 600 mil novos casos de câncer foram registrados no Brasil só em 2018. De acordo com o Ministério da Saúde, existem mais de 100 tipos da doença, que consiste em um crescimento desordenado de células causado por algum dano aos genes e que podem invadir outras áreas do corpo formando células anormais.

Desses tipos, o de maior incidência no Brasil é o câncer de pele. A Sociedade Brasileira de Dermatologia confirma que há cerca de 180 mil novos casos ao ano. Entretanto, as chances de cura são de 90%, quando descoberto no início.

Um exemplo foi o do técnico do Vasco, Vanderlei Luxemburgo, que foi submetido a uma cirurgia, em novembro deste ano, para retirar um tumor na região do nariz. A descoberta veio após um procedimento de retirada de três pintas do nariz para a realização de biópsia. Como o tumor se mostrou pequeno durante a operação, não foi preciso mexer na cartilagem.

Vanderlei Luxemburgo passou por cirurgia para retirar tumor no nariz Foto: Reprodução

Consultado pelo Pleno.News, o chefe do serviço de oncologia do Hospital São Vicente de Paulo, que fica na zona leste da cidade do Rio de Janeiro, e diretor do Centro de Transplante de Medula Óssea do Inca, Decio Lerner, explica quais os fatores determinam o desenvolvimento da doença e se ela é realmente hereditária.

– Existem alguns fatores que aumentam o risco, como exposições do meio ambiente, tais como radiação ultravioleta por exposição ao sol , alguns produtos químicos e também ligado ao estilo de vida, como uso do tabaco, excesso de álcool. Alguns vírus, como o vírus da hepatite B e C, além do vírus HPV, também aumentam o risco de desenvolver a doença. Agora, o câncer pode ser hereditário, isto é, mutações em alguns genes podem passar de pai para filho, ocasionando o câncer em vários membros da família. Parentes de pessoa com câncer podem tem maior risco, principalmente se ocorreu numa idade mais jovem.

Como forma de prevenir a doença, Decio aconselha a adoção de uma vida saudável. O diretor do Inca sugere a prática de atividade física e evitar o fumo, obesidade e consumo excessivo de álcool. Em relação ao tratamento, ele orienta que o tipo de câncer vai determinar o método terapêutico para a doença.

– Muitos cânceres são curados apenas com a cirurgia, outros requerem quimioterapia e radioterapia. Alguns tipos, como o câncer de canal anal podem ser curados somente com quimio e radioterapia.

Coordenador de oncologia da Santa Casa de São José dos Campos, no estado de São Paulo, o doutor Andre Prestes de Moraes reforça que, além do tipo de câncer, o estágio da doença também vai determinar na hora de especificar o tratamento.

– Em relação aos tratamentos, pode ser feito quimioterapia, hormonioterapia, radioterapia e cirurgia. Por exemplo: em um câncer de mama que já está muito avançado, a gente prefere fazer a quimioterapia prévia, que se chama neoadjuvante. Depois faz a quimioterapia, o tumor regride e fazemos a cirurgia. Depois, fazemos a radioterapia e, dependendo do tipo de tumor, que vê pela imuno-histoquímica, aí podemos determinar a hormonioterapia – resumiu o oncologista.

Foi o caso do prefeito de São Paulo, Bruno Covas, diagnosticado com um câncer no trato digestivo em outubro. Após passar por três sessões de quimioterapia, os médicos decidiram que ele irá passar por mais cinco sessões de quimio. Em uma coletiva de imprensa, realizada nesta segunda-feira (9), a junta médica informou que a endoscopia mostrou um processo de fibrose e cicatrização no local do tumor, indicando que o corpo reagiu bem. Entretanto, isso não significa que não existam mais células cancerígenas. Os exames ainda indicaram que a lesão no fígado, que havia entrado em metástase, encolheu.

Médicos demonstraram otimismo em recuperação de Bruno Covas Foto: Reprodução

Além do tratamento adequado, o doutor Decio Lerner acredita que a fé e a família são fundamentais para quem enfrenta a doença.

– A ajuda de amigos e familiares é muito importante nessa fase, tanto no apoio psicológico, como na ajuda para cuidados diários. As pessoas que têm fé parecem enfrentar melhor a doença e passam por ela com mais facilidade.

E tem sido a fé que tem ajudado a cantora e pastora Ludmila Ferber. Diagnosticada com um câncer agressivo no pulmão, com metástases no fígado e ossos, ela disse em entrevista à revista Veja que Deus tem sido seu suporte para encarar a situação desde maio de 2018.

– Os exames são um fato, mas vivo numa realidade paralela: eu me sinto forte como uma leoa, continuo viajando, fazendo apresentações musicais em igrejas, no Brasil e lá fora. (…) O câncer é no pulmão, mas não desisti de cantar por causa dele.

Pastora Ludmila Ferber enfrenta câncer desde 2017 Foto: Reprodução

Para o oncologista Andre Prestes, a fé ajuda o paciente a encarar a batalha diária representada pela doença.

– Acho que a família e a fé ajudam muito o paciente, que, tendo o suporte familiar e o religioso, consegue vencer muito mais fácil a batalha. Há muitos efeitos colaterais durante o tratamento, então, quando a pessoa tem um suporte, ela consegue vencer mais fácil e evita atraso de ciclos. Ela consegue fazer o tratamento proposto da forma mais correta possível – finaliza.

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