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Entenda por que fisiculturistas usam insulina e quais os riscos

Prática ganhou repercussão após morte de Gabriel Ganley

Thamirys Andrade - 25/05/2026 13h25 | atualizado em 25/05/2026 14h13

Gabriel Ganley Foto: Frame de vídeo / YouTube

Originalmente usada para o tratamento da diabetes, a insulina tem sido utilizada ilegalmente no fisiculturismo como anabolizante para o ganho de massa muscular. O debate em torno da prática ganhou repercussão após a morte do fisiculturista Gabriel Ganley, aos 22 anos.

O hormônio atrai atletas saudáveis porque ele estimula a síntese de proteínas e o acúmulo de gordura. Além disso, ele costuma ser combinado com o uso de esteroides e hormônio do crescimento (GH).

O principal risco imediato é a hipoglicemia grave. Diferentemente do hormônio produzido pelo pâncreas, a versão injetada age de forma contínua e independente dos níveis de açúcar no sangue.

Se o atleta estiver em restrição calórica ou fizer treinos intensos, a glicose pode cair a níveis críticos, privando o cérebro de energia. Esse quadro pode levar a tremores, taquicardia, confusão mental, convulsões, coma e morte súbita.

O perigo aumenta porque a insulina recombinante é praticamente invisível nos exames antidoping tradicionais, já que ela desaparece do sangue em poucos minutos e é igual à substância natural do organismo.

Além dos riscos cerebrais, a combinação da insulina com outros substâncias proibidas cria um coquetel devastador para o sistema cardiovascular. O uso combinado com anabolizantes engrossa o sangue, aumenta a pressão arterial e destrói o colesterol bom. Ao mesmo tempo, o treino de força sobrecarrega o coração, expondo o atleta a risco de arritmias fatais e infartos.

O Conselho Federal de Medicina e a Anvisa proíbem o uso dessas substâncias para fins estéticos.

MORTE DE GANLEY
O debate em torno da prática aumentou após a morte de Gabriel Ganley, pois ele mesmo já havia relatado episódios de hipoglicemia nas redes sociais. Seu atestado de óbito divulgado nesta segunda-feira (15) mostra que a morte súbita foi causada por cardiomiopatia hipertrófica no coração.

A doença torna o músculo do coração espesso e dificulta o bombeamento de sangue e relaxamento do órgão. Segundo especialistas, trata-se de um problema hereditário que pode ser agravado pelo uso excessivo de anabolizantes.

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