Após caso da leoa, esquizofrenia vira pauta sobre saúde mental
Rapaz com 19 anos e portador da doença morreu ao entrar em jaula de felina
Pleno.News - 04/12/2025 14h22 | atualizado em 04/12/2025 16h42

O país voltou a discutir saúde mental, depois da repercussão do caso envolvendo um jovem, de 19 anos, que entrou na área de uma leoa em um zoológico de João Pessoa (PB) e morreu após o ataque. O episódio reacendeu a necessidade de ampliar a compreensão sobre transtornos psiquiátricos graves e de fortalecer o acesso a tratamento contínuo, especialmente entre pessoas que enfrentam vulnerabilidades sociais e interrupções no cuidado.
Um estudo realizado por pesquisadores da Unifesp, da USP e da UFPR, divulgado pela Uniad, identificou que cerca de 547 adultos brasileiros convivem com esquizofrenia, número que representa 0,34% da população.
Foram analisados dados da Pesquisa Nacional de Saúde de 2019 e encontrado maior prevalência entre homens de 40 a 59 anos, com baixa escolaridade e renda, e residentes em áreas urbanas.
Para o dr. Edson Kruger Batista, psiquiatra da ViV Saúde Mental e Emocional na unidade do Espírito Santo, os dados reforçam a complexidade do transtorno e a importância de observar o contexto em que o paciente está inserido.
O especialista afirma que a esquizofrenia é um transtorno que afeta a forma como a pessoa percebe e interpreta a realidade e explica que essa alteração interfere na consciência, na linguagem, nas emoções e no comportamento. Ele destaca que sintomas como alucinações auditivas, delírios, pensamento desorganizado e retraimento social podem variar conforme a fase da doença.
O médico explica que a esquizofrenia tem origem multifatorial. Segundo ele, há influência genética importante, mas fatores ambientais podem atuar como desencadeadores como, vivências traumáticas, uso de substâncias psicoativas, estresse crônico e ausência de suporte social, aumentando potencialmente o risco da manifestação da doença.
– É fundamental entender que a esquizofrenia não reflete apenas uma alteração cerebral isolada, ela envolve a história de vida da pessoa e as condições em que essa vida acontece. A combinação entre vulnerabilidade biológica e ambiente adverso aumenta o risco de crises e dificulta a recuperação – afirma o especialista da ViV.
DIAGNÓSTICO PRECOCE E CONTINUIDADE DO TRATAMENTO FAVORECEM A ESTABILIDADE
De acordo com o psiquiatra, o acompanhamento contínuo é decisivo para o prognóstico. Ele explica que o tratamento inclui medicamentos antipsicóticos, psicoterapia e suporte psicossocial e que a regularidade do cuidado costuma ser determinante para prevenir recaídas.
– Quando o tratamento é iniciado de forma precoce e mantido ao longo do tempo, vemos uma melhora expressiva na estabilidade emocional e na funcionalidade. Muitos pacientes conseguem estudar, trabalhar e manter vínculos afetivos com autonomia – explica o médico.
O especialista comenta que existe indicação de internação em situações específicas. Ele afirma que quando há risco para o próprio paciente ou quando a desorganização mental impede a adesão ao cuidado ambulatorial, a internação pode oferecer um ambiente seguro para reorganizar o tratamento. Segundo ele, esse recurso deve ser entendido como parte do cuidado e não como punição ou isolamento.
Dr. Batista comenta ainda que algumas pessoas têm dificuldade de seguir o tratamento com comprimidos todos os dias e que, nesses casos, os medicamentos de longa duração ajudam a manter a estabilidade.
– Essa estratégia costuma ser muito útil para quem não tem uma rede de apoio próxima ou vive em condições sociais mais vulneráveis – detalha.
O QUE PODE AJUDAR NA PROTEÇÃO E NA RECUPERAÇÃO
Na visão do especialista, o fortalecimento das redes de cuidado é essencial para evitar desfechos graves e garantir dignidade às pessoas com transtornos psicóticos. Ele explica que políticas públicas que integrem saúde mental, assistência social e atenção primária ajudam a reduzir vulnerabilidades e facilitam o acesso ao tratamento.
– Quando o paciente tem acompanhamento regular e uma rede que o apoia, as chances de estabilidade e autonomia aumentam muito. A informação qualificada também faz diferença, porque reduz preconceitos e facilita o reconhecimento dos sinais de alerta – afirma o médico.
O especialista conclui que ampliar o debate público sobre esquizofrenia contribui para que mais pessoas recebam diagnóstico precoce e cuidado adequado.
– Aqui, o objetivo deve ser criar um ambiente de acolhimento e compreensão para que pacientes e famílias possam enfrentar a doença com segurança e perspectivas de vida mais estáveis – finaliza.
* Confira às terças e quintas-feiras às 15h30 o quadro Dicas de Saúde e Beleza na Rádio 93 FM.

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