Apneia do sono: Entenda o que fez Bolsonaro parar de respirar
Doença afeta milhares de pessoas, mas é subnotificada
Leiliane Lopes - 29/12/2025 20h01 | atualizado em 30/12/2025 13h55

O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) parou de respirar 514 vezes em apenas uma noite na prisão, segundo informações de um laudo apresentado pelos seus advogados ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) antes da autorização para cirurgias. O documento diz também que o líder da direita teve 470 apneias do sono que se estenderam entre dez e 25 segundos.
A apneia do sono é uma doença que afeta milhões de pessoas em todo o mundo. O número exato é desconhecido, pois a maioria não recebeu o diagnóstico correto, gerando subnotificação do problema.
O Instituto do Sono explica que o problema é, muitas vezes, identificado quando o companheiro de quarto relata ronco intenso e frequente, que piora quando se dorme de barriga para cima ou após consumo de álcool. Junto ao ronco há relatos de pausas da respiração durante o sono, engasgos noturnos, respirar de boca aberta, acordar com frequência e sono inquieto.
O caso é tão grave que, por causa dos roncos intensos, o companheiro chega a dormir em outro cômodo por conta do incômodo. Enquanto isso, a pessoa que tem apneia do sono costuma se queixar de sono fora do horário (por não conseguir dormir bem durante a noite), além de citar outros sintomas como alterações no humor e redução da memória.
Existem vários níveis do distúrbio, que pode se apresentar de forma leve, moderada ou acentuada. Para confirmar o diagnóstico, são necessários alguns exames como a polissonografia Tipo 2 que é realizada em laboratórios, onde o sono do paciente é monitorado. Já o Rastreio Apneia Tipo 3 pode ser feito pelo próprio paciente em sua casa.
GRUPOS DE RISCOS, COMPLICAÇÕES E TRATAMENTOS
Bolsonaro faz parte do grupo de risco por causa da idade e também por ser do sexo masculino. Mulheres na menopausa também fazem parte deste grupo, assim como obesos e pessoas que ingerem bebidas alcoólicas antes de dormir. Pessoas magras e até mesmo crianças podem sofrer com apneia do sono, pois a doença pode estar também associada ao aumento das amígdalas e das adenoides.
– É importante procurar um médico no caso de apresentar algumas das manifestações descritas, a fim de realizar o diagnóstico e tratamento adequados – diz o Instituto do Sono.
Não procurar ajuda médica pode agravar o problema e já há estudos que ligam a apneia do sono a problemas cardíacos, como o Pleno.News mostrou recentemente.
– Fadiga e sonolência diurna, problemas cardiovasculares como hipertensão arterial, infarto do miocárdio, acidente vascular cerebral (AVC) e arritmias cardíacas. Pode provocar diabetes tipo 2, ganho de peso, problemas cognitivos e de humor, dificuldades de concentração, perda de memória, irritabilidade, ansiedade e depressão são comuns – disse a pneumologista Fernanda Miranda, que atende no centro clínico do Órion Complex, em Goiânia (GO).
Ainda de acordo com a especialista, a doença pode ser tratada com cirurgia, assim como com mudanças no estilo de vida.
– Por exemplo, quando uma pessoa obesa emagrece muito, pode eliminar completamente a apneia. Crianças com amígdalas aumentadas podem se curar após cirurgia, mas em muitos casos é uma condição crônica que exige tratamento contínuo. Mesmo assim, o tratamento costuma melhorar muito a qualidade de vida e prevenir complicações graves – completa.
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