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Reitor do ITA fala do valor da instituição na área aeroespacial

Doutor Anderson Correia concedeu entrevista para abordar alguns aspectos sobre a área de ciência e tecnologia

Virgínia Martin - 03/03/2021 11h00 | atualizado em 03/03/2021 11h52

Anderson Correia é um cientista cristão, com mestrado e doutorado

Com seus 70 anos de criação, recém-completados, o Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA) tem cumprido seu papel educacional. Em sua missão estratégica para o país, vem contribuindo como uma grande instituição universitária pública e como centro de pesquisa e desenvolvimento, sendo ligado ao Comando da Aeronáutica (COMAER).

Hoje, o instituto demonstra seu pleno progresso com a consolidação dos cursos de pós-graduação, de mestrado e de doutorado, especializados nas áreas de ciência e tecnologia no Setor Aeroespacial. Subordinado ao Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial (DCTA), o ITA está localizado no campus do DCTA, na cidade paulista de São José dos Campos (SP).

O reitor do ITA é um homem bem preparado: o professor doutor Anderson Ribeiro Correia, graduado em Engenharia Civil e mestre em Engenharia de Infraestrutura Aeronáutica pelo próprio ITA. Ele cursou também o doutorado em Engenharia de Transportes pela University of Calgary, no Canadá.

Convidado pelo Pleno.News, o doutor Anderson Correia, um cientista cristão, concedeu esta entrevista para abordar alguns aspectos sobre esta área de ciência e tecnologia. Atualmente, ele é membro do Conselho de Administração da Organização Brasileira para o Desenvolvimento Científico e Tecnológico do Controle do Espaço Aéreo (CTCEA), do Comitê Transportation Research Board – USA e do Conselho Deliberativo da Associação Nacional de Pesquisa e Ensino em Transportes (ANPET).

“Também fazemos ‘parte’ da base industrial de defesa, que comercializa e alavanca tecnologia produzida”

Quais as principais diferenças entre o ITA dos anos 40 e o ITA de hoje, em meio a um cenário político, econômico, científico e tecnológico tão diferente no passado?
Na década de 1940, o Brasil era incipiente tecnologicamente. Havia muito menos escolas de engenharia em relação ao que temos hoje, e a vasta maioria delas era voltada apenas para oferecer cursos de graduação.

Apenas em 1960 foi que iniciamos os primeiros programas de mestrado e doutorado em engenharia no país, sendo que o ITA também foi pioneiro nesta oferta. Lembrando que todo o cluster aeroespacial e de defesa de São José dos Campos só foi criado após o estabelecimento do ITA.

Por falar em tecnologia e ciência, quais têm sido as principais inovações tecnológicas feitas pelo ITA e em que áreas elas podem ser usadas, além da aeroespacial?
O ITA já formou mais de 13 mil engenheiros, mestres e doutores. Boa parte de nossos ex-alunos vai trabalhar em organizações de pesquisa e desenvolvimento da Força Aérea Brasileira, do Ministério da Ciência e Tecnologia (como o INPE) e da indústria nacional.

Projetos gerados nessas instituições incluem o satélite de observação da Amazônia, lançado recentemente na Índia, o qual permitirá o controle do desmatamento na floresta Amazônica. [Tais projetos] Integraram a comitiva de lançamento vários ex-alunos e colaboradores nossos, incluindo o Ministro da Ciência e Tecnologia, Marcos Pontes, e o Presidente da Agência Espacial Brasileira, Carlos Moura.

Projetos gerados nessas instituições incluem o satélite de observação da Amazônia, lançado recentemente na Índia

O ITA é ligado ao Ministério da Defesa, e não ao Ministério da Educação. De que forma isso traz maior vantagem à missão da escola.
Por estarmos integrados ao Ministério da Defesa, nós nos beneficiamos de fazer parte de um complexo que envolve institutos de desenvolvimento tecnológico, como o IAE (Instituto de Aeronáutica e Espaço) e o IEAv (Instituto de Estudos Avançados), os quais produzem a tecnologia gerada por meio da educação e ciência geradas no ITA.

Também fazemos “parte” da base industrial de defesa, que comercializa e alavanca a tecnologia produzida. Em suma, fazemos parte de uma cadeia de sucesso envolvendo Embraer, Avibrás, Akaer e tantas outras empresas de defesa.

Mas também estamos ligados ao MEC por diversos acordos de cooperação, por meio da CAPES, INEP e Secretaria de Educação Superior.

Nos dias de hoje, como o senhor tem percebido o nível de preparo dos alunos de graduação e de pós-graduação que ingressam no ITA?
Muito bom, pois nosso vestibular é muito exigente, com 10 mil candidatos para nossas 150 vagas. E, na pós-graduação, geralmente recebemos alunos do próprio ITA ou de outras escolas com elevada qualidade que também possuem vestibulares exigentes, como USP, Unicamp, UNESP e UNIFESP.

É verdade que o ITA possui um código de honra entre os alunos? Aborde este diferencial de conduta.
Sim, existe uma autorregulação entre nossos alunos, de modo que não é necessário que o professor tenha que vigiar integralmente todas as suas atividades.

Existe uma instância de controle da disciplina e da ordem no seio do Centro Acadêmico Santos Dumont (diretório de nossos alunos) que verifica vários aspectos.

Claro que excessos são avaliados por meio da Divisão de Assuntos Estudantis do ITA. Mas, em geral, nossos alunos trabalham muito bem a disciplina consciente, estabelecida desde nossa criação.

 

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