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Vereadora Gabriela Rodart, que protocolou ação contra TV da Globo, fala sobre suas pautas conservadoras

Monique Mello - 09/02/2021 12h29 | atualizado em 09/02/2021 14h33

Gabriela Rodart se declara conservadora e de direita
Gabriela Rodart se declara conservadora e de direita Foto: Reprodução

Aos 24 anos, a goianiense Gabriela Rodart (DC) é a vereadora mais jovem a ser eleita em Goiânia. Com a campanha mais barata entre todos os eleitos, obteve 3.476 votos e foi eleita para o seu primeiro mandato, nas eleições de 2020.

Fora de Goiás, Gabriela ficou mais conhecida por sua oposição ao uso obrigatório de máscaras como forma de proteção contra a Covid-19. Inclusive, acionou o Ministério Público contra os apresentadores da TV Anhanguera, da Rede Globo, por não usarem o item em estúdio.

Em entrevista ao Pleno.News, a vereadora tece críticas à incoerência da mídia, defende o retorno das aulas presenciais nas escolas, fala sobre o conservadorismo em Goiânia e sua relação com os colegas da Câmara Municipal.

Você ainda pensa que o uso da máscara pode ser dispensável? Como tem analisado isso diante de uma nova onda do coronavírus?
Não só eu, como a Organização Mundial de Saúde (OMS) também pensa que o uso de máscaras pode ser dispensável. A OMS, por exemplo, recomenda que as máscaras jamais devem ser utilizadas durante a prática de exercícios físicos, exceção que nossa lei municipal não contempla. A própria OMS também só passou a recomendar o uso de máscaras em setembro do ano passado, após ser pressionada por governos.

Além disso, diversos defensores da “ciência” são constantemente flagrados sem máscara. Todos estes, em um momento ou outro, acreditam que a máscara é dispensável. A minha diferença é que eu não acho que a população deva ser constrangida e obrigada a utilizar uma máscara. Cabe a cada cidadão decidir sobre a sua utilização, principalmente quando os dados sobre a eficácia da mesma são tão inconsistentes.

Você diz que a mídia costuma ser incoerente. Quais as principais incoerências que tem verificado em muitos veículos?
Quando os primeiros decretos sobre “atividades essenciais” começaram a aparecer, a mídia começou um lobby para que a atividade da imprensa fosse declarada como essencial. No entanto, [os negócios exercidos por] pequenos comerciantes, pais e mães de família foram tratados como dispensáveis, e eles impedidos de prover o sustento aos seus filhos, ao mesmo tempo que eram constrangidos e perseguidos pela mídia, caso ousassem trabalhar.

Não vejo como uma redação de jornal pode ser essencial e uma lanchonete não. Além disso, há o fato de que TODOS os apresentadores se recusam a usar máscaras durante a transmissão de seus programas, desrespeitando à lei e à “ciência” que tanto defendem.

Eu não acho que a população deva ser constrangida e obrigada a utilizar uma máscara

Você também tem combatido a demagogia de muitos políticos. O que pensa que precisa melhorar na liderança pública?
A verdade é que há uma certa discrepância entre o que os políticos pensam e o que a população pensa. Ressalvadas algumas exceções, o sentimento no meio político é de perpetuação no poder, não de propor soluções efetivas.

É algo difícil de mudar, pois está enraizada na própria política brasileira. A sintonia [política] com o cidadão que nos elegeu deve ser buscada a todo instante, não há como liderar sem conhecer quem estamos liderando.

Não vejo como uma redação de jornal pode ser essencial e uma lanchonete não

Você recebeu apoio de seus colegas vereadores em suas medidas ou recebeu críticas?
Posso dizer que [recebi apoio] sim. É óbvio, há vereadores eleitos que já esperávamos que seriam completamente contra o nosso projeto. Mas, no geral, o rótulo de radical e intransigente que a mídia tentou colar em mim não funcionou.

Fui muito bem recebida pela maioria dos meus colegas. Eles se mostraram dispostos a ouvir minhas posições. Também estou aberta a críticas. Quero escutar e falar para todos… e que as melhores ideias vençam.

Gabriela ao 'enquadrar' a Rede Globo pelo uso de máscara
Gabriela ao “enquadrar” a Rede Globo pelo uso de máscara Foto: Reprodução

Como vereadora eleita com grande número de votos e sendo ainda tão jovem, o que você tem como perspectiva para o seu trabalho diante de um país tão dividido e enfraquecido politicamente?
Fiquei muito feliz com a quantidade de votos recebidos. Não tenho padrinhos políticos nem um nome famoso. E fiz a campanha mais barata da história da Câmara Municipal de Goiânia. Mas [eu] estava nas ruas todos os dias, conversando com as pessoas, buscando não somente escutá-las, mas compreendê-las. E meu trabalho será orientado pelo que absorvi destas pessoas e pautado sempre por Deus e pela busca da verdade.

O rótulo de radical e intransigente que a mídia tentou colar em mim não funcionou

Como avalia Goiânia (governo e população) perante a pandemia?
Respeito o ex-prefeito Iris pela sua história de dedicação à nossa cidade. Dito isso, sua gestão foi falha na forma como lidou com esta crise econômica e sanitária. Goiânia praticamente seguiu sem contestar as coordenadas do governador Ronaldo Caiado, que se mostraram incrivelmente autoritárias e baseadas em estudos que erraram suas previsões de forma grotesca.

Além disso, a antiga secretaria municipal de saúde atuou de forma extremamente arrogante, fechando-se aos apelos da população. Posso dizer que a situação só não foi pior em razão dos cidadãos que tiveram coragem de enfrentar a falta de noção dos administradores.

Qual sua posição diante das últimas medidas do Centro de Operações de Emergências de Goiás (a lei seca e aulas presenciais com limite de 30% dos alunos)?
Já nos encontramos com o atual Secretário de Saúde do Município, Durval Ferreira, e entregamos a ele uma compilação de mais de 50 estudos, pesquisas e manifestos médicos que embasam o retorno seguro às aulas. A mesma compilação foi entregue ao prefeito Rogério Cruz. É provavelmente a maior base de dados já apresentado ao Executivo relacionado a este assunto.

Ambos se mostraram simpáticos ao retorno presencial, mas receosos em relação ao desenrolar do processo. Sei que parte do sindicato dos professores tem atuado de forma a impedir este retorno. Mas não há amparo científico para impedir a volta às aulas.

Quanto à Lei Seca, temos atuado com ações quase que diárias para que o decreto seja anulado. Conseguimos a flexibilização dos horários, mas não iremos parar até que os pequenos comerciantes parem de ser punidos.

Não há amparo científico para impedir a volta às aulas

Como vê e avalia a representatividade conservadora na política de Goiânia?
Goiânia é uma cidade cuja população é extremamente conservadora. Jair Bolsonaro foi eleito aqui com 74% dos votos. No entanto, na Câmara Municipal, pouquíssimos representantes se declaram conservadores. Talvez pela carga negativa que a imprensa atribuiu ao termo nas últimas décadas, alguns políticos ainda associem conservadorismo com extremismo. Mas a verdade é que, sempre que me reúno com meus colegas vereadores e explico minhas posições, vejo que muitos deles concordam com o que eu penso e nem se davam conta disso.

A esquerda progressista com suas políticas divisivas e identitárias costuma ter muito pouco sucesso em Goiânia, e farei de tudo para que continue assim. Meu objetivo junto com a Frente Conservadora de Goiânia é trabalhar para que o conservadorismo da população de Goiânia se reflita em seus representantes.

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