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Pastor do JesusCopy fala de jovens e seus questionamentos

Fundador do movimento JesusCopy, pastor Douglas Gonçalves, esclarece algumas dúvidas

Rafael Ramos - 08/02/2019 16h20 | atualizado em 08/02/2019 20h59

Pr. Douglas Gonçalves, do JesusCopy Foto: Reprodução

Com mais de 800 mil inscritos em seu canal no YouTube, o pastor Douglas Gonçalves se tornou uma das referências de liderança cristã para a juventude das igrejas. Aos 30 anos, ele é líder da Igreja Família JesusCopy, em Bragança Paulista. Casado com Valeria Gonçalves, ele é pai de Luisa, de 7 anos, e Davi, de 5.

Fundador do movimento JesusCopy, ele trabalha a visão de que “fomos criados para ser uma cópia de Jesus e nada vai nos impedir de cumprir esta missão”. Com o sonho de ver uma geração que se pareça com Jesus, o youtuber, que é pastor há cinco anos e filiado à Igreja Família Debaixo da Graça, conversou com o Pleno.News e esclareceu os principais temas que rondam a mente do jovem cristão.

 

Quais são os principais questionamentos que os jovens levam ao senhor?
Creio que o primeiro de todos esteja relacionado a algum pecado que esteja prendendo este jovem. Pecados sexuais e pornografia aparecem bastante. Um outro questionamento que vejo muito é sobre o chamado, o propósito de vida. Eles perguntam: “Como faço para descobrir meu chamado? Como faço para saber para que nasci? Estou na área profissional certa? São temas que aparecem bastante.

Como é ser pastor de jovens e qual o maior desafio de lidar com essa faixa etária?
O maior desafio é que você tem que estar sempre se atualizando. Tem que falar a linguagem deles e tal. Eu, por exemplo, tenho dificuldade de alcançar adolescentes, porque eles já têm uma linguagem própria. Preciso pensar com a cabeça deles e não com a minha. Eu já sou pai, casado, tenho que me adaptar para alcançá-los com maior eficácia.

Como o jovem faz para descobrir qual é o seu chamado?
Duas coisas: primeiro ele tem que se envolver com a obra, com as coisas de Deus. “Ah, mas querem que eu limpe o banheiro”. Vá e limpe! “Querem que eu ajude no som”. Vá e ajude! “Querem que eu fique com as crianças”. Vá e fique! Procure se envolver com várias coisas. E conforme você vai se envolvendo, você vai se encontrando. Não se preocupe de não acertar já na primeira. Mas vá vendo o que mais queima no seu coração, no corpo de Cristo. O que mais queima quando você vai para a igreja? O que mais se destaca para você? É o louvor? É a pregação? São as crianças? Mídia social? É a organização? A administração? Repare nisso!

E uma segunda coisa muito importante é se aprofundar no relacionamento com Deus porque foi Ele que criou você e é Ele quem vai falar a razão pela qual criou você. Se eu quero saber para que serve o iPhone, tenho que falar com o cara que criou o iPhone porque ele vai falar “foi pra isso”. Às vezes, a gente está desperdiçando um monte de função do iPhone porque não sabe para que ele foi criado. Se você tiver contato com o seu Criador e se aprofundar nesse relacionamento, Ele vai te contar para que você está aqui, e o porquê de você estar vivo nessa geração.

Como lidar com o conflito de gerações dentro da igreja?
É compreender que mais importante que a forma e o método é o porquê. O porquê é inalterável. Nós estamos ali para a glória de Deus, para estabelecer o Reino de Deus. O velho não pode ficar preso à forma e ao método porque eles mudam, se alteram. “Se não for feito desse jeito, é errado”. Não. Se o porquê não for a glória de Deus, não for Jesus a ser pregado, aí tá errado. Agora, se vai ser com microfone, sem microfone, com bateria, sem bateria, com fundo preto, com fundo branco, é indiferente. O que não pode mudar é a mensagem e o porquê estamos ali.

E o mais novo é a mesma coisa. Se você está tocando uma música antiga, não deve ter problema algum. A mensagem continua sendo a mesma? Tá alinhado? Então, legal. A gente tem que honrar os mais velhos porque foram eles que nos trouxeram aqui e os mais velhos têm que impulsionar os mais novos, amar os mais novos e saber que eles vão pegar o bastão.

Você falou de igreja preta, igreja branca e tem gente que fala que Jesus não usou estratégia para pregar o Evangelho. O que você acha dessa afirmação?
É uma colocação muito errada. Jesus contava parábola do que? Atuais? Não, era sobre agricultura. Ele não ia contar uma parábola de algo que não tinha surgido ainda, de um negócio de mil anos atrás. Ele usava o cotidiano, as plantas que eles tinham e tudo que era deles. Paulo era muito intencional. Ele foi no templo, viu um monte de deuses e viu um deus desconhecido. Ele pega aquilo para montar uma afirmação. Então, sim, nós temos que alcançar com o que é compreensível.

“Nós estamos ali para estabelecer o Reino de Deus” Foto: Reprodução

Como ser uma cópia de Jesus?
Sendo. É interessante isso! A nossa fala não é “Você precisa ser uma cópia de Jesus”. A nossa fala é “Você é uma cópia de Jesus”. Cristianismo não é uma mudança de comportamento em primeira instância, é uma mudança de mentalidade. Você precisa reconhecer quem é você agora em Cristo. Você precisa saber que é uma cópia de Jesus Cristo. Posso não estar me comportando como tal, mas a minha natureza, se eu nasci de novo, foi trocada. Então eu sou e vou renovando a minha mente.

O exemplo melhor que eu tenho é o seguinte: Você lembra do filme Mogli, o menino lobo? Ele é deixado na floresta e é criado pelos lobos. Mogli pensou que ele era um lobo. Ele andava de quatro, comia coisa de lobo e uivava. Um dia ele é levado para a civilização, para os humanos. Eu te pergunto: Ele tem que andar de pé para virar humano? Não, ele já é. Ele precisa entender que ele já é humano para andar com os dois pés.

O comportamento vem depois do entendimento, não antes. Você não precisa andar em santidade para ser santo. Você precisa compreender que você já é santo. Então, por que eu leio a Bíblia? Não é um ritual de ler a Bíblia que me abençoa, é a mudança de entendimento que me abençoa. Por que ouço pregação? Não é o ritual de ouvir pregação, é a mudança de entendimento. Por que eu jejuo? Para ficar mais sensível ao entendimento. Por que eu discipulo? Para mudar meu entendimento de quem eu já sou. Vocês são o sal da Terra, vocês são a luz do mundo. Não é “se tornem”. Vocês já são e, agora, comecem a manifestar quem vocês são. A arma que o diabo tem contra nós é a mentira e ele quer convencer que você não é cópia de Jesus.

Uma coisa que todo jovem pergunta: música secular.
Eu creio que nós temos que saber discernir conteúdo. Tem muita coisa na nossa cultura que tem a graça de Deus. Se eu estou cantando sobre amar o próximo, não precisa estar escrito Jesus para ser uma música que contém conteúdo do Reino de Deus. O que existe? Uma graça comum. Deus está sustentando todas as coisas, mesmo aquela pessoa que não aceitou a Jesus, que não entregou sua vida para Jesus, Deus está sustentando a vida dela, se não ela morreria. Ela tem a imagem de Deus e pode fazer algo que vem dessa imagem de Deus, porém, ela tem o coração caído.

Então você vai ouvir músicas que vieram de gente que tinham a imagem de Deus, mesmo não sendo um cristão. A gente tem que aprender a discernir muito bem isso. Você vai ter que saber os princípios bíblicos, saber os princípios do Reino de Deus e saber que existem músicas, antigas principalmente, que falavam “amem sua esposa, você é o amor da minha vida, sou apaixonado por você, quero passar minha vida como se não houvesse amanhã”. Ela está falando de um princípio do Reino de Deus. Isso está perfeito. Agora, se estou ouvindo uma música cristã que está falando de vingança, não é um princípio do Reino de Deus. Não é sobre um cristão que cantou ou não, é sobre o conteúdo. Tem que aprender a discernir.

Como lidar com as amizades não cristãs e ser uma boa influência para eles?
A gente foi feito para ser diferente deles, mas estar em contato com eles. O Sermão da Montanha dá um embasamento disso. Ele começa com as bem-aventuranças completamente de ponta-cabeça do nosso sistema. “Bem-aventurado os pobres de espírito”. Quando que pobre é bem aventurado? Só no Reino de Deus, que é de ponta-cabeça. “Bem-aventurados os que choram”. Quando que você vê alguém chorando e fala “Nossa, esse cara é feliz”? Só no Reino de Deus. “Bem-aventurados os mansos, bem-aventurados os que estão sendo perseguidos”. Então, você vê que é de ponta-cabeça.

Somos chamados para sermos completamente diferentes. Se o Sermão da Montanha parasse aí, nós teríamos uma religião de monges de monastério. Íamos fugir para as montanhas e viver escondidos lá. Só que não acaba aí. Na sequência, já para combater esse separatismo aí, ele fala “Vocês são o sal da terra, vocês são a luz do mundo”. Ou seja, nós somos completamente diferentes e é por isso que eu tenho que estar no mundo.

O sal serve para duas coisas: dar gosto e conservar, porque eles não tinham geladeira. Eu preciso estar em contato com esses amigos porque eu dou gosto, eu deixo o ambiente melhor e eu os conservo. Ser diferente é o motivo para estar perto deles. Se eu sou igual a eles, não dou gosto e não conservo. Mas, se sou diferente e não tenho contato, eu não mudo nada.

A crise da Igreja hoje é essa: a gente virou um sal sem sabor. A gente não altera a sociedade. A Igreja foi responsável pela primeira faculdade do planeta Terra. Nós só temos faculdade hoje porque a Igreja iniciou isso. O primeiro curso da história foi de Teologia. Quem estabeleceu os direitos humanos e o das mulheres foi a Igreja. Direitos iguais para todo mundo, cuidado com o deficiente, valorizar a criança e o idoso… Quem criou foi a Bíblia. A Igreja era sal, formou a Europa, formou a América. Hoje nós estamos irrelevantes. Se tirar a sua igreja da cidade, muda alguma coisa? Então, a gente ficou sem gosto. Mas, por quê? Por causa desse separatismo. Nós temos que ir e influenciar.

“Eu não fui feito pra ficar olhando para mim” Foto: Reprodução

Em relação ao namoro cristão, o casal pode viajar junto?
Eu não aconselho. A gente é carne, a gente vai ter tempo de viajar o tempo inteiro, não precisa apressar.

E tatuagem, a grande polêmica da Igreja?
Tem dois argumentos, né. Primeiro, o de Levíticos dizendo “Não marcarás o seu corpo”. Só que não tem como eu usar esse texto para esse argumento porque, na sequência, o versículo seguinte é “Não cortarás o cabelo da têmpora”. Então, se você não está fazendo tatuagem por causa desse texto, você está em pecado porque está cortando o cabelo da têmpora. Era para deixar crescer uma trancinha do lado da orelha. Não dá para usar esse texto. Por que o da tatuagem serve e o da têmpora não?

Outro argumento que usam a favor é que na coxa de Jesus está escrita uma frase. Aí falam “Mas Jesus tem uma tatuagem na coxa, então posso fazer”, mas o versículo seguinte fala que o olho dele é de fogo. Você vai fazer tatuagem e colocar fogo no seu olho? Então, não é literal, óbvio que é uma figura.

Então, tatuagem não é pecado. Segundo as Escrituras, não existe um versículo falando disso. Em Levíticos, estavam passando por meio de povos que marcavam-se ritualmente se consagrando a demônios, é outra história. Mas há algumas coisas a considerar. Primeiro: tome muito cuidado ao tomar uma decisão permanente na sua juventude porque não vai sair mais. O que você gosta agora, você vai gostar durante toda sua vida? Pense nisso.

Segundo: vai escandalizar os pequeninos, vai fazer as pessoas tropeçarem? Terceiro: suas autoridades te apoiam? São a favor? Seus pais, as pessoas que estão perto de você? Você vai ter que desonrá-las para isso? Algumas coisas têm que ser consideradas.

A gente ouve muitas pessoas dizerem que depressão é falta de Deus. Se é falta de Deus, como temos visto tantos deprimidos no meio cristão e com tantos pastores se suicidando?
Não é só falta de Deus, também é falta de gente. Nós não fomos criados para viver, fomos criados para conviver. Qual o problema dos pastores em sua maioria? Isolamento. Eles estão em uma posição na qual não podem se abrir com ninguém, eles têm que se parecer com super-homens e aí eles se isolam.

No momento em que eu me isolo e fico preso nas minhas ideias, eu tenho uma chance muito grande de entrar em um quadro de depressão ou de ansiedade. Por quê? Porque eu não fui feito para ficar olhando para mim. Pense agora, nesse momento que estamos conversando, eu consigo ver o seu rosto, mas não consigo ver o meu porque Deus não me criou para eu olhar para mim. Deus me criou para olhar para você e criou você para olhar para mim. No momento em que vivo olhando para mim, na síndrome da selfie, na síndrome do espelho, eu entro em um quadro desse porque não é natural diante da forma com que Deus nos criou. Esse é o problema da nossa geração: a gente é muito egocêntrico.

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