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“Felipe Neto não é referência para guiar outras pessoas”

Em entrevista ao Pleno.News, Nikolas Ferreira falou sobre conservadorismo, a importância da família e o apoio ao presidente Jair Bolsonaro

Henrique Gimenes - 29/07/2020 19h12 | atualizado em 29/07/2020 23h29

Nos últimos dias, se espalhou pelas redes sociais o vídeo em que um jovem conservador rebate críticas feitas pelo youtuber Felipe Neto sobre a atuação do presidente Jair Bolsonaro na pandemia de coronavírus. A gravação foi feita por Nikolas Ferreira, de 24 anos, que é estudante de direito e coordenador do Movimento Direita Minas.

No vídeo, Nikolas se mostrou um jovem bem articulado e, falando em inglês, apresentou contra-argumentos a tudo que foi apontado por Felipe Neto, que teve suas críticas publicadas pelo jornal The New York Times.

“Desmascarar” Felipe Neto, no entanto, não foi a única coisa de destaque realizada pelo jovem. Ele é bastante ativo nas redes sociais, em seu perfil do Instagram, e possui ainda seu próprio canal no YouTube. Suas publicações trazem conteúdo conservador para jovens.

Em entrevista ao Pleno.News, Nikolas Ferreira contou suas motivações para publicar o vídeo em que “desmascara” Felipe Neto. Ele também contou como se identificou como conservador, falou sobre o apoio ao presidente Jair Bolsonaro e relatou suas experiências no ambiente universitário brasileiro.

1 – O que o motivou a fazer a gravação para rebater o youtuber Felipe Neto?
R: O que me motivou a fazer esse vídeo foi ver que ele [Felipe Neto] estava contando mentiras internacionalmente e não tinha ninguém falando contra. Ninguém expondo as verdades. E aí ficou uma espiral do silêncio, onde ninguém fala o contrário e aí a voz dele passa a ser a verdade. Então minha maior motivação mesmo foi a levar verdade internacionalmente e não deixar que o nosso presidente e o nosso país fossem difamados.

2 – O que você pensa das opiniões políticas de Felipe neto?
R: Eu vejo que as pessoas confundem a capacidade de produção, [a capacidade] empresarial do Felipe Neto, e colocam a mesma competência para as opiniões políticas dele. Eu vejo que as opiniões políticas dele são extremamente fracas. Um cara que ataca a bolsa de valores e depois, em menos de um dia, já fala que estudou e reviu o conceito dele e mudou a opinião. Ou seja, essa é a pessoa que vai direcionar jovens, crianças, o seu público, à opiniões políticas sérias. Eu vejo que ele não é uma referência e não tem embasamento para não estar só falando, mas guiando outras pessoas nesse meio.

Nikolas Ferreira durante protesto em Brasília Foto: Reprodução

3 – Para outros jovens que ainda não se encontraram, você pode contar quando e como se identificou como conservador?
R: Acredito que o conservadorismo, por ele não ser uma ideologia, mas uma visão de mundo, eu me identifiquei quando passei a entender o valor da minha família. Que seja em um almoço de domingo, que quando não tinha, eu sentia falta. Vi depois, quando mais velho, a necessidade de ter essas conversas, ter esses embates. De ter os conselhos do pai, da mãe. O ensino. Acho que foi quando eu vi a importância da família em minha vida é que me identifiquei como conservador.

4 – Quanto ao apoio ao presidente Jair Bolsonaro, em que momento você se identificou com o presidente?
R: Eu me identifiquei com Jair Bolsonaro na famosa entrevista que ele deu. “É só você não matar, não roubar e não estuprar, que você não vai para lá [prisão]”. Os caras ferram a gente e a vida inteira e vamos passar a mão na cabeça dele? Tem que se ferrar e acabou. Foi aí que eu vi um cara sincero, vi um cara que falava tudo aquilo que a gente queria que um político falasse. Sempre senti muita sinceridade nele. Foi a partir desse vídeo que eu falei “poxa, o cara tem peito para falar isso na frente de todo mundo, então vou pesquisar sobre esse cara”.

5 – Você é coordenador do movimento Direita Minas. Pode contar como ele funciona?
R: Sim, sou coordenador do movimento. Ele funciona com vários núcleos ao redor de Minas todo. Então são mais de 60 núcleos. Tem Direita Minas em Ouro Preto, Montes Claros, Varginha. E a gente trabalha, digamos, como uma empresa familiar (…) A gente faz um trabalho, tanto coordenado, no sentido de chamar as pessoas para a rua, quanto na internet, onde cada um tem sua pauta local. A gente vai orientando, temos um grupo de coordenadores. Há um processo para entrar porque a gente preza muito não só pela imagem, quanto pelas pessoas que entram no movimento. Para não manchar o movimento que tem tanto respaldo e respeito pelo presidente.

6 – Sendo estudante de direito, como você vê o ambiente universitário no Brasil?
R: O ambiente universitário no Brasil é completamente hostil às ideias conservadores. O problema não é falar sobre o comunismo nas universidades. O problema é não poder falar contra o comunismo dentro das universidades. Você tem os professores que utilizam da posição hierárquica deles dentro da sala de aula para poder pregar isso para os alunos. E os alunos já vão para a universidade como se o professor fosse a verdade absoluta. Como se tudo que ele falasse fosse correto e não questionam.

7 – Você já teve dificuldades no ambiente universitário?
R: Sim, já tive várias dificuldades, vários embates com professores que não davam aula, mas ficavam ali fazendo uma agenda de esquerda dentro da aula. Já ouvi que Jesus era canibal. Já ouvi que a Venezuela era uma democracia. Que Cuba era uma democracia. Que o bandido tem que ser bem tratado, digamos assim. Então esse tipo de coisa que revolta a gente. Muitas dificuldades. Sofri muito.

8 – Uma das propostas em tramitação no Congresso mais criticadas pelo presidente Jair Bolsonaro é o PL das Fake News. O que você pensa a respeito da proposta?
R: O PL das Fake News é mais um projeto de lei para poder calar as pessoas, para poder calar a liberdade de expressão. E hoje a gente vê que a liberdade de expressão tem um limite, a crítica ao STF. Você pode xingar qualquer um de qualquer palavra, menos algum ministro, menos o que estão togados. E eu acho que a liberdade aqui no Brasil está sendo suprimida aos poucos. Estão calando youtubers de direita, jornalistas. Você percebe que se um jornalista convida um conservador para o programa, como o Lacombe, ele é demitido. Se um jornalista fala contra o STF, eles mandam a PF para a casa deles, como foi no caso do Allan dos Santos. E se você é um convidado conservador à Presidência, você toma uma facada. Então a liberdade de expressão aqui no Brasil é pura balela. E esse PL vem para sepultar isso.

9- Em sua opinião, quais são os pontos fortes do governo do presidente Jair Bolsonaro?
R: Eu acho que um dos pontos fortes do governo Bolsonaro é o trabalho contra a corrupção. Agora, a PF está fazendo um trabalho incrível. Muitas apreensões, muitas investigações, muitas operações. Isso revela que a PF tem feito um bom trabalho. Contra a própria corrupção dentro do governo. Até hoje não tem nenhum escândalo do presidente Bolsonaro, não é envolvido em nenhum esquema, em nenhuma lista. Vejo que um ministro, o Tarcísio, está fazendo um trabalho sensacional ali na infraestrutura. O Paulo Guedes da mesma forma, tem um trabalho muito difícil. A ministra Damares. Eu vejo que um ponto forte do Jair são os ministros, não em sua plenitude, mas eu vejo que tem um bom time.

10 – E onde você acha que o governo Bolsonaro ainda pode melhorar?
R: Eu acredito que o governo Bolsonaro precisa colocar mais pessoas conservadores em locais mais estratégicos no governo. Acredito também que a base bolsonarista deveria cobrar um pouco mais. Não no sentido de ser uma negociação, mas eu acho que é necessário cobrar algumas coisas, ter meios de ação. Eu acho que a base bolsonarista não tem meio de ação. E é preciso cobrar isso de uma forma respeitosa, de uma forma legítima, moral. Nada ilegal, mas cobrar meio de ação. Para a gente conseguir ter um governo e jogando ele realmente bem mais para a direita.

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