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"Aprendi que é necessário confiar no Senhor de forma plena", declara Gustavo de Moraes

Rafael Ramos - 05/05/2020 17h19 | atualizado em 05/05/2020 17h22

Gustavo de Moraes foi atingido no olho durante um assalto Arte: Pleno.News

O último sábado, dia 2 de maio, foi diferente para o locutor de rádio Gustavo de Moraes. Foi nessa data que há um ano ele foi baleado durante uma tentativa de assalto na Linha Amarela, uma das principais vias do Rio de Janeiro. Guga, como é mais conhecido, foi alvejado com dois disparos que atingiram o abdômen e o olho esquerdo.

Em entrevista ao Pleno.News, Gustavo lembra como foram os momentos durante o assalto e conta como está sua adaptação à nova vida. Casado e pai de três meninos, Gustavo falou qul lição tirou do triste episódio e repetiu o texto de Romanos 8:28 “Tudo coopera para o bem daqueles que amam a Deus.

Como foi o dia do assalto?
A minha rotina era sair de casa, em Magé entre 14h30 e 15h para pegar às 18h na Barra da Tijuca. Eu trabalhava e saia da rádio por volta de 22h30. Eu ia da cidade onde moro até a Avenida Brasil, lá eu pegava outro ônibus para a Barra. O dia foi normal, trabalhei e me preparei para voltar para casa como fazia há mais de 30 anos.

O que você lembra do assalto?
Eu entrei, sentei na frente e assim que o ônibus saiu, um sujeito se levantou e virou para o fundo. Ele colocou a mão na cintura, tirou uma arma e na hora entendi que era um assalto. Eram dois criminosos, o outro estava ao lado do motorista. Eles mandaram todo mundo passar o celular. Foi uma abordagem violenta e o rapaz achou que eu fosse da polícia. Eu disse que não, mas o parceiro, que era irmão dele, ordenou que me matasse.

Gustavo é locutor da Rádio Melodia há mais de 30 anos Foto: Arquivo Pessoal

Qual foi a sua reação?
Eu pensei: “O que eu faço, meu Deus? Estou jurado de morte. Eles vão acabar o assalto e me dar um tiro”. Já que eu ia morrer, pensei em reagir, algo que não passaria normalmente na minha cabeça. Quando o assaltante colocou a arma para o alto, eu tive o impulso de ir para cima do braço dele. Achava que os outros passageiros pudessem imobilizá-lo, mas isso não aconteceu. No momento que eu coloquei a mão no braço dele, apaguei. Por certo, foi no momento que o comparsa atirou e me atingiu o abdômen. Eu não senti o primeiro disparo, vi muito sangue e não sabia que era meu. Quando acordei, estava de joelhos com algo no meio da testa, foi a hora que ele disparou e o projétil estourou o meu olho.

Você temeu pela sua vida?
A gente sempre teme, mas como cristão, eu lembro sempre da passagem em que Paulo diz que viver é Cristo e morrer é lucro. Como ser humano, nós ficamos receosos diante da morte, mas a salvação através da Palavra nos dá segurança. Eu soube pela minha esposa que tinha perdido um olho e falei que Deus sabe de todas as coisas. Se adaptar a essa condição não está sendo fácil, a mente tem que estar cheia de Deus. Você tem que pensar que Deus sabe o que faz e que tudo coopera para o bem daqueles que amam a Deus. Eu tenho me adaptado e aguardado no Senhor.

O que você pode falar sobre a recuperação?
Fiquei 18 dias no hospital, não aguentava mais, apesar de ter sido muito bem tratado. Vir para casa foi um alívio, mas saí zonzo, perdi 15 quilos e muito sangue. Ver a família novamente foi algo recompensador e me ajudou bastante. Os primeiros dias não foram fáceis, eu não conseguia andar direito. A parte esquerda do rosto é como se estivesse anestesiada. Coloquei uma placa metálica de titânio para recompor a parte óssea. A prótese ocular já está pronta, mas ainda não coloquei por causa da pandemia.

Como está a sua vida atualmente?
Ela segue normal. A minha licença vai até o final do mês e estamos estudando a melhor forma de voltar ao trabalho. No dia 24 de outubro, que foi meu aniversário, em uma entrevista à Rádio Melodia, eu perdoei os responsáveis pelos disparos. Se você não perdoa a quem vê, como esperar perdão de quem não vê? Como esperar perdão do Pai se você não perdoar?

Qual lição você conseguiu aprender?
Disso tudo eu tirei a lição de como é necessário a gente confiar plenamente no Senhor. Ele é o dono e Senhor da vida. Eu questionei a Deus, mas aprendi que é necessário confiar no Senhor de forma plena.

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