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“Estou em uma festa para a qual não fui convidada”, diz vereadora

A conservadora Sonaira Fernandes, apoiada por Bolsonaro, fala sobre os desafios em meio à polarização na Câmara

Monique Mello - 19/02/2021 13h41 | atualizado em 19/02/2021 15h19

Vereadora Sonaira Fernandes e o presidente Jair Bolsonaro
Vereadora Sonaira Fernandes e o presidente Jair Bolsonaro Foto: Reprodução

Eleita com 17.881 votos, Sonaira Fernandes (Republicanos) é a primeira vereadora na história do partido em São Paulo. Com alguns anos no meio parlamentar, Sonaira ficou mais conhecida no restante do Brasil em janeiro deste ano, ao “enfrentar” o governador João Doria, protocolando um projeto de lei que visa isentar de impostos municipais o setor de restaurantes, bares e demais estabelecimentos similares.

– Qualquer gestor inteligente ou minimamente sensível sabe que esta é a receita da falência – disse a vereadora na ocasião.

Após tomar posse, o seu primeiro discurso na Câmara viralizou ao ser compartilhado pelo deputado federal Eduardo Bolsonaro

“A agenda globalista quer feminilizar homens e masculinizar mulheres […] Uma geração frouxa e mimizenta que aceita as normas do politicamente correto”. Estas foram algumas das declarações da vereadora no plenário.

Sonaira Fernandes respondeu ao Pleno.News com exclusividade sobre sua posição conservadora, sua opinião sobre militâncias, mais um enfretamento de João Doria e suas ações para a cidade de São Paulo.

Além de ser a primeira vereadora na história dos Republicanos em São Paulo, também é a mais jovem. Encara isso como um desafio a mais?
O grande desafio, na verdade, é ser uma mulher conservadora e cristã em um ambiente no qual a fé e a defesa da vida e da família são vistas como pautas de gente extremista. Mas eu não abro mão disso!

Eu continuarei defendendo a minha fé, especialmente neste momento no qual o relativismo moral vem tentando transformar a nossa sociedade em uma terra arrasada, abrindo espaço para as drogas, a desconstrução da família, das identidades, e tudo isso com o reforço sistemático do poder da classe política e do Estado sobre o cidadão.

Você está no meio da política há algum tempo, tendo trabalhado, inclusive, com o deputado Eduardo Bolsonaro. Quando decidiu que poderia se candidatar? Qual a motivação?
Na verdade, essa foi uma decisão conjunta, uma decisão do grupo político, do qual o deputado Eduardo Bolsonaro é o protagonista em São Paulo. A minha motivação é a de defender os valores do Reino de Deus, sabendo que este mandato é um instrumento que Ele [me] concedeu para que eu pudesse contribuir com uma luta muito maior e que transcende a política.

Como está a adaptação nesse primeiro mês de mandato?
Estamos aprendendo como a Câmara funciona, do ponto de vista técnico e político, mas não é nada muito diferente de outras casas legislativas nas quais já trabalhei. Entendo que esta é uma legislatura na qual haverá maior polarização, e estou pronta para este confronto necessário.

A minha motivação é a de defender os valores do Reino de Deus

A que você atribui a revolta de alguns com seu primeiro discurso no plenário?
Chesterton dizia que chegaria o dia em que seria necessário provar que a grama é verde. Este dia chegou. Vou à tribuna para dizer que homem não pode ser frouxo e que mulher masculinizada é algo que não condiz com o que histórica, biológica e culturalmente temos estabelecido, e isso é visto como algo controverso.

Não deveria. Infelizmente o “politicamente correto” virou a religião da modernidade, e hoje temos uma máquina de censura e assassinato de reputações contra quem ousa discordar dos dogmas dessa religião sem Deus. Eu sempre estarei na via oposta de quem rejeita a verdade em nome de modas e ideologias.

O perfil da Câmara de São Paulo no twitter publicou o discurso de diversos vereadores no plenário, o seu não. Percebeu resistência entre os parlamentares quanto à sua postura conservadora?
Eu estou em uma festa para a qual não fui convidada. Aqui, temos oposição de fachada, um teatro de confronto entre uma suposta direita e a esquerda, todo mundo gritando contra o Bolsonaro e deixando o PSDB acabar com São Paulo. Tudo dentro do roteiro. E eu não estava sendo esperada neste cenário. Por isso, a resistência existe sim. Mas Aquele que me enviou me capacita e fortalece a cada dia para estar na batalha.

Infelizmente o “politicamente correto” virou a religião da modernidade

Quem são os “colonizadores de pensamento”?
São os “comunoglobalistas” que acham que podem falar em nome de negros, mulheres e minorias. Em geral, são militantes financiados por grandes fundações internacionais, que são mantidas por homens brancos privilegiados, como é o caso do bilionário George Soros.

Grande parte do movimento feminista é sustentada por homens brancos privilegiados que têm grandes interesses financeiros na atomização da sociedade, na criação de uma massa sem vínculos que só sabe trabalhar e pagar conta.

Fale sobre a medida para conter a privatização do Complexo do Ibirapuera, um projeto do governador Joao Doria.
Foi uma das ações deste início de mandato das quais mais me orgulho. O governador Doria iniciou um processo de privatização do Complexo do Ibirapuera que, na verdade, representa a sua destruição.

O projeto prevê o fim das pistas de atletismo, do parque aquático, e tudo para dar espaço a um shopping e uma arena multiuso. É o único espaço esportivo olímpico gratuito do estado e um dos poucos do país.

Além disso, é um símbolo da identidade paulistana, pois faz parte da nossa tradição arquitetônica. Mas Doria ignorou tudo isso e quis destruir para vender. Por isso, nós ingressamos com um pedido de tombamento histórico no IPHAN, e, até que este pedido seja analisado, Doria não poderia prosseguir com seu plano de desmonte do único espaço olímpico público que temos.

Como o seu projeto de lei resguardará os donos de bares de SP?
Nós entendemos que os comerciantes que sofreram durante a pandemia com perda de receita, de clientes, que estão lutando para manter seus negócios abertos, precisam estar isentos de impostos enquanto essa paralisação, parcial ou não, continuar na cidade de São Paulo. Sabemos que Covas odiou a nossa proposta, mas vamos lutar por ela!

Sobre a neutralização de gênero, já existe projeto na Câmara acerca dessa temática?
Já existem vários projetos visando à implantação de linguagem e conteúdo de gênero nas escolas das redes estadual e municipal. Por isso, chegando à Câmara, já apresentamos o nosso projeto proibindo a linguagem de gênero neutro. Será um dos grandes embates desta Legislatura, em especial na Comissão de Educação. E precisaremos da população ao nosso lado para travar essa luta da pauta de costumes contra a agenda ideológica que causa tanta confusão e dor emocional em nossas crianças e adolescentes.

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