Copa 2018: Repórter brasileiro revela dificuldades na Rússia

Jornalista Richard Souza está no país que sediará o próximo mundial e conta detalhes ao Pleno.News

Emerson Rocha - 30/01/2018 12h07

Aos 35 anos, o jornalista Richard Souza vive a expectativa de trabalhar na cobertura de uma Copa do Mundo fora do Brasil. Repórter dos canais SporTV e TV Globo, ele já está na Rússia desde o ano passado como correspondente internacional.

No palco do mundial, Richard pôde aproveitar algumas oportunidades e experiências em um país com uma cultura bem diferente da brasileira. Além das matérias esportivas que vem realizando para as duas emissoras, ele também se aventurou a fazer reportagens sobre outros assuntos, como História e Política russa.

Em entrevista exclusiva ao Pleno.News, o jornalista revela as dificuldades que vem enfrentando e como está sendo o trabalho antes da abertura da 21ª edição da Copa do Mundo.

Como é, para um brasileiro, viver em um país como a Rússia?
Tem sido uma experiência incrível! Um novo país, um novo idioma, uma nova cultura e muita, muita história. Muito daquilo que já tinha lido ou assistido ficou tão perto. Isso contribui muito para um crescimento profissional e pessoal. É a primeira vez que eu moro fora do Brasil e, apesar de já ter feitos muitas viagens para o Exterior, conhecido culturas diversas, viver na Rússia nunca fez parte dos planos. Sempre quis conhecer o país, e tenho tentando aproveitar ao máximo tudo que o trabalho como correspondente internacional tem me proporcionado.

Como está a expectativa para a realização da Copa do Mundo?
A minha expectativa é altíssima. Os russos são mais contidos, então não chega a ser um assunto que domina as conversas nas ruas, nos bares ou restaurantes. Mas eles gostam de futebol, costumam encher os estádios no Campeonato russo e nas competições europeias, e a preparação do país para o Mundial vai muito bem.

Pelo que você já pode ver, a Rússia sediará um mundial com poucos ou muitos problemas?
Imagino, e espero, que seja uma Copa sem problemas. Acho difícil falar em Copa perfeita, mas acredito que a Rússia entregará organização e segurança; que são, para mim, pontos fundamentais num evento de grande porte. Nas sedes maiores, Moscou, Kazan, São Petersburgo e Sochi, tudo está preparado: estádios testados, obras de infraestrutura concluídas. Nas demais sedes, menos conhecidas e menores, ainda há trabalho a fazer, as opções turísticas não são tão vastas, mas também serão cidades agradáveis para o público.

Até agora, qual foi a diferença mais curiosa que você vivenciou nesse país?
Sem dúvida o idioma e o clima. Falar russo é uma tarefa árdua, principalmente porque isso está diretamente ligado ao meu trabalho. É um esforço cotidiano e, depois de superada a barreira da comunicação diária, a meta agora é tentar dominar um pouco mais o idioma para usá-lo nas entrevistas. Sobre o frio, esse inverno é considerado atípico pelos especialistas. As temperaturas extremas, na casa dos 20 graus negativos, ainda não foram registradas aqui na capital Moscou. A temperatura por aqui anda entre 8 a 10 graus acima do normal. Mas ainda assim é uma experiência interessante ter neve na porta de casa, ver a paisagem da cidade se transformar, o Rio Moscou congelado. Para quem é do Rio de Janeiro e já viveu no Norte e no Nordeste do Brasil, sem dúvida é uma diferença considerável.

Qual foi a matéria que você fez aí que mais marcou?
Assim que chegamos à Rússia, eu e o repórter Marcelo Courrege, com quem divido o trabalho por aqui, produzimos uma série de reportagens para o Jornal Nacional sobre o país. Foram variados temas: História, Política, Cultura, Esporte… foi um momento importante de aprendizado. Mas o episódio que mais me marcou até agora ocorreu em abril do ano passado, quando viajamos para Moscou para um período de reconhecimento da cidade. E, justamente nesse período, houve o atentado terrorista no metrô de São Petersburgo, que deixou 14 mortos e dezenas de feridos. Ver isso de tão perto e trabalhar na cobertura me marcou.

Após a Copa, você: volta para o Brasil, vai direto para o Catar ou já tem outros projetos?
A previsão é voltar para o Brasil ainda em 2018 e continuar o trabalho na TV Globo, SporTV e GloboEsporte.com. Cobrir a Copa do Catar é um dos próximos projetos.

Pra fechar, quais são as dicas mais importantes que você pode dar para os brasileiros que vão para a Rússia assistir a Copa?
Os brasileiros não precisam de visto para entrar na Rússia, o que facilita muito a vida. Mas é importante estar atento a algumas regras. Fique de olho se o seu passaporte tem a data de validade mínima de seis meses até seu último dia de viagem. Se você tem dupla nacionalidade, entre com o passaporte brasileiro. Cidadãos da União Europeia precisam tirar visto para entrar no país. E os americanos também. Quem vier em junho e já tiver ingressos para a Copa terá maior facilidade de entrar no país. Mas apenas com a apresentação do FAN ID (identidade do torcedor).

Qualquer turista que for ficar mais de sete dias em solo russo precisa fazer um registro migratório. Para quem for se hospedar em hotel ou mesmo em um hostel, sem problemas. O próprio estabelecimento fornece o registro em alguns minutos. Mas se você optar por alugar um apartamento, o proprietário terá que ser responsável pelo registro.

No mais, só posso dizer que os brasileiros serão muito bem tratados na Rússia. A fama dos russos de durões é verdadeira, mas também são pessoas engraçadas, educadas e dispostas a ajudar. Se tiver um tempinho, decore algumas palavrinhas em russo para quebrar o gelo. A gente se vê na Rússia! “Dasvidânia!” (Até logo!).

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