“A pastora é indispensável numa igreja saudável”

Helena Raquel comenta polêmica sobre mulheres que exercem o ofício pastoral

Rafael Ramos - 16/05/2019 16h00

Helena Raquel fala sobre sua trajetória, ministério e saúde Foto: Reprodução

Membro da Assembleia de Deus de Vila Pacaembu, na cidade do Rio de Janeiro, a pastora Helena Raquel tem sido apontada como referência para muitas mulheres (e até mesmo para muitos homens). Com mais de 25 anos dedicados à pregação da Palavra de Deus, ela é casada há 19 anos com o também pastor Eleomar Dionel.

Nesta segunda-feira (13), Helena esteve na sede do grupo MK de Comunicação, onde assinou contrato com a MK Books e a MK Network para lançamentos de projetos. O primeiro deles será a versão digital e em áudio do livro Eu Não Sou Aitofel.

Durante a assinatura, a pastora conversou com o Pleno.News sobre vida ministerial e casamento e aproveitou para falar sobre sua saúde após perder 50kg. E esclareceu um tema que até hoje gera discussão entre as pessoas: afinal, mulher pode exercer função pastoral? A resposta você confere abaixo.

Que balanço faz de seu ministério iniciado aos 14 anos de idade?
Eu tenho muito a percorrer ainda. Eu hoje olho a minha vida e percebo que há muito a ser feito. A menina que pregava numa igrejinha de zinco está bem mais longe do que pensou estar um dia, alcançando milhares de pessoas com uma mensagem de transformação. Olhar para essas pessoas é ver o que Deus pode fazer.

E como consegue equilibrar casamento e vida ministerial?
Meu casamento funciona bem parecido com a maneira como viviam os patriarcas do passado. Somos casados há 19 anos e meu casamento parece um pouco com a residência dos patriarcas. Eles viviam em tendas e eles desmontavam e levavam a tenda para onde iam. O fato do Eleomar me acompanhar em tudo e nós vivermos tudo juntos facilitou muito para que o nosso casamento não sofresse com o ministério. Então, onde estou a minha tenda está comigo. E onde ele está, a tenda está com ele. Essa cumplicidade fez o fardo da viagem se tornar muito mais leve.

Pastora perdeu 50 kg e se tornou referência para muitas pessoas Foto: Reprodução

Como está a vida após perder 50 kg?
Eu hoje me sinto bem para esse momento. Falar da Bíblia é uma coisa, mas falar da sua vida é outra coisa totalmente diferente. Quero muito que essa descoberta que fiz sobre vida saudável e tratamento terapêutico chegue ao YouTube porque creio que muita gente vai ser abençoada e precisa disso. As pessoas precisam de referência em todas as áreas da vida e, quando o assunto é bem estar, no nosso meio evangélico ainda há muitas barreiras a serem transpostas. Creio que eu posso ser um veículo de Deus para ajudar as pessoas nisso.

E que dicas dá para quem deseja ter uma vida saudável?
O crente cuida do espírito e demorou muito para entender que deveria cuidar da alma e aceitar a questão da Psicologia e da Psiquiatria. Agora, quando estou cuidando do meu corpo, estou cuidando da habitação do Espírito Santo. Numa academia, a maior parte das pessoas está buscando uma qualidade de vida melhor. E, se você for um crente firmado na Palavra, você pode transitar em qualquer lugar. Daniel entrou na Babilônia, mas a Babilônia não entrou em Daniel. O crente pode acessar algumas coisas nesse mundo que a gente precisa desde que o mundo não entre na gente porque a gente continua sendo do céu.

Não adie mais! Se você sofre de obesidade mórbida, é imprescindível que você procure ajuda de um psicólogo. Quem luta com a obesidade há muito tempo pode ter sofrido com algumas tentativas frustradas e descarrega algumas demandas na alimentação. Antes de um endocrinologista ou nutricionista, vem o psicólogo. Quem só está precisando de pequenos ajustes, procure um profissional qualificado. Eu tentei dietas e produtos milagrosos e fórmulas, mas o caminho correto é procurar ajuda de um profissional qualificado.

Sobre cuidar da alma, como vê a questão da depressão, que tem crescido entre os cristãos?
A depressão é uma doença que tem que ser cuidada e tratada. O que as pessoas confundem é o oportunismo que o maligno tem em qualquer deficiência nossa. Cuidar das suas emoções não mostra que você é uma pessoa sem fé. O hipertenso não aceita a hipertensão até que Deus o cure? O diabético não toma insulina e faz dieta até que Deus o cure? O doente psiquiátrico e psicológico também precisa se submeter ao tratamento até que Deus o cure. Jesus cura depressão assim como cura uma cardiopatia. Mas conhecemos cardiopatas que não foram curados por Jesus, assim como pessoas deprimidas que precisam de tratamento médico. A depressão é uma doença que precisa de tratamento e cura.

Helena e Eleomar são casados há 19 anos Foto: Reprodução

Muita gente criou polêmica com a consagração da sua cunhada, Camila Barros, ao ministério pastoral. Mas o que a Bíblia tem a dizer sobre as mulheres que exercem tal ofício?
Essa é uma discussão teológica que divide denominações e pessoas dentro da própria igreja. A pastora, como profissão, existe na Bíblia. Raquel foi pastora de ovelhas. Isso é tão forte que o pastoreio entra na nação hebreia a partir dessa cena. Não temos como comprovar que Isaque e Abraão tivessem esse ofício como forma definitiva. Eles também tinham um envolvimento muito forte com a agricultura. Essa migração da agricultura para o pastoreio aparece na figura de Raquel. Na etimologia da palavra “pastor”, se o ofício pastoral fosse unicamente para homens, Deus utilizaria a profissão de carpinteiro ou de médico, pois não há carpinteiras e médicas na Bíblia. Ele não poderia usar artesão porque temos artesãs. Nem poderia usar a palavra juiz porque temos juíza na Bíblia.

Hoje a funcionalidade da mulher pastora é porque as demandas femininas cresceram muito. Eu fui uma menina que não tive pastora, mas vivi num tempo onde era mais fácil falar com a figura masculina sem toda essa questão permeada de casos e escândalos. A figura pastoral feminina hoje é indispensável numa igreja saudável. Eu não daria conta de ser uma pastora se não tivesse um marido pastor. Não me sentiria e não me sinto preparada para apascentar o público masculino. Prego para a igreja de modo geral, mas me dedico mais às mulheres.

Mas o que dizer do texto de Paulo em I Coríntios 14:34 – “As mulheres estejam caladas nas igrejas, porque lhes não é permitido falar; mas estejam sujeitas, como também ordena a lei”?
A igreja pós-moderna teve a maior facilidade em explicar a questão do cabelo e do véu tratada por Paulo. Mas quando o assunto é a mulher falar, eles querem se apegar como se Paulo estivesse legislando a todas as igrejas. Nós somos tendenciosos a fazer aplicação do texto para aquilo que nos convêm. A mulher sofreu uma série de revoluções, mas aquele texto no relacionamento entre marido e mulher ainda precisa ser observado com cuidado. O que nós temos ali eram mulheres que falavam à frente da voz masculina e, inclusive, publicamente.

Ainda hoje isso é bem desagradável quando acontece. Quando a mulher se interpõe sobre o homem, ela continua gerando o mesmo escândalo da igreja de Corinto. É muito ruim a mulher insubmissa expondo essa insubmissão publicamente. Eu sou pastora da ADVIP, apascento mulheres, mas quem me apascenta e dá a última palavra é meu marido. Quando o piloto diz para atarmos os cintos, nós somos submissos porque confiamos que ele sabe o que é melhor para a tripulação. O que a Bíblia espera é que o marido saiba o que é melhor para a tripulação.

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