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Sem ponto de contato

O que nos faz manter uma relação com o outro é podermos ter algo em comum. É mantermos um ponto de contato

Yvelise de Oliveira - 24/10/2017 10h09

É tão importante quando fazemos contato e encontramos o caminho um do outro. É o que busco /Foto: Pixabay

O que nos faz manter uma relação com outra pessoa é podermos ter algo em comum. Qualquer coisa, alguma coisa… É o ponto de contato. Não sei dizer qual é, e de onde vem, e nem mesmo como sentimos que há algo mais do que empatia no sentimento que temos por alguém.

Existem pessoas incapazes de expressar em gestos, ações ou palavras, o que sentem de verdade e com sinceridade. São como atores; e a cada dia, mês ou ano escolhem para si um personagem e são convincentes em seus papéis. Mas como tudo que não tem sinceridade e veracidade termina, e nada resta a quem investiu emocionalmente no “ato da vida”. Um vazio por não ter conseguido achar um ponto de contato que nos torna mais suaves e menos ferozes, diante da farsa.

Custo a desistir das pessoas, quando as escolho para termos contato uma com a outra, escolho e pronto.

Na amizade a troca é fundamental; no amor, o contato pode ser físico, espiritual ou mesmo subliminar.

Mas existe um ponto onde, por breves momentos, almas se tocam, se despem de mentiras e são quase reais como seres humanos que certamente deveríamos ser sempre. Quando durante anos você tenta com fé, energia e força manter um só ponto que seja que faça você sentir-se vivo… Sentir o ser humano ao meu lado quando minha alma grita e anseia tanto por tocar a pessoa tão próxima e tão distante. Tateando busco o ponto de contato que me faça sentir que, por um momento que seja, estivemos na mesma sintonia.

A vida faz sentido, então, pelo menos para mim. Porque existe uma tristeza imensa quando descubro que nada é real ou concreto na pessoa ao meu lado que me permita estender a mão, os dedos, e tocá-la sem cair no vazio. Tenho de me convencer que só eu mantive o contato. Não houve em nenhum momento uma real resposta dos meus anseios tão humanos de conectar-me com quem está tão perto e tão longe…

Mas é tão importante quando fazemos contato e encontramos o caminho um do outro. É o que busco.

Minhas escadas se tornam azuis de alegria.

Yvelise de Oliveira é Presidente do Grupo MK de Comunicação; ela costuma escrever crônicas sobre as suas experiências e percepções a cerca da vida. Há alguns anos lançou o livro Janelas da Memória, um compilado de seu material. Atualmente está em processo de finalização de uma nova obra, Suspiros da Alma.
* Este texto reflete a opinião do autor e não, necessariamente, a do Pleno.News.
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