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Opinião Yvelise de Oliveira: Outono, meu outono

Como obedecendo a uma mágica, todo o bosque se tornou dourado

Yvelise de Oliveira - 10/04/2018 09h24

Talvez porque me sinta eu mesma no meu outono, hoje à noite me lembrei dos outonos passados nos Estados Unidos.

Vivíamos em um bosque e a casa era incrustada no meio das árvores. Embora fosse muito lindo, tudo respirava uma terra que não era minha. Sentia-me estrangeira…

Acordei um dia de manhã e me deparei com o outono chegando.

Como obedecendo a uma mágica, todo o bosque se tornou dourado. E, apesar de todo o esplendor de outono nunca visto por mim, meu coração se encolheu e uma tristeza típica de quem nasceu no verde de um país tropical encheu minha alma de melancolia e ela adoeceu.

As imensas árvores centenárias copadas se avermelharam, se acastanharam e o mundo todo à volta brilhava de um tom que meus olhos não conseguiam encontrar registro em nenhuma parte do meu cérebro. Tornei-me absolutamente fascinada pelas nuances e as matizes. Foi um tempo do desconhecido. Um respeito imenso pela obediência total da natureza ao ciclo da vida me deixaram sonolenta e eu participei completamente de todas as variações que aos poucos fui tomando conhecimento.

Não é o outono uma estação tão bonita quanto parece, precede ao ocaso à chegada do inverno. Todas as folhas caem subitamente e morrem. Montes imensos de folhas secas, mortas e enlameadas são varridas e sacos de lixo pretos se amontoam nas ruas esperando o lixeiro. As árvores se tornam nuas, galhos grossos despidos completamente se levantam como uma paisagem apocalíptica.

Talvez eu me sinta agora como uma árvore copada, grande, forte, cujas folhas todas todas de uma só vez se tornaram douradas como toques avermelhados…

Breve, muito breve meu outono vai declinar e me resta pouco tempo para que eu me sinta ainda uma sólida árvore em pleno inverno. Na plenitude da maturidade e no entendimento que somente a vivência pode conceder-nos.

Saber economizar alegria para quando o mau tempo chegar. Armazenar reservas de sorrisos, de olhares doces, de abraços amigos, de mãos que se encontram, aconteça o que acontecer, vou vivenciar todos os momentos pelos quais ainda anseia o meu coração.

Na minha vida tudo que é bom me faz sentir mais viva.

Recebo amor em doses homeopáticas e sorrio para a vida que teima em me maltratar.

Na verdade, nunca me revolto com ela. Não vai adiantar, devo me deixar levar e segurar os momentos de alegria, saber ser feliz, ter senso de felicidade nunca deixar de sentir ternura e carinho com meus semelhantes, amar sem expectativas, evitar decepções.

Manter-me feliz! Não, não permitir ou admitir o sofrimento. Isso é o que conta! Viver a vida…

Yvelise de Oliveira é Presidente do Grupo MK de Comunicação; ela costuma escrever crônicas sobre as suas experiências e percepções a cerca da vida. Há alguns anos lançou o livro Janelas da Memória, um compilado de seu material. Atualmente está em processo de finalização de uma nova obra, Suspiros da Alma.
* Este texto reflete a opinião do autor e não, necessariamente, a do Pleno.News.
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