Corujinhas

Quando as vi pela primeira vez, eram duas...

Yvelise de Oliveira - 17/10/2017 12h24

Passei a acordar toda manhã e sorrir ao ver a, agora solitária, corujinha Foto: Pixabay

Quando as vi pela primeira vez eram duas, estavam esticando as pernas e se balançando no telhado do prédio vizinho.

Eram pequeninas, uma bola de penas com grandes olhos que olhavam fixo.

Me encantei com o lugar que escolheram para morar. Em cima do terraço, bem junto às caixas d´água, em frente ao meu quarto. Todos os quartos na rua onde moro se misturam com distâncias mínimas entre eles.

Assim, bastava olhar para a janela do vizinho e eu via as duas corujinhas, bem encolhidinhas protegidas pelo beiral de alumínio.

Um ano depois só havia uma corujinha. Parece mentira, mas em Ipanema, nas ruas muito arborizadas existe uma infinidade de pássaros; de pardais a canários, passando por bem-te-vis e quero-queros e muitos outros que não sei o nome.

No meio, avistei um gavião. Não um, mas quatro de porte pequeno. Acho que eles mataram uma das corujinhas.

Passei a acordar toda manhã e sorrir ao ver a, agora solitária, corujinha.

Sempre bem escondidinha, às vezes indo e vindo do sol quando o tempo esquentava muito.

Tornou-se um hábito ver se ela estava lá, passei a preocupar-me com sua sobrevivência.

Vez por outra ela sumia por um período de quinze dias, e eu aflita sempre que podia esquadrinhava o céu esperando sua volta.

Agora ela sumiu há um mês. Estou desolada. Espero vê-la e toda manhã corro e olho seu lugarzinho vazio.

Gosto de pensar que foi procurar um parceiro ou parceira em lugares que nem imagino. Fantasio que ela vai voltar.

Yvelise de Oliveira é Presidente do Grupo MK de Comunicação, Yvelise de Oliveira costuma escrever crônicas sobre as suas experiências e percepções a cerca da vida. Há alguns anos lançou o livro Janelas da Memória, um compilado de seu material. Atualmente está em processo de finalização de uma nova obra, Suspiros da Alma.