Os cavalos no Rio e nas grandes cidades

A prefeitura não possui equipamentos de resgate, ou um programa dirigido aos equinos, como deveria

Vinícius Cordeiro - 02/11/2017 10h30

Em bairros da periferia do Rio de Janeiro, São Paulo e em outras grandes cidades é comum observar cavalos abandonados pelas ruas. Alguns têm mesmo o hábito de procurar alimentos. A situação é muito triste. São afugentados. Outros, em favelas ou comunidades carentes são vistos em tração, sempre maltratados e mal alimentados. O Poder Público pouco faz, não vistoria ou fiscaliza, e nem possui ate agora, uma política pública ou estratégia para lidar com a questão dos equinos e animais de grande porte.

Por incrível que pareça, a situação dos cavalos que têm donos é ainda pior do que a daqueles que vivem abandonados. Os donos fazem os animais trabalhar todo o dia e, às vezes, ainda os alugam para outro carroceiro à noite. A maioria não tem a alimentação apropriada, pois deveria comer cerca de cinco quilos de ração e, pelo menos, meio fardo de feno por dia, coisa que não acontece. Os carroceiros ainda os espancam com chicotes; muitas vezes atingindo os olhos dos animais e provocando cegueira. Outros ainda andam com as patas machucadas pelo uso de ferraduras velhas e gastas. São utilizados para tração, debaixo de sol causticante e abrasivo, sem quaisquer restrições de horários.

É comum encontrarmos pelas ruas das grandes cidades cavalos maltratados, abandonados ou fazendo serviço de tração Foto: Pinterest

Apesar do importante avanço ocorrido na Ilha de Paquetá, onde a tração animal foi abolida, no governo Eduardo Paes, esta persiste na Praça Xavier de Brito, na Zona Oeste, em Petrópolis ou Paraty. Há muito a fazer, já que o Rio possui considerável área quase rural. Quem trata dos cavalos doentes, abandonados, quase sempre famintos, ou já em condições de saúde precárias, ou seu resgate, é o CCZ – Centro de Controle de Zoonoses, que agora tem programa de adoção, e pouquíssimos outros estão internados na Fazenda Modelo, abrigo da prefeitura do Rio. Há outra questão grave que é a insuficiência de locais adequados para abrigar cavalos apreendidos.

A prefeitura não possui equipamentos de resgate, ou um programa dirigido aos equinos, como deveria. Na verdade, há uma ONG que prioriza seu cuidado e atendimento, a G.A.R.R.A. (Grupo de Ação Resgate e Recuperação Animal), dirigida pela dedicada Renata Prieto, que ainda ajuda o Governo em diversas oportunidades, e tem atividades como adestramento e equinoterapia. Em São Paulo, registramos o trabalho do grupo Anjos dos Cavalos.

Mais uma vez, advertimos que a Lei Municipal prevê punição ínfima de multa a maus tratos, e delega à secretaria de transportes a fiscalização da tração animal, sem fazer nada a respeito, em verdade. A Lei de Crimes Ambientais, n. 9605 também prevê punição ínfima para os detratores de sempre. É necessário punições mais severas para os maus tratos aos animais, especialmente cavalos e animais de grande porte, diariamente explorados e maltratados a vista de todos.

Vinicius Cordeiro é advogado, ex-Secretário de Proteção Animal do Rio de Janeiro.
Bruna Franco é ativista, dirigente da ONG Celebridade Pet.