Opinião Vinicius Cordeiro e Bruna Franco: Saiba mais sobre o “resfriado dos gatos”

A rinotraqueíte felina - ou "resfriado dos gatos" como é comumente conhecida - é uma doença respiratória grave, transmitida por vírus, altamente contagiosa entre bichanos

Vinícius Cordeiro - 22/03/2018 11h15

A rinotraqueíte felina – ou “resfriado dos gatos” como é comumente conhecida – é uma doença respiratória grave, transmitida por vírus, altamente contagiosa entre os gatos, que se caracteriza por espirros, tosse, perda de apetite, febre e inflamação nos olhos, úlceras na boca, podendo ser observado corrimentos oculares e nasais. Em alguns casos podem acontecer ainda distúrbios dermatológicos e pneumonia. O aparecimento de infecções bacterianas secundárias é comum e, nesse caso, as secreções podem ter aspecto de pus.

Em alguns filhotes mais susceptíveis, a doença poderá ser mais grave e evoluir para a morte. O contato com as secreções de um gato infectado, causa a transmissão direta da doença. O contágio também pode ocorrer de forma indireta através das gotículas do espirro e tosse do animal doente. Os animais adquirem o vírus, na maioria das vezes, na infância devido ao sistema imunológico em formação. Outra forma de transmissão é a materno-fetal e nesses casos é comum ocorrer aborto nas gestantes doentes. É importante ressaltar que essa doença não é uma zoonose, ou seja, não é contagiosa para os humanos.

Uma vez adquirida a doença, 80% dos gatos tornam-se portadores do vírus para o resto da vida, mesmo que nunca mais apresentem qualquer tipo de sintoma. O vírus pode voltar a se manifestar nesses animais em situações de estresse, que pode ser desde uma simples viagem até uma doença debilitante. O diagnóstico é feito por um médico veterinário através da história clínica (anamnese) e os achados clínicos para o diagnóstico da gripe ou rinotraqueite felina.

Como toda doença viral o tratamento é para manter ou melhorar a imunidade do gato doente e esperar o sistema imunológico do gato se defender contra o vírus. Antibióticos para conter infecções secundárias que pioram o estado geral do gato devem ser utilizados se o médico veterinário perceber alguma infecção secundária, como também vitaminas e estimulantes da imunidade não devem ser esquecidos. Especial cuidado deve ser tomado para as lesões oculares durante o período agudo da doença, pomadas ou colírios especiais podem ser prescritos pelo veterinário. A vacina quádrupla felina imuniza contra a rinotraqueíte, sendo recomendada para todos os gatos desde a primeira dose de vacina, que geralmente é administrada entre 45 e 60 dias de idade.

Evite contato com felinos desconhecidos: como o animal pode ser portador e eliminar o vírus mesmo sem sinais muito evidentes da doença, é ideal evitar que seu animal ande sozinho nas ruas. O vírus é sensível a maioria dos desinfetantes comumente utilizados e facilmente encontrados no comércio. Portanto, a limpeza do ambiente é fácil e muito importante.

Vinicius Cordeiro é advogado, ex-Secretário de Proteção Animal do Rio de Janeiro.
Bruna Franco é ativista, dirigente da ONG ADDAMA e produtora executiva da ONG Celebridade Pet.