Opinião Vinicius Cordeiro e Bruna Franco: S.O.S para a fauna da Baía de Sepetiba

Mais de duzentos golfinhos Guiana morreram na região. Eles são considerados sentinelas da natureza e sua morte mostra que o ecossistema está sendo destruído

Vinícius Cordeiro - 19/04/2018 11h23

Querido leitor do Pleno.News, não sei se você tem acompanhado as notícias sobre o meio ambiente. Mas gostaríamos de hoje denunciar a poluição industrial que tem vitimado a fauna da Baía de Sepetiba. É para essa fauna que pedimos socorro!

A Baía de Sepetiba, famosa pela grande atividade de turismo, de pesca artesanal, de praias de areias brancas e minúsculas ilhas no formato de morros, a apenas cerca de 60 quilômetros do centro do Rio de Janeiro, tornou-se uma das principais saídas para as exportações brasileiras nos últimos 25 anos.

Segundo a mídia, apenas em 2017, partiram dali cerca de 39 milhões de toneladas de minério de ferro e de outras mercadorias. Os barcos de pesca que cruzam a baía agora driblam navios carregados de ferro e aço.

Embora as pessoas ainda nadem em suas águas, quatro portos e uma constelação de fábricas de produtos químicos, aço e indústrias várias surgiram nas suas margens. Um dos maiores produtores de minério de ferro do mundo, a companhia Vale, ocupa um novo terminal em uma antiga área de pesca, na vizinha ilha de Guaíba.

Desde então, os cientistas descobriram, neste mesmo lugar, em tempos recentes, mais de duzentos golfinhos Guiana mortos (cujo nome científico é Sotalia guianensis), um quarto do que era a maior concentração mundial desta espécie. As mortes, causadas por falência dos sistemas respiratório e nervoso relacionadas a um vírus, diminuíram; mas os cientistas estão trabalhando para descobrir a causa delas.

Estudantes carregam carcaça de boto, na Baía de Sepetiba Foto: Mauro Pimentel/VozeRio

Os cientistas atribuíram a série de mortes dos golfinhos ao morbillivirus, um vírus transportado pelo ar da mesma família do vírus que causa o sarampo nos seres humanos. Os efeitos do vírus, como: erupções na pele, febre, infecção respiratória, desorientação, sugerem uma morte horrível.

Os golfinhos mortos foram vistos nadando de lado e sozinhos. Algumas carcaças tinham deformações feias e sangue jorrava de seus olhos. Certamente seu sistema imunológico foi afetado pela poluição industrial.

Os golfinhos da Guiana são considerados “sentinelas”. Logo, “quando algo errado acontece com eles, é sinal de que todo o ecossistema está sendo destruído”, afirmou Mariana Alonso, bióloga do Instituto de Biofísica da Universidade Federal do Rio de Janeiro, em recente entrevista ao jornal Estado de S.Paulo. Nessa entrevista, a bióloga destacou que “o número de indústrias e de empresas ao longo da baía cresceu exponencialmente nos últimos anos. Isso gera uma maior concentração de poluentes no leito do mar e na cadeia alimentar”.

Estudantes medem carcaça de boto Foto: Mauro Pimentel/VozeRio

Segundo pescadores da região, há muito lixo mineral indo para o oceano. A Baía de Sepetiba é um estuário, um viveiro de espécies. E a sua destruição é certamente a destruição da vida marinha. Há, certamente, descaso, omissão, inércia ou atividade insuficiente das autoridades ambientais do estado, do Ministério Público em atuar de forma mais decisiva para impedir tais fatos. A vitimação de tantos animais e do ecossistema tão precioso ao estado do Rio de Janeiro merece uma resposta rápida e clara das autoridades e a mobilização da proteção animal, das entidades de proteção ambiental, da sociedade civil e dos representantes políticos.

Esse é o nosso apelo!

Vinicius Cordeiro é advogado, ex-Secretário de Proteção Animal do Rio de Janeiro.
Bruna Franco é ativista, dirigente da ONG ADDAMA e produtora executiva da ONG Celebridade Pet.