E o gato Rubinho ficou…

O bichano foi impedido de circular, mas graças a intervenção popular voltou a ter liberdade

Vinícius Cordeiro - 21/09/2018 14h45

Em meados de junho deste ano, o tutor do gato Rubinho e lojista recebeu uma notificação do conselho de síndicos do condomínio Shopping dos Antiquários, localizado no bairro de Copacabana, na Zona Sul do Rio de Janeiro, proibindo a circulação do animal nas áreas comuns. De acordo com o documento, o regimento interno permite que animais domésticos circulem, desde que estejam sempre acompanhados dos donos. O lojista chegou a receber uma multa, no valor de um salário mínimo. Ele recorreu da cobrança, mas obedeceu a ordem de manter o felino dentro dos limites da loja.

A decisão causou grande comoção entre os frequentadores do prédio e lojistas e ganhou as redes sociais.

Rubinho foi resgatado numa obra do shopping há 8 anos. O Sr. Pedro Correia, que na época era síndico do prédio, foi seguido pelo bichano, que entrou em sua loja e não saiu mais de lá. O gatinho foi adotado pela loja Arte Palha e virou a mascote do empreendimento.

– Chegou aqui e se sentiu em casa, é super querido e recebia com festa todos os clientes na porta. Agora, vive preso numa caixa e se ele for na porta, seremos multados em R$900 – revelou Sérgio Correia, filho do Sr. Pedro.

Rubinho durante o período que precisou ficar nos fundos da loja Foto: Pleno.News

O movimento ativista Brigada Animal fez uma manifestação na porta do shopping, na rua Figueiredo Magalhães em Copacabana no Rio de Janeiro. Exibiu cartazes em apoio ao gatinho no trânsito e calçadas. Tinha fila pra assinatura do abaixo-assinado pro Rubinho que ultrapassou 10.000 assinaturas na loja.

A ativista da Brigada Animal, Sejane de Miranda, viu a postagem no Facebook, se sensibilizou e fez o abaixo-assinado online, que ultrapassou 8 mil assinaturas, e organizou a manifestação.

– Fiquei sensibilizada, pois o senhor Pedro tem 83 anos, e está abalado emocionalmente. Tenho gatos e luto desde 2013 pelo bem-estar dos animais. A síndica tem um problema pessoal com o senhor Pedro. O gato não é agressivo, não faz sentido impedir a circulação dele, pois é muito querido por todos! – afirmou Sejane.

Após mobilização de ativistas e da mídia que deu ampla cobertura ao caso, após meses de batalha judicial, foi concedida uma liminar pela juíza Marcia Correia Hollanda da 47ª vara cível da Comarca da Capital, permitindo a circulação do felino pelo condomínio. Na decisão da tutela antecipada, a juíza afirma que “não consta na Convenção do Condomínio qualquer vedação à circulação de animais domésticos o que, evidencia, a princípio, a abusividade da imposição da multa referida”.

E o gato Rubinho ficou, para alegria de seu tutor e de toda a comunidade.

Vinicius Cordeiro é advogado, ex-Secretário de Proteção Animal do Rio de Janeiro.
Bruna Franco é ativista, dirigente da ONG ADDAMA e produtora executiva da ONG Celebridade Pet.

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