A crise nos postos de castração da Prefeitura do Rio

Temos que registrar a paralisação de programas importantes como o de proteção aos animais comunitários

Vinícius Cordeiro - 14/10/2017 10h00

Há denúncias de irregular venda de vagas, mortes e mutilação de animais atendidos

A prefeitura do Rio, desde 2007, possui um dos mais bem-sucedidos programas de castração pública do país: é o Programa Bicho Rio, que oferece gratuitamente serviços de esterilização de cães e gatos, por meio de 10 postos espalhados por toda a cidade. O programa, iniciado em 2000, na gestão Cesar Maia, de apenas pouco mais de 13 mil procedimentos, passou, no fim do governo Eduardo Paes, ao recorde de mais de 44 mil procedimentos e 16 mil atendimentos clínicos.

O fato é que a gestão Crivella, até agora, significou um grande retrocesso, com corte de verbas e perda de importância, após a extinção da Secretaria, a SEPDA, e a montagem da desidratada SUBEM. O número de atendimentos tem caído, e são corriqueiros os relatos de atendimentos interrompidos por falta de insumos nos postos que, muitas vezes, se encontram parcialmente fechados ou mesmo com falta de pessoal. A fazenda modelo, o abrigo oficial, até o momento não recebeu quaisquer investimentos que estavam previstos e anunciados.

Sabemos que, neste momento, as prefeituras têm cortado orçamento em áreas consideradas não prioritárias. Mas, de fato, a atual gestão em nada cortou gratificações e cargos comissionados na atual subsecretaria, contrariando o discurso oficial. Infelizmente, a crise ficou mais séria com o mau atendimento, com as filas nos postos que obrigam mulheres, idosos e crianças a chegar de madrugada para, muitas vezes, não conseguirem ser atendidos. E, nas últimas semanas, temos recebido denúncias da irregular venda de vagas, mortes e mutilação de animais atendidos em diferentes postos. As redes sociais registram a multiplicação dos relatos por ativistas da proteção animal, que têm reagido ao problema, até agora, negado e ignorado pelo prefeito e pelos gestores da subsecretaria, alvo de severas e intensas críticas da sociedade civil.

Pior, temos que registrar a falta de diálogo do Governo com a sociedade civil e a paralisação de programas importantes como o de proteção aos animais comunitários, o abrigo amigo e o desmonte quase total da ouvidoria, fazendo com que seja inócuo reclamar do 1746. Isso em um momento de crise econômica, com índices de abandono cada vez maiores.

É importante registrar que o sistema público possui bons profissionais e deve ser procurado pela população. Mas esses casos, certamente, precisam ser apurados, e serão, por parlamentares,
pelo Ministério Público, e pelo CRMV, que já estão agindo a fim de melhorar um serviço que tem de primar pela qualidade do atendimento e tornar efetivo o necessário controle populacional de
animais domésticos em nossa cidade, e dar continuidade a um programa que era referência em todo o país.

 

Vinicius Cordeiro é advogado, ex-Secretário de Proteção Animal do Rio de Janeiro.
Bruna Franco é ativista, dirigente da ONG Celebridade Pet.