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O problema do agente e a gente

O que dois acontecimentos da semana ensinam sobre um erro comum do português

Verônica Bareicha - 27/01/2026 10h52

O problema do agente e a gente (Imagem ilustrativa) Foto: IA\Chat GPT

Como já expliquei aqui, quando fui convidada a escrever sobre temas da língua portuguesa neste espaço, o pedido foi que isso fosse feito de maneira leve e divertida, a partir de dúvidas e situações do cotidiano. Confesso que nem sempre é fácil…

Mas, neste fim de semana, fiz novos amigos. E um deles me disse que não entende lhufas de português. Na mesma hora pensei: “Nosso idioma é conhecimento e prática. Se a gente souber certo, usa certo. Bem diferente da bendita fórmula de Bhaskara, que só usei na escola mesmo…”

Partindo dessa ideia de “se a gente souber certo”, lembrei da grande confusão que muita gente boa faz com o uso de a gente, escrito separado, e agente, escrito junto. E, você, sabe usar corretamente?

Para ajudar, o Brasil teve, na última semana, um filme indicado a quatro categorias do Oscar: O Agente Secreto. A notícia deixou os amantes do cinema nacional bastante alvoroçados.

Agora, veja: quando pensamos em agente, escrito junto, conseguimos entender que se trata de uma função, de uma profissão. E olha que interessante: a palavra agente deriva do latim “agens” e significa “aquele que age”. Ou seja, aquele que pratica uma ação. E se você for até o nosso amigo dicionário, como já dei a dica, vai ver que é exatamente isso: aquele que atua, que agencia negócios alheios.

Outro acontecimento da semana passada que agitou o país foi a caminhada pela justiça realizada pelo deputado Nikolas Ferreira. Enquanto empreendia essa tarefa, Nikolas atuava como um agente de transformação para o nosso país. Captou a ideia?

E onde entra a gente, escrito separado? Pois é… Lá na origem da palavra gente que também vem do latim, mas agora “gens”, ela faz referência a grupamento familiar, clã, a casa em sua totalidade, família, povo, raça. E o seu significado em bom português é multidão de pessoas, povo. E quando colocamos o artigo antes, a gente… nos referimos a um conjunto de pessoas, ao povo, a nós mesmos. Certo?

Assim, durante a semana que passou, muita gente disse: “A gente vai se unir ao Nikolas durante essa caminhada pela justiça”.

O resultado foi uma manifestação pacífica, bonita de se ver, que encheu qualquer bom coração verde e amarelo de esperança.

Agora, ainda falando de a gente, vale ressaltar um detalhe importante: mesmo quando nos referimos a muitas pessoas, o verbo deve ficar no singular. Isso porque “gente” é um substantivo coletivo.

Perceba a diferença:
O filme O Agente Secreto foi o longa brasileiro com mais indicações ao Oscar.
Nikolas foi um agente da paz e da justiça ao caminhar de Minas até Brasília.

E: A gente gostaria de ter se reunido com Nikolas em Brasília.
A gente vai assistir ao filme com várias indicações ao Oscar.

Tenho certeza de que se você tinha dúvidas, agora não tem mais. Até porque, no fim das contas, tanto no português quanto na vida, saber separar e saber juntar faz toda a diferença.

Um abraço e até a próxima!

Verônica Bareicha ama palavras e letrinhas desde sempre. Há vinte e tantos anos atua como revisora, redatora e ghostwriter. É pós-graduanda em Jornalismo Digital pela FAAP; pós-graduada em Mercado Editorial pela PUC-Rio e graduada em Letras, pelo Unasp-EC. Deseja neste espaço compartilhar o amor e dicas da língua portuguesa de forma leve, bem-humorada e divertida.

* Este texto reflete a opinião do autor e não, necessariamente, a do Pleno.News.

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