Julgamento. Ou não
Os sentenciantes que salvarão a democracia - mesmo que a destruam - continuarão como se nada tivesse acontecido
Thiago Manzoni - 09/09/2025 16h53

Teve início nesta segunda-feira (8), na Primeira Turma do STF, o julgamento – se é que assim se pode chamar – de Bolsonaro por tentativa de golpe de Estado.
Os algozes de Bolsonaro decidiram julgá-lo em uma Turma do Tribunal e não no Plenário. Assim, o ex-presidente será sentenciado por apenas cinco dos 11 ministros que integram aquela Corte.
Todos os sentenciantes, sem exceção, foram indicados ao Tribunal em governos petistas – sim, Temer, que indicou Moraes, foi eleito na chapa do PT, com Dilma Rousseff. Na nova modalidade de Justiça em vigor no Brasil, eles sentenciarão o maior adversário do PT.
Julgamento?
Seria suficiente, mas é mais grave.
O presidente da Turma, o ministro Cristiano Zanin, não somente foi indicado pelo maior adversário de Bolsonaro ao cargo de ministro. Ele foi o advogado de Lula quando ele foi condenado – e depois descondenado e alçado novamente à Presidência da República.
Os outros integrantes do colegiado são Flávio Dino, ex-ministro da Justiça de Lula, que disse publicamente que Bolsonaro era do diabo e se alinhava às hostes de Satanás; Alexandre de Moraes, reconhecido desafeto de Bolsonaro; Cármen Lúcia, que permitiu a censura – mas era só até o dia da eleição (lembra?); e Luiz Fux, magistrado de carreira que parece ainda guardar algum grau de respeito ao Estado de Direito.
Julgamento?
Eles estão todos lá. Em suas togas, com ar de formalidade e linguajar pomposo a tentar emprestar credibilidade ao desfecho que todos já conheciam desde muito antes da sentença, desde muito antes do processo.
Enquanto a sentença é publicizada, aos poucos, como que para aumentar o sofrimento e a humilhação púbica, Eduardo Tagliaferro, um ex-assessor do relator do caso, expõe uma série de ilegalidades e fraudes ocorridas desde o período da investigação.
O mundo agora sabe, mas não importa: no Brasil, os sentenciantes que salvarão a democracia – mesmo que para isso precisem destruí-la, continuarão como se nada tivesse acontecido.
Julgamento?
Todos nós poderíamos falar e escrever por dias a respeito da delação alterada e remendada por mais de dez vezes, do foro competente para julgar, da ausência de possibilidade de recurso, da perseguição ao bolsonarismo exposta pela boca do presidente da Suprema Corte, Luís Roberto Barroso, que disse sem medo e sem vergonha: “Nós derrotamos o bolsonarismo”.
Poderíamos ainda falar e escrever sobre inúmeras ilegalidades e violações aos direitos fundamentais. Seria inútil. O rito da execução é só um rito. Os carrascos estão prontos para fazer sofrer ainda mais o líder que ousou fazer o povo acreditar que poderia ser livre. O líder que se levantou contra o sistema.
Julgamento. Ou não.
Alguém poderia me perguntar: então não há esperança? Há. Existe uma autoridade maior, colocada sobre toda autoridade humana.
O Brasil eleva os seus olhos para os montes e o seu socorro vem do Senhor, que fez os céus e a Terra. Ele é o dono da História e Sua mão é poderosa para mudar tudo, num piscar de olhos. Quem espera Nele nunca será frustrado.
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Thiago Manzoni é deputado distrital, presidente da Comissão de Constituição e Justiça e Secretário-Geral do Partido Liberal/DF. |
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