Vida de treinador

Se existe um emprego em que o profissional está sempre na “corda bamba” é o de técnico de futebol

Sergio du Bocage - 02/08/2018 15h27

Se existe um emprego em que o profissional está sempre na “corda bamba” é o de técnico de futebol. Mesmo que o salário compense – o que atualmente já não é tão verdadeiro assim -, a incerteza quanto ao dia seguinte e a impossibilidade de resolver sozinho os problemas que surgem nos 90 minutos de uma partida fazem com que ele não saiba se, no dia seguinte, vai acordar empregado ou não.

A falta de organização de muitos clubes, sem um planejamento, e a pressão do apaixonado torcedor – que atualmente interfere ainda mais através das redes sociais – são fatores que pesam nessa incerteza. Em 16 rodadas do Campeonato Brasileiro, 14 técnicos já foram demitidos, mas se somarmos ao do Botafogo, que perdeu seu emprego por uma derrota na Copa Sul-americana, o índice fica próximo de uma demissão a cada rodada. E isso porque a legislação atual obriga os clubes a registrarem os contratos, a pagarem as multas devidas etc etc, antes de contratarem um novo profissional.

Diego Aguirre é o técnico do São Paulo Foto: Rubens Chiri /saopaulofc.net

Qual o perfil que mais se adapta a cada clube? Acho que nem mesmo os dirigentes sabem. Exemplos? O Botafogo, por exemplo, contratou um técnico que ficou por cinco – CINCO – jogos. O Palmeiras investiu no jovem Roger Carvalho e o trocou pelo mais que veterano Luiz Felipe Scolari. O Flamengo saiu de um estrangeiro, Reinaldo Rueda, passou pelo Carpegiani para agora apostar no novato Maurício Barbieri. O São Paulo vai se dando bem com outro estrangeiro, Diego Aguirre. O Santos também trocou um novato, Jair Ventura, por outro mais tarimbado, o Cuca.

Quanto tempo essas mudanças de atitude e de caminhos vão durar? E antes que você critique, alerto que é possível que os números lá de cima já estejam desatualizados. Afinal, é nessa velocidade de mudanças que vive um técnico de futebol.

Sergio du Bocage é carioca e jornalista esportivo desde 1982. Trabalhou no Jornal dos Sports, na TV Manchete e na Rádio Globo. É gerente de programas esportivos da TV Brasil e apresenta o programa “No Mundo da Bola”.